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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 166

~ LOGAN ~

— Eu não mencionei que meus pais moram em Paris?

A pergunta saiu com a leveza de quem esqueceu de avisar que o prédio tem portaria.

— Não. Não mencionou, não.

Eu mantive a expressão neutra. O que eu fiz em seguida foi admitir o óbvio com o máximo de controle possível.

— Bom… aparentemente eu esqueci.

O rosto dela mudou. Primeiro incredulidade. Depois pânico. O pânico sempre vinha rápido com Mareu.

— Como você pode esquecer algo assim? — ela soltou, e a voz subiu uma oitava. — Ah, meu Deus. Eu vou conhecer meus sogros.

Ela abriu os olhos como se a sala VIP tivesse ficado menor.

— E se eles não me aceitarem? E se sua mãe me olhar dos pés à alma e decidir que eu sou um inconveniente? E se eles decidirem que eu sou um erro de percurso e mandarem um segurança me escoltar pra fora como se eu fosse uma mala suspeita? E se sua mãe olhar pra mim e disser “essa não” como... como...

— Mareu — eu interrompi, sem elevar a voz. — É um noivado de mentirinha, lembra?

Ela parou no meio da espiral.

Eu continuei, direto, porque era a única maneira de cortar a ansiedade dela.

— Por que você se importa?

Mareu ficou em silêncio por um segundo, como se o cérebro dela tivesse que recuar e reencontrar a lógica.

— Ah — ela disse, mais baixo. — É.

Ela passou a mão pelo próprio cabelo, tentando reorganizar o mundo dentro da cabeça.

— Não são meus sogros de verdade — ela completou.

O tom saiu com uma racionalidade forçada.

— Mas ainda assim… — ela insistiu, e eu vi a teimosia dela voltando ao lugar. — Sua irmã disse que eles vão me odiar.

— Catharina é… exagerada — eu respondi.

Mareu estreitou os olhos.

— Então eles não vão me odiar?

Eu medi o que eu poderia dizer sem mentir de forma inútil.

— Bem… — eu comecei, e vi o momento exato em que ela já se preparou para o pior. — Você ainda é a mulher que fugiu do nosso casamento.

Os olhos dela arregalaram.

Eu continuei antes que ela me matasse com o olhar.

— Não é como se eles fossem te amar. Mas eu diria que odiar é uma palavra muito forte.

Mareu piscou. O ar pareceu ficar preso na garganta dela.

— Isso… — ela sussurrou, indignada e nervosa ao mesmo tempo. — Isso não ajuda.

— Ajuda a calibrar expectativa — eu corrigi.

Ela soltou um som curto, um quase-riso de desespero.

— Eu vou ser comida viva.

— Escuta — eu disse. — Vai pegar um milkshake de chocolate pra se acalmar.

Ela me encarou.

— Você tá mandando eu…

— Estou sugerindo — eu ajustei, porque Mareu tinha alergia à palavra ordem. — E eu volto em um minuto.

Antes de me afastar, minha mão encostou no braço dela.

Um carinho curto.

Automático.

Eu percebi o gesto depois que ele já tinha acontecido.

Não foi pensado. Não foi encenação para ninguém ver.

Foi como se o meu corpo já tivesse assimilado, com uma naturalidade perigosa, que ela estava ao meu lado.

Mareu também percebeu. Eu vi o pequeno choque no rosto dela antes de ela disfarçar.

Eu me afastei, deixando o espaço entre nós existir de novo.

A sala VIP continuava vazia, mas o espaço tinha vida própria: funcionários circulando silenciosos, um bar impecável, poltronas confortáveis. A área das bebidas ficava um pouco adiante, perto de uma mesa onde Henrique estava sentado.

Henrique Alencar tinha um prato de frutas na frente dele, como se estivesse num spa e não num aeroporto.

Ele ergueu os olhos quando eu me aproximei e, antes mesmo que eu dissesse qualquer coisa, o sorriso dele apareceu.

— Bom dia, chefe.

Eu me sentei de frente para ele.

Eu encostei as costas na cadeira, observando o movimento discreto da sala VIP. A essa altura, Mareu já estava perto do balcão, tentando decidir entre se irritar comigo ou obedecer.

— Eu realmente não tinha pensado nisso — eu admiti, com a sensação irritante de ter falhado num detalhe básico. — Pensado que eu preciso convencer o presidente da Novak que a noiva do CEO é adequada. E a Cath pensou em dois segundos.

Henrique riu, baixo.

— Nosso perfil de ver as coisas é muito analítico. Pessoas como a Cath e a Mareu são mais… práticas.

Ele inclinou o corpo um pouco.

— Elas enxergam onde a gente não vê. Isso é bom. É fresco.

Eu observei Henrique como se ele tivesse dito uma verdade inconveniente.

— E ainda assim é uma bomba que ela jogou no meu colo — eu murmurei.

— Não foi a Cath que jogou, foi a realidade — Henrique corrigiu, e eu odiei o quanto ele estava certo.

Foi quando uma sombra passou ao lado da nossa mesa.

— Um problema que você não teria se tivesse escolhido se casar com a minha filha, não é?

Antônio Rizzo não parou. Ele disse a frase como quem deixa um veneno no ar e segue andando, seguro de que o veneno vai trabalhar sozinho.

Eu acompanhei com o olhar, sentindo a irritação subir.

— E ainda isso — eu murmurei, sem tirar o olhar dele. — Ainda tenho que lidar com esse homem.

Henrique observou Antônio se afastar e depois voltou para mim, com uma sinceridade rara.

— Sinceramente? Eu não queria estar na sua pele.

Eu soltei o ar pelo nariz.

— Eu também não.

Henrique inclinou a cabeça.

— E não estou falando dos problemas.

Eu o encarei.

— Está falando do quê, então?

Henrique sorriu daquele jeito perigoso, de quem acabou de lembrar o detalhe mais constrangedor.

— Estou falando de você e Mareu dividindo um quarto de hotel por uma semana enquanto fingem que são um casal. Boa sorte.

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