~ MAREU ~
Eu cheguei no aeroporto sozinha.
E, por mais que eu tentasse fingir que era só uma questão prática — eu saí da casa da Clara, eles saíram da mansão Novak — a verdade era que eu também tinha escolhido isso.
Sozinha, eu tinha a ilusão de controle.
Sozinha, eu podia respirar antes de entrar na versão performática da minha vida. A versão em que eu pisaria em Paris como noiva de Logan Novak, com um sorriso no rosto e um contrato invisível costurado por dentro.
Eu puxei minha mala pelo saguão, passei por famílias com crianças correndo, casais discutindo passaporte, gente com mochila, gente com terno, gente com cara de férias. Eu me misturei na multidão porque era mais fácil ser só mais uma.
Fui até a área de embarque comum e me sentei perto do portão do voo para França.
O painel de voos piscava com nomes: Madrid, Roma, Lisboa, Paris.
Paris.
A palavra parecia bonita demais para a bagunça que eu estava carregando.
Eu chequei o celular.
Nenhuma mensagem do Logan.
Eu sabia que ele viria. Era óbvio. Mas mesmo assim eu senti aquela pontada irritante de insegurança: e se, na cabeça dele, eu ainda fosse uma peça? Uma solução temporária que ele encaixaria em Paris e depois devolvesse à prateleira.
Quero dizer, não é que eu esperasse qualquer coisa além do combinado. Mas eu estava abrindo mão de muita coisa por esse contrato. Eu só esperava que ele realmente cumprisse e não resolvesse me descartar a qualquer momento.
Eu apertei o cabo da mala com força.
— Respira, Mareu — eu murmurei para mim mesma, como se eu fosse a Olívia numa crise.
Então uma sombra parou na minha frente.
Eu levantei o olhar, esperando ver um segurança, um funcionário, talvez até uma mensagem humana do universo dizendo “você está indo longe demais”.
Mas eu vi Rômulo.
Meu corpo travou por um segundo, como se a minha mente precisasse atualizar a realidade.
— Rômulo? — eu falei, e minha voz saiu com um susto que eu não consegui esconder. — O que você tá fazendo aqui?
Ele estava com o mesmo ar de sempre: bonito de um jeito que parecia fácil e com aquela expressão que era ao mesmo tempo confiante e… tensa.
— Você também vai a Paris? — eu soltei a pergunta sem pensar.
Rômulo balançou a cabeça rápido.
— Não. Não… na verdade… eu precisava falar com você antes de você embarcar.
Eu pisquei confusa.
— E comprar uma passagem só pra entrar na área de embarque pareceu mais adequado do que me ligar? — eu provoquei, porque provocação era o meu mecanismo mais barato de não demonstrar que aquilo mexeu comigo.
Rômulo abriu um sorriso pequeno.
— Eu queria te ver.
Ele deu um passo para mais perto, e eu senti o cheiro dele: discreto, bom, injusto.
— E além do mais… — ele continuou, com a voz mais baixa — você vem ignorando minhas ligações.
Eu senti o calor subir no rosto.
— Eu achei… — eu comecei, e parei porque a frase ficou presa na garganta. Eu engoli. — Eu achei que precisávamos de um tempo. Foi o que eu sugeri. Conversarmos quando eu voltar.
Rômulo me encarou por um segundo longo, sério.
— Pois eu não quero conversar quando você voltar.
O jeito decidido como ele disse aquilo me deu uma pontada no estômago.
Ele se sentou na cadeira ao meu lado sem pedir permissão. Eu devia ter implicado. Não implicar foi um sinal de que eu estava cansada demais para ser orgulhosa.
— Eu quero deixar as coisas claras de uma vez — ele falou.
Eu mantive os olhos nele, e eu odiei o fato de que uma parte de mim ficou… curiosa.
— Mareu, eu gosto de você.
Eu prendi a respiração.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...