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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 148

~ MAREU ~

Na minha cabeça, a tragédia aconteceu antes mesmo da professora terminar de sorrir para a plateia.

Eu vi com nitidez cinematográfica: Olívia Novak voando em cima de Paloma Rizzo como um cometa de seis anos e meio, dedos no cabelo da menina, o troféu de primeiro lugar sendo arrancado com violência e a minha mini executiva gritando, em alto e bom som, que aquilo era fraude, corrupção e provavelmente lavagem de dinheiro em formato de vulcão de isopor.

Só que… eu pisquei.

E era apenas a Olívia.

A Olívia que já tinha tido uma briga física com a Paloma antes, sim, mas tinha sido um negócio sentimental, doído, sobre mãe, sobre ferida, sobre coisa grande demais pra criança. Feira de ciências era outro esporte. Feira de ciências era o tipo de campo em que a Olívia não precisava dar um tapa. Ela só precisava abrir a boca.

E foi isso que eu vi acontecer em silêncio, através de uma troca de olhares.

Olívia, emburrada no fundo do palco, virou o rosto na direção da professora. O queixo dela subiu um milímetro, o milímetro que antecede a sentença. A mão dela moveu como se já calculasse o caminho até o microfone. E eu reconheci aquele olhar: o olhar de quem vai provar um ponto sem levantar a voz. O olhar de quem vai fazer uma pergunta tão específica que a outra pessoa vai desejar ter estudado mais. Ou enterrar a cabeça na terra.

Antes que ela desse o primeiro passo, eu me levantei.

Eu nem sei como fui tão rápida. Juro. Meu corpo só decidiu que não era dia de deixar a Olívia virar uma manchete escolar. E, quando eu me dei conta, eu já estava subindo as escadas laterais, atravessando o palco com aquela elegância inexistente de alguém em pânico.

Eu alcancei Olívia no exato segundo em que ela ia se aproximar da professora. Peguei a mão dela, firme, e interceptar foi fácil. Difícil foi o resto.

Porque eu terminei com o microfone na mão.

E, de repente, centenas de olhos voltados pra mim.

Pais, mães, professores, celulares. O diretor da escola. A Paloma Rizzo com medalha brilhando e um vulcão que parecia ter cuspido lava de glitter. O garoto do feijão me olhando como se eu fosse o feijão.

E Logan Novak, lá na frente, com o corpo inteiro congelado, como se ele tivesse sido colocado em modo avião.

Fala qualquer coisa, Mareu.

Qualquer coisa.

Meu cérebro começou a procurar frases prontas e só encontrou: “bom dia”, “socorro”, “eu não deveria estar aqui”, “não me processem”.

Eu sorri como se eu soubesse o que estava fazendo.

— Obrigada… obrigada a todos por virem prestigiar essas crianças e seu trabalho com… ciências.

Silêncio.

Eu senti o suor aparecer num lugar que eu nem sabia que suava.

— A ciência é muito importante — eu continuei, porque, na minha cabeça, isso parecia uma frase segura. — Especialmente se incentivada na infância, porque… é cientificamente comprovado que a ciência é muito importante.

Eu vi duas pessoas na segunda fileira se encararem com uma expressão do tipo “ela disse isso mesmo?”.

Eu respirei e tentei sustentar o improviso com autoridade, o que foi um erro, porque eu não tenho autoridade. Eu tenho coragem e falta de filtro.

— Porque hoje, por exemplo, nós vimos… — eu olhei para o palco, procurando alguma coisa que me salvasse. Vi o menino do feijão, vi o vulcão, vi o balão. — Nós vimos feijões. Vimos lava. Vimos gás. E isso é… isso é o futuro, gente. Se vocês juntarem feijão, lava e gás… — eu pausei, séria, como se aquilo fosse virar uma frase profunda. — Bom. Não juntem. Não juntem feijão, lava e gás.

Uma risadinha isolada surgiu na fileira da direita. Uma. Eu agarrei aquela risada como se fosse um colete salva-vidas.

— E… e é por isso que eu acho… que todos aqui… — eu fiz um gesto com o microfone como se ele fosse um bastão de comando — deveriam bater palmas.

Uma pausa longa demais.

Uma pausa em que ninguém queria admitir que não tinha entendido nada do que eu disse.

Então alguém começou a aplaudir. Um aplauso tímido, de dó. Aí outro. Aí foi indo, como uma onda de gente que prefere obedecer do que pensar.

Eu aproveitei a onda.

Peguei a mão da Olívia e comecei a puxar ela para fora do palco com o sorriso mais simpático que eu consegui inventar.

— Eu sei o que você ia fazer.

Olívia me olhou com um desdém tão adulto que eu tive vontade de pedir desculpas por respirar.

— Então devia ter deixado eu ter feito.

Capítulo 148 1

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