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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 152

~ MAREU ~

Ficamos os três ali dentro, subindo, com um silêncio tão absurdo que eu comecei a ouvir coisas que não deveriam ter som: o tecido da blusa da Olívia raspando quando ela respirava, o estalo minúsculo do painel de luz, o meu próprio coração batendo como se estivesse nervoso de estar perto do Logan de novo.

Olívia chorava sem fazer barulho. Um choro contido, comprimido, como se ela tivesse medo das lágrimas.

Logan ficou imóvel, de lado, olhando para frente, mãos fechadas e depois abertas, fechadas de novo, como se tivesse vontade de fazer alguma coisa e não soubesse qual gesto não pioraria tudo.

Eu aguentei seis andares daquele silêncio antes de perceber que eu não aguentaria mais.

Eu abaixei até ficar na altura dos olhos dela.

— Liv… — eu comecei, devagar, como se a minha voz pudesse assustar a dor. — Eu não queria que você soubesse assim.

Olívia não olhou para mim de imediato. Ela piscou várias vezes, tentando engolir o choro de volta, como se fosse uma falha de comportamento.

— Porque eu não estou te abandonando — eu continuei, sentindo a garganta apertar.

Ela virou o rosto para mim, finalmente, com os olhos molhados e uma raiva pequena, desesperada.

— Então você ainda é minha babá?

A pergunta era lógica. Uma condição binária. Ou sim, ou não. Ela estava tentando reduzir o caos a uma resposta possível.

Eu respirei.

Eu não podia mentir.

Mas eu também não podia destruir a menina com a verdade inteira do jeito errado.

— Eu ainda sou sua melhor amiga — eu disse, tentando dar a ela um chão. — Não é isso que importa?

Olívia franziu a testa, e aquela expressão dela era tão adulta que doía.

— Melhores amigas ficam perto.

— Eu vou ficar perto — eu falei, rápido.

Ela sacudiu a cabeça.

— Você vai embora.

— Não da sua vida.

Olívia engoliu o ar e a voz dela subiu.

— Vai sim!

E aí ela gritou de verdade, a raiva virando medo.

— É melhor… é melhor ir de uma vez!

Eu ia dizer alguma coisa. Ia tentar pegar a mão dela. Ia tentar salvar o que eu não tinha quebrado sozinha. Mas o elevador apitou suave, como se estivesse feliz com a própria eficiência, e as portas se abriram.

Último andar.

Eu só entendi na ala do Hotel Milani quando saímos do elevador.

O corredor era outro tipo de corredor. Tapete grosso, iluminação indireta, aquele cheiro de lugar caro que tenta ser invisível. Um funcionário passou por nós com discrição exagerada.

— Aqui — Logan disse, baixo.

Eu acompanhei sem perguntar, porque, naquele momento, qualquer pergunta era um peso.

A porta se abriu com cartão e senha e, quando entramos, eu entendi: não era uma sala reservada qualquer.

Era uma penthouse.

Dois andares. Janelas enormes. Uma escada elegante subindo para a área íntima. Sofás claros, mesa de centro de vidro, uma vista que parecia mordida pelo horizonte.

E, por um segundo, eu senti um déjà-vu tão forte que minhas pernas quase falharam.

Porque lugares como aquele já tinham sido comuns pra mim. Antes. E eu odiei o corpo lembrar disso.

Olívia entrou primeiro, sem olhar para nada, só andando como se estivesse fugindo de um incêndio.

Logan fechou a porta.

— Vem, Liv — ele chamou, com uma voz que tentou ser suave e falhou de nervoso.

Ele se sentou no sofá principal e abriu espaço ao lado.

Olívia hesitou só meio segundo, depois foi e se sentou grudada nele, mas com o corpo duro, como se estar perto não significasse aceitar.

Eu fiquei parada um instante, sem saber onde colocar as mãos, o olhar, a minha culpa.

Logan respirou fundo.

— Liv… eu sei que foi um erro não ter conversado com você antes, mas… — ele começou.

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