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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 16

O teatro não tinha saída de emergência para vergonha.

Suzane estava perto demais. Confiante demais. O perfume dela invadiu meu espaço pessoal como se tivesse direito de estar ali.

— Eu sabia que era você! — ela repetiu, os olhos brilhando com aquela satisfação predatória. — Por que você saiu correndo?

Porque você é uma fofoqueira profissional e eu prefiro me jogar de um prédio a virar assunto na mesa de jantar da família novamente.

— Suzane — disse, forçando um sorriso que doía nos músculos do rosto. — Que surpresa.

Ela se aproximou mais, bloqueando minha saída com o corpo. Não precisou me tocar. O bloqueio era social, invisível, mas eficiente.

— Depois de... tudo... — ela disse, pausando de propósito, saboreando cada palavra. — Você desaparece. Assim. Sem avisar ninguém.

Tudo. Ela não ia dizer "fuga do seu casamento arranjado" em voz alta. Não aqui. Mas a palavra pairava entre nós como fumaça tóxica.

— É — respondi, tentando soar casual. — Precisei de um tempo.

— Um tempo — ela repetiu, arqueando uma sobrancelha perfeitamente desenhada. — Interessante. E você está... como?

— Bem. Viva.

Ela esperou que eu elaborasse. Não elaborei.

— Morando onde?

— Por aí.

Os olhos dela estreitaram levemente.

— Com quem?

— Com... pessoas.

Cada resposta minha era um desvio. Ela percebia. E estava adorando o jogo.

— E o que você está fazendo aqui? — ela perguntou, finalmente, os olhos percorrendo meu vestido rosa queimado com avaliação crítica.

Abri a boca para responder — para inventar qualquer coisa — quando ouvi:

— Mareu!

Olívia.

Ela veio correndo na minha direção, os olhos brilhando, o sorriso enorme no rosto.

— Você veio! E trouxe meu pai!

Meu coração disparou.

Suzane virou a cabeça devagar, os olhos encontrando Logan parado alguns metros atrás, ainda conversando com um dos instrutores.

Um homem. Uma criança. Eu.

Vi os neurônios dela tentando conectar os pontos.

— Ah — Suzane disse, o tom mudando levemente. — Você está... acompanhada.

— Sim — respondi rápido demais. — Tenho que ir, na verdade. Depois a gente conversa.

Dei um passo para trás, mas senti o olhar dela grudado em mim.

— Claro — ela disse, aquele sorrisinho venenoso voltando. — Depois. Eu adoro... atualizações.

Ela falava "atualizações" como quem escolhia sobremesa num buffet de fofoca.

Me afastei de Suzane, colocando a mão no ombro de Olívia como se aquilo fosse natural. A menina estava ao meu lado, ainda animada, mexendo nas pontas do tutu cor-de-rosa.

— Seu figurino está lindo — disse para ela, mais alto do que o necessário, enchendo o espaço com normalidade forçada.

Olívia sorriu, distraída, e começou a me contar algo sobre a coreografia.

Mas sentia Suzane me observando. O olhar dela vinha junto, pregado na minha nuca como um alvo.

A professora de balé de Olívia — uma mulher elegante de cabelos presos num coque impecável — começou a organizar as crianças.

— Pessoal, vamos tirar uma foto rápida antes da apresentação! — ela anunciou, ajeitando os pequenos bailarinos em posição.

Olívia puxou o pai pela mão.

— Papai, vem!

Logan se abaixou, ajeitando o tutu dela com cuidado.

Ela apontou com o queixo, de leve, na direção de Logan e Olívia, que ainda estavam perto da professora e dos instrutores. A professora ajeitava as crianças em fila, e Olívia já puxava o pai como se ele fosse propriedade dela.

— Você tá viajando.

— Eu tô vendo. — Ela se aproximou um pouco mais, e agora era íntimo demais, agressivo demais. — Você não quer que eu diga alto, não é? Porque aí vira verdade social. Aí alguém ouve, e pronto. “Você soube da Maria Eugênia Valença? Virou babá. Trabalhando.”

Trabalhando.

Ela disse como se fosse uma sentença criminal.

Meu estômago virou.

— Isso tudo é inveja de mim? Você sempre teve. Agora quer escrever sua história de ficção sobre minha vida?

Suzane sorriu com os dentes.

— Inveja do quê? Babá. Trabalhadora. Empregadinha.

Meu corpo todo ficou rígido.

Eu ia responder, mas a minha garganta falhou.

E foi nesse segundo, exatamente nesse segundo, que eu senti alguém ao meu lado.

Uma presença firme.

Não curiosa. Firme.

A sombra dele cortou a luz do camarim e, antes que eu conseguisse entender, uma mão encontrou a minha.

Os dedos se entrelaçaram nos meus como se aquilo fosse natural. Como se fosse óbvio.

Eu virei o rosto, surpresa, e vi Logan parado ali, calmo demais para quem tinha acabado de entrar numa cena tensa.

Ele olhou para Suzane por um instante.

Um olhar curto. Gelado. O tipo de olhar que não pergunta nada e encerra tudo.

Então ele apertou minha mão uma vez, como se estivesse me lembrando de respirar, e disse, alto o bastante para ninguém ousar continuar a conversa:

— Vamos para nosso camarote, meu amor. A apresentação já vai começar.

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