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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 147

~ MAREU ~

— Claro, claro — Logan respondeu, rápido demais. — A Mareu pode se juntar a nós no auditório.

Eu olhei pra ele com aquela expressão de “sério que você vai facilitar isso?” e, como eu não tinha nenhuma saída elegante preparada, eu fiz o que sempre faço quando fico sem plano: concordei com a cabeça e fingi normalidade.

— Certo… vamos…

Eu me virei automaticamente e peguei a mão do Rômulo, o puxando comigo.

Foi aí que a Olívia nos olhou com a calma absoluta de quem nasceu para cortar cenas inteiras com uma frase.

— Ah, não.

Eu congelei.

— O quê? — eu perguntei, já sentindo o pânico subir.

Olívia apontou, com a mão livre, pro caminho do auditório.

— Só você e o papai. Só tenho dois convites.

E então ela se virou para o Rômulo com educação impecável.

— Desculpa, mas eu não sabia que a Mareu ia trazer alguém. Eu não te convidei.

Eu piscando, o mundo girando, e o pior: ela não disse como se fosse uma crueldade. Ela disse como quem informa o horário do intervalo.

Eu engasguei.

Engasguei de verdade. Uma tosse do nada, como se o meu corpo tivesse tentado expulsar a vergonha em forma de ar.

Não era um fora da Olívia. Era só… Olívia. Direta. Literal. Uma criança que não desperdiça palavras para suavizar o mundo.

— Cof... cof... — eu comecei, levando a mão ao peito e olhando pro nada, como se existisse um botão de “reiniciar dignidade” ali no chão.

Olívia não se abalou nem um pouco. Ela continuou, curiosa, analisando o Rômulo como se ele fosse parte de um experimento.

— Mas você pode ficar aqui e esperar — ela disse. E então, como se fosse a pergunta mais natural do universo: — Você é o namorado da Mareu?

O engasgo piorou.

— Cof! — eu fiz, dramática sem querer, levantando os braços como se eu estivesse sendo atacada por um inimigo invisível. — Cof cof cof!

— Bom… acho que vamos ter que esperar ela se recuperar pra responder essa.

Olívia concordou com a cabeça, satisfeita com a lógica.

— O problema é que ela nunca se recupera totalmente.

Eu parei de tossir por um segundo, só pra reagir.

— Ei!

Olívia nem se virou pra mim. Ela só seguiu, prática.

— Vão logo — ela ordenou. — Eu já vou. Antes eu vou explicar meu projeto pro… seu talvez namorado.

Eu aproveitei a brecha como quem foge de um incêndio.

— Tá — eu disse, rápido, já andando. — Vamos, Logan.

Eu larguei a mão do Rômulo no caminho, sem nem conseguir olhar pra ele direito, e comecei a andar na direção do auditório, com Logan vindo logo atrás.

— Nossos lugares são aqui — ele disse. — Bem na frente.

Eu entrei, peguei o lugar indicado e me sentei com cuidado demais, como se eu estivesse entrando num tribunal e não numa apresentação de escola.

Logan se sentou ao meu lado.

Eu olhei para a frente, para o palco vazio, para as cadeiras ocupadas por pais com celulares prontos… e, sem conseguir segurar, eu sussurrei:

— Você sabia?

Ele virou o rosto.

— Sabia o quê?

— Que ela tinha me convidado? — Eu olhei pra ele. — Você sabia que ela ia fazer isso?

Logan respirou como quem escolhe o quanto vai dizer.

— Eu peguei a ligação — ele respondeu, baixo. — Ela usou meu celular. Vi depois no histórico. Imaginei que pudesse ter sido isso.

— Em terceiro lugar — a professora disse —, com o projeto de germinação com feijões: Glauco Vidal! Venha ao palco, querido!

Um menino subiu, recebeu medalha, certificado e ficou no fundo do palco, sorrindo nervoso.

Olívia nem piscou.

A professora continuou:

— Em segundo lugar, com o projeto de balão em gás hélio… Olívia Novak.

Por um segundo, Olívia ficou imóvel.

— O quê? — ela murmurou, num choque tão puro que eu senti vontade de rir e abraçar ao mesmo tempo. — Segundo lugar? Isso não pode estar certo.

Logan se inclinou um pouco, falando baixo, com carinho na voz.

— Eu sei que você queria o primeiro. Mas eu tô orgulhoso de você do mesmo jeito. Você fez um trabalho brilhante.

— Segundo lugar é incrível! — eu completei. — Vai lá e pega sua medalha.

Olívia se levantou com uma dignidade ferida.

— Mas não é o primeiro — ela resmungou, e foi até o palco com a cara de quem tinha sido traída pela ciência.

Ela recebeu medalha e certificado, emburrada, e foi pro fundo do palco ao lado do menino do feijão, parecendo que estava calculando como refazer o universo.

A professora voltou ao microfone.

— E em primeiro lugar, com o projeto vulcão em erupção… Paloma Rizzo!

O auditório reagiu com palmas. Eu senti meu sangue gelar.

Antes que eu conseguisse pensar em qualquer coisa decente, eu sussurrei, quase sem voz:

— Ah, merda.

Do meu lado, Logan entoou, no mesmo tom baixo e perfeitamente sincronizado, como se a gente ainda fosse um time mesmo quando não podia ser:

— Ah, merda.

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