~ LOGAN ~
Antes que qualquer um respondesse à Paula, Antônio Rizzo apareceu como se tivesse sido convocado pela palavra “comemorar”. Ele vinha com Paloma ao lado e aquele ar satisfeito de quem gosta mais do cenário do que do motivo.
— Vejam só que maravilha. Temos duas pequenas gênias na família.
Olívia bufou, sem nem se preocupar em parecer educada.
— Paloma está tão longe de ser gênia quanto a gente de ser uma família.
Eu segurei a mão da minha filha antes que ela continuasse. Ela permitiu, por pura disciplina. Não por concordar.
Antônio seguiu como se a frase dela não tivesse existido.
— Paula está certa. Isso pede comemoração. Almoço no Clube Milani? — Ele sorriu, já se posicionando para o próximo passo. — Acho que vai fazer bem... se é que você entende?
Eu entendia. Eu entendia muito bem. Ainda assim, eu tentei fechar a porta antes que virasse um corredor sem saída.
— Agradeço, Antônio, mas acho que a Olívia não está muito disposta.
— Estou sim — Olívia cortou, olhando direto para mim. — Muito disposta.
Eu reconheci aquilo. Minha filha nunca dizia “muito disposta” por gentileza. Se ela aceitou, era porque tinha um plano. Ou uma provocação. Ou os dois.
Paula abriu um sorriso fácil, automático.
— Perfeito, então.
E Olívia completou:
— E a Mareu vem com a gente.
Mareu piscou como se tivesse levado uma luz na cara.
— Eu não posso, meu amor… o Rômulo está me esperando.
— Então ele vem junto — Olívia decretou.
Eu ia dar um jeito de contornar. Ou inventar qualquer compromisso. Mas o tipo de pressão que estava se formando ali não era só social. Era do tipo que não aceita recusa sem transformar a recusa em problema.
E foi assim que eu, em questão de minutos, me vi entrando no Clube Milani com o grupo mais improvável possível.
Antônio levou as meninas para tomar um sorvete antes enquanto nós nos dirigimos para uma mesa a beira da piscina para adiantar os pedidos.
Paula se sentou ao meu lado com naturalidade. Do outro lado, Mareu se sentou com Rômulo. E foi aí que a sensação começou. A sensação de que eu estava sendo propositalmente provocado.
Rômulo não precisava tocar nela para dizer “eu estou com você”. Ele só precisava inclinar o corpo na direção dela na hora certa, baixar a voz na hora certa, sorrir de um jeito que fazia Mareu sorrir de volta antes mesmo de perceber.
E eu vi.
Eu vi Mareu rir com um canto de boca, vi o ombro dela relaxar, vi ela virar o rosto para ele como se o mundo inteiro pudesse ficar em segundo plano por um segundo.
Eu não devia estar prestando atenção.
Mas eu estava.
Paula pediu vinho. Comentou o cardápio. Fez uma observação leve sobre como o clube “sempre mantém um padrão”. Ela falava comigo como se estivéssemos num encontro que finalmente tinha acontecido, porque, para ela, isso sempre foi inevitável.
— Você parece cansado — ela disse, num tom manso, tocando meu braço como se fosse hábito antigo.
Eu devia afastar.
Mas eu olhei para o lado e vi Rômulo inclinar-se para Mareu e murmurar algo que fez ela erguer as sobrancelhas, divertida. E, por um impulso feio, eu deixei a mão da Paula ficar ali.
Mareu levantou os olhos e viu. Eu notei pelo segundo em que o sorriso dela perdeu firmeza. Ela recuperou rápido, como sempre. Eu conheço a rapidez da Mareu quando ela decide não dar satisfação para ninguém.
Rômulo também viu. E o que ele fez, em resposta, foi pior do que qualquer gesto agressivo.
Ele se virou ligeiramente na minha direção e sorriu. Não para mim, mas com aquela consciência de que eu estava olhando. Uma provocação limpa, sem violência. Um “eu sei”.
Eu encarei de volta. Ele sustentou.
— Ajuda como? — eu perguntei, baixo, e deixei minha mão cobrir a dela na mesa.
Paula sorriu, satisfeita.
Ela aproximou o rosto e respondeu no mesmo tom:
— Assim.
Paula virou o rosto e me beijou. Rápido. Preciso. Um beijo calculado, feito para ser visto.
Eu correspondi só o necessário para parecer convicção... e senti o gosto amargo disso na mesma hora.
Do outro lado da mesa, Mareu viu.
Eu soube que viu porque ela ficou imóvel por meio segundo. Um meio segundo que eu reconheceria em qualquer lugar. Depois ela respirou, virou o rosto para Rômulo e sorriu de novo, agora um pouco mais… decidida.
Rômulo, como se tivesse recebido o sinal, subiu a provocação de forma sutil.
Ele se inclinou para Mareu e disse alguma coisa que fez ela corar. Corar mesmo — não de vergonha, de calor. Ela baixou o olhar e mordeu o lábio num gesto curto antes de se recompor. Um gesto pequeno demais para ser calculado.
O sangue me subiu como se eu tivesse levado uma afronta pessoal.
Paula apertou minha mão e, sem saber o motivo real da tensão, continuou o flerte como sempre continuaria.
— Você devia relaxar mais — ela disse, sorrindo. — Podemos cuidar disso depois daqui.
A frase ficou suspensa entre nós quando o som de passos se aproximando e a sombra de alguém tomou a borda da mesa.
Antônio voltou, trazendo Olívia e Paloma. Ele olhou para mim e para Paula primeiro, e o sorriso dele abriu, satisfeito demais, como se tivesse acabado de confirmar um investimento.
— Ótimo. Ótimo… — ele disse, aprovando com a cabeça. — Vejo que vocês estão se dando bem.
Antônio apoiou a mão no encosto da cadeira, já comandando o próximo ato.
— Que tal aquela foto de família agora?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...