~ LOGAN ~
Eu parei a alguns passos dela.
Mareu se afastou de Rômulo com um movimento rápido. Um recuo pequeno, mas carregado de urgência, como se o corpo dela tivesse entendido o perigo antes da cabeça.
Eu fiquei imóvel, observando.
O que raios Rômulo Vianna estava fazendo ali?
A pergunta veio com uma raiva surda, quase física, subindo pela minha garganta. Eu queria formulá-la em voz alta. Eu queria exigir uma explicação. Eu queria que o mundo parasse por quinze segundos para eu encaixar aquela cena em alguma lógica.
Mas eu não podia.
A sala de embarque pública não era um lugar onde eu pudesse perder o controle. E, pior, eu estava segurando a mão da Olívia.
Eu mantive os dedos firmes ao redor dos dela. Minha filha tinha o dom de desaparecer no caos com a mesma eficiência com que resolvia equações. Eu não ia deixar isso acontecer num aeroporto.
Liam já estava com Samira na área VIP.
Eu tinha organizado tudo para que fosse simples. Para que fosse limpo. Para que Mareu chegasse, nós atravessássemos o trajeto reservado, entrássemos no fluxo privado e o resto do mundo ficasse do lado de fora.
E ainda assim, ali estava ela. No meio do público. E com Rômulo.
O mesmo homem que eu parecia encontrar em todos os lugares — na minha casa, na escola, no clube, nos meus dias, nos meus pensamentos.
Eu respirei uma vez e avancei.
Mareu ergueu o olhar e eu vi, no instante antes de ela compor o rosto, a culpa passando. Culpa de quem sabe que foi pega.
— Logan? — ela disse.
Eu segurei a pergunta que queria fazer e entreguei a que eu podia.
— O que você tá fazendo aqui?
Rômulo se ajeitou na cadeira, o corpo inclinando um pouco para a frente, como se quisesse ocupar espaço entre nós.
— Eu não te devo explicações — ele disse.
Eu o encarei com calma.
— Eu estou falando com a Mareu.
Minha voz não subiu. A autoridade não precisa de volume.
Eu desviei o olhar de Rômulo e voltei para Mareu.
— Por que você não foi para a área VIP da Novak?
A expressão dela travou.
— Área VIP da Novak?
Eu soltei um suspiro baixo.
— Eu achei que não precisaria explicar — eu disse, curto. — Vamos.
Eu senti Mareu endurecer ao ouvir a ordem. Ela tinha um radar para comando, um instinto de defesa contra qualquer coisa que soasse como posse.
Ainda assim, ela se virou para Rômulo.
— A gente conversa melhor quando eu voltar — ela disse, e o tom tentou parecer leve, mas tinha pressa demais.
Rômulo sustentou o olhar dela como se estivesse marcando território com os olhos. Depois olhou para mim, com uma insolência que ele acreditava ser coragem.
Eu não lhe dei o que ele queria. Eu não reagi.
Eu só puxei Olívia com cuidado.
Mareu veio junto, arrastando a mala no chão, o rosto já compondo a versão “noiva por contrato” que ela tinha ensaiado mentalmente.
Foi Olívia quem quebrou o ar, como sempre.
— Não é estranho você ser noiva do meu pai e beijar outro cara?
Eu senti a mão dela apertar a minha, curiosa e acusatória ao mesmo tempo. Olívia não fazia perguntas inocentes. Ela fazia perguntas cirúrgicas.
Mareu abriu a boca.
Dar as mãos era parte do plano. Estava no contrato. Estava na lista. Estava no teatro.
Eu olhei para Mareu.
Ela me olhou de volta.
O olhar dela dizia: é só mais uma coisa. Cumpre e acaba.
O olhar dela também dizia: eu odeio que você mande.
Eu demorei um segundo a mais do que deveria.
E foi ela quem resolveu.
Mareu revirou os olhos como se fosse um gesto de impaciência com a vida e puxou a minha mão.
Entrelaçou os dedos.
O contato me atravessou com uma sensação inesperada de exposição.
Eu tinha dormido com ela duas vezes.
Eu tinha encostado nela em lugares que o mundo não conhecia.
Só que aquilo tinha sido privado. Entre quatro paredes. Sem testemunhas. Sem a percepção pública grudando na pele.
Ali, no meio do aeroporto, a mão dela na minha era um anúncio.
Um anúncio para o mundo.
E, de um jeito que eu não consegui explicar, pareceu íntimo demais.
Eu caminhei com ela ao meu lado, Olívia do outro, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
E era.
Porque o meu corpo, traidor, se ajustou ao dela como se já soubesse. Como se as nossas mãos tivessem nascido para se encaixarem.
Eu me senti completamente confortável com aquilo.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...