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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 151

~ MAREU ~

A pergunta da Olívia me acertou no peito como se tivesse peso.

Eu olhei para ela e, por um segundo, meu cérebro simplesmente… travou. Porque eu tinha mil frases prontas para quase tudo: para almoço, para birra, para provocação de coleguinha, para vestido de balé, para Logan Novak com cara de pedra.

Só que eu não tinha frase para aquilo.

— Eu… eu… — eu comecei, e o som da minha própria gagueira me ofendeu.

Olívia interpretou como sempre interpretava: com lógica. Só que lógica, naquela hora, era uma faca.

— Então é verdade — ela concluiu, e a garganta dela se mexeu. — Você vai embora.

— Liv, não é assim… — eu tentei, mas eu não sabia terminar. Não era o quê? Não era pra sempre? Não era do jeito que você está pensando? Qual versão eu podia oferecer que não fosse mentira?

Os olhos dela encheram tão rápido que eu quis voltar no tempo e tirar a frase do Rômulo do ar com as mãos.

— Você vai me abandonar? — ela gritou, e o volume dela não era birra. Era pânico. — Você vai embora igual minha mãe?

Meu estômago virou.

Eu senti todos os olhares da mesa se voltarem como holofotes, mas eu só conseguia ver uma coisa: a palavra “igual”. Ela tinha colocado eu e a Laura na mesma frase como se fosse inevitável. Como se pessoas indo embora fosse um padrão na vida dela.

Eu procurei o Logan com os olhos.

Ele estava imóvel por meio segundo — o tipo de imobilidade que eu já tinha visto nele quando algo acionava o trauma.

E eu, que tinha certeza de que aquela conversa era dele, não minha, não ali, não naquele palco social, senti a culpa me apertar a garganta. Porque, por mais injusto que fosse, era comigo que a Olívia estava falando.

Eu não podia mentir.

Mas eu também não podia falar a verdade inteira. Não ali. Não com Paula, Antônio, Paloma e o clube inteiro servindo de plateia.

— Liv… — eu consegui dizer, por fim, numa voz que saiu fraca demais.

Olívia não esperou.

Ela empurrou a cadeira com força, o troféu balançou, quase caiu, e ela se levantou como se tivesse sido puxada por uma corda invisível.

— Eu sabia! — ela gritou, e aí o choro veio, bruto, sem aquele controle que ela sempre usa. — Eu sabia!

E saiu correndo.

A imagem foi tão errada que eu demorei um segundo para processar: Olívia Novak correndo no meio do clube, sem postura, sem máscara.

— Olívia! — Logan se levantou num impulso, a cadeira raspou no chão. Ele nem olhou para Paula, nem para Antônio. Só foi.

Ele correu atrás dela, chamando o nome da filha com urgência. De perto, eu vi que as mãos dele tremiam um pouco quando ele passou por mim.

Eu fiquei em pé, indecisa, o corpo inteiro querendo ir, o cérebro brigando com isso. Enquanto isso, as vozes na mesa retomavam num barulho desconfortável — talheres, comentários, aquele riso que tenta fingir que não aconteceu nada.

— Eu disse pra você ficar longe — Paula falou. — Parece que tem uma necessidade de se intrometer em tudo.

Eu nem respondi.

Porque responder a Paula era dar a ela o que ela queria: minha atenção. Meu desequilíbrio.

Eu só respirei, tentando não deixar o peito subir e descer como se eu tivesse acabado de correr uma maratona.

No segundo seguinte, eu senti a mão do Rômulo no meu ombro.

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