~ MAREU ~
— Claro, claro — Logan respondeu, rápido demais. — A Mareu pode se juntar a nós no auditório.
Eu olhei pra ele com aquela expressão de “sério que você vai facilitar isso?” e, como eu não tinha nenhuma saída elegante preparada, eu fiz o que sempre faço quando fico sem plano: concordei com a cabeça e fingi normalidade.
— Certo… vamos…
Eu me virei automaticamente e peguei a mão do Rômulo, o puxando comigo.
Foi aí que a Olívia nos olhou com a calma absoluta de quem nasceu para cortar cenas inteiras com uma frase.
— Ah, não.
Eu congelei.
— O quê? — eu perguntei, já sentindo o pânico subir.
Olívia apontou, com a mão livre, pro caminho do auditório.
— Só você e o papai. Só tenho dois convites.
E então ela se virou para o Rômulo com educação impecável.
— Desculpa, mas eu não sabia que a Mareu ia trazer alguém. Eu não te convidei.
Eu piscando, o mundo girando, e o pior: ela não disse como se fosse uma crueldade. Ela disse como quem informa o horário do intervalo.
Eu engasguei.
Engasguei de verdade. Uma tosse do nada, como se o meu corpo tivesse tentado expulsar a vergonha em forma de ar.
Não era um fora da Olívia. Era só… Olívia. Direta. Literal. Uma criança que não desperdiça palavras para suavizar o mundo.
— Cof... cof... — eu comecei, levando a mão ao peito e olhando pro nada, como se existisse um botão de “reiniciar dignidade” ali no chão.
Olívia não se abalou nem um pouco. Ela continuou, curiosa, analisando o Rômulo como se ele fosse parte de um experimento.
— Mas você pode ficar aqui e esperar — ela disse. E então, como se fosse a pergunta mais natural do universo: — Você é o namorado da Mareu?
O engasgo piorou.
— Cof! — eu fiz, dramática sem querer, levantando os braços como se eu estivesse sendo atacada por um inimigo invisível. — Cof cof cof!
— Bom… acho que vamos ter que esperar ela se recuperar pra responder essa.
Olívia concordou com a cabeça, satisfeita com a lógica.
— O problema é que ela nunca se recupera totalmente.
Eu parei de tossir por um segundo, só pra reagir.
— Ei!
Olívia nem se virou pra mim. Ela só seguiu, prática.
— Vão logo — ela ordenou. — Eu já vou. Antes eu vou explicar meu projeto pro… seu talvez namorado.
Eu aproveitei a brecha como quem foge de um incêndio.
— Tá — eu disse, rápido, já andando. — Vamos, Logan.
Eu larguei a mão do Rômulo no caminho, sem nem conseguir olhar pra ele direito, e comecei a andar na direção do auditório, com Logan vindo logo atrás.
— Nossos lugares são aqui — ele disse. — Bem na frente.
Eu entrei, peguei o lugar indicado e me sentei com cuidado demais, como se eu estivesse entrando num tribunal e não numa apresentação de escola.
Logan se sentou ao meu lado.
Eu olhei para a frente, para o palco vazio, para as cadeiras ocupadas por pais com celulares prontos… e, sem conseguir segurar, eu sussurrei:
— Você sabia?
Ele virou o rosto.
— Sabia o quê?
— Que ela tinha me convidado? — Eu olhei pra ele. — Você sabia que ela ia fazer isso?
Logan respirou como quem escolhe o quanto vai dizer.
— Eu peguei a ligação — ele respondeu, baixo. — Ela usou meu celular. Vi depois no histórico. Imaginei que pudesse ter sido isso.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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