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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 165

~ MAREU ~

A entrada para a área VIP reservada era discreta do jeito que só coisas realmente caras conseguem ser.

Nada de placa neon dizendo “seja bem-vindo, rico”. Era só uma porta com dois seguranças, um leitor de acesso e aquele ar de “se você não sabe que isso existe, você não deveria estar aqui”.

Logan passou primeiro, sem olhar para os lados, como se aquele caminho fosse uma extensão natural do corpo dele. Olívia veio grudada na mão dele, com a mochila pequena e a postura de mini executiva em viagem corporativa. Eu fui logo atrás, puxando a mala com calma.

Calma treinada.

Porque eu sabia me comportar naquele meio.

O que eu não sabia era o que eu era naquele meio.

A porta se fechou atrás de nós e, de repente, o aeroporto barulhento virou um aquário de silêncio.

A sala VIP era enorme e… vazia.

Vazia de verdade. Uma ou outra pessoa em poltronas distantes, um bar impecável com taças que pareciam esperando serem usadas por alguém importante, e uma funcionária sorrindo com a elegância impecável de quem só atende gente que nunca segura o próprio cartão.

Eu olhei em volta e, por um segundo, senti a nostalgia estranha de infância. Não do luxo. Do hábito.

Logan percebeu.

— Aqui é reservado — ele explicou, como se estivesse me apresentando uma parte da empresa. — Família, sócios e clientes.

Ele apontou discretamente para um corredor mais ao fundo.

— A Novak tem muitos negócios com companhias aéreas que operam aqui. Então… temos esse espaço.

— Legal — eu disse. — Quando eu viajava com a minha família, a gente ficava em salas VIP de cartão de crédito. Meu pai reclamava que eram sempre lotadas.

Logan riu, um riso curto, genuíno.

— Nós temos um pouco de exclusividade aqui.

Eu arqueei uma sobrancelha.

— Um pouco?

Olívia olhou para os lados, avaliando o espaço como quem avalia um escritório.

— Eu gosto — ela decretou. — Silencioso. Sem gente esbarrando.

— Eu também gosto — Logan disse, e a forma como ele falou “gosto” me deu a impressão de que ele não estava falando só da sala.

Eu preferi focar no fato de que o bar tinha uma máquina de milkshake. Prioridades.

Foi nesse momento que um som atravessou o silêncio como um choque elétrico.

— LOGAAAANN!

Eu nem tive tempo de virar direito.

Uma mulher entrou como um cometa de salto alto.

Cabelos negros, brilhantes a ponto de quase cegarem. Um vestido caro em tom neutro que ainda assim gritava presença. E um sorriso grande, quase escandaloso.

Ela se jogou nos braços do Logan.

Literalmente.

Logan a segurou por instinto, e por um segundo eu vi ele saindo do modo CEO e entrando num modo que eu ainda não tinha catalogado: irmão.

— Catharina — ele disse, num tom que era metade advertência, metade afeto.

Catharina Novak se afastou só o suficiente para olhar o rosto dele como se estivesse inspecionando.

— Você está mais magro — ela decretou. — E mais rabugento. Combina com você.

— Obrigado — Logan respondeu, sem humor.

Catharina ignorou e se abaixou até ficar na altura da Olívia.

— E você… — ela puxou Olívia para perto com uma delicadeza que era surpreendente vindo de alguém tão barulhenta. — Você está uma verdadeira mocinha.

Olívia permitiu o abraço com a dignidade de quem está concedendo algo grande.

— Tia Cat — ela disse, e havia felicidade real ali. — Você vai com a gente?

Catharina abriu os braços como se a pergunta fosse a coisa mais óbvia do mundo.

— E desde quando eu perco a oportunidade de visitar Paris?

Olívia riu, alto.

— Concordo.

Logan suspirou do jeito de quem já tinha desistido de tentar controlar a irmã.

— Catharina, essa é a Mareu. Mareu, essa é…

Eu cortei antes que ele terminasse.

— A gente se conhece.

— Sim — ela disse, com naturalidade. — Banheiro da balada.

A frase foi casual.

Mas disparou um tremor pelo meu corpo.

Banheiro.

Bebida.

Luz piscando.

O eco de uma porta fechando.

Catharina continuou, sorrindo como se estivesse lembrando de um encontro fofo.

Eu estava lembrando de algo que aconteceu quando ela saiu de lá.

— Você me deve um vestido.

Eu pisquei, tentando trazer meu cérebro de volta ao presente.

— Claro — eu respondi, agarrando a normalidade com as duas mãos. — Temos que ver isso.

Capítulo 165 1

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