Entrar Via

Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 167

~ MAREU ~

Paris à noite é indecente.

Essa foi a primeira conclusão que a minha mente entregou quando o carro virou a esquina e o Hotel Milani Paris apareceu diante de nós com aquela fachada iluminada demais para ser real, elegante demais para parecer acessível, e perfeitamente posicionado para me lembrar que eu estava, sim, na Cidade Luz, na Cidade do Amor, na Cidade Onde Pessoas Normais Vão Beijar em Pontes.

E eu estava ali para fingir um noivado.

Perfeito.

A Torre Eiffel aparecia ao fundo, recortada entre prédios e luzes, como se Paris fosse o tipo de lugar que faz questão de esfregar romance na sua cara mesmo quando você está emocionalmente em modo pane.

Nós descemos numa pequena operação que parecia ensaiada: seguranças discretos, carrinhos de bagagem, um gerente sorrindo na medida certa, portas se abrindo antes de alguém tocar nelas.

A família inteira foi entrando de uma vez, e eu fui junto, tentando parecer uma mulher plenamente funcional e não alguém que tinha passado as últimas horas alternando entre “vou passar uma semana com Logan Novak em Paris” e “por que eu aceitei isso mesmo?”.

O lobby do Milani Paris era um espetáculo em tons de dourado, creme e “isso custa mais que um apartamento”. Flores frescas, mármore, lustres que pareciam joias penduradas no teto e um perfume no ar que me fez pensar que até o cheiro daquele hotel tinha treinamento.

Olívia girou devagar, analisando tudo com olhos atentos.

— A gente não vai ficar na casa da vovó e do vovô? — ela perguntou, olhando para o pai com a franqueza de quem acha que adultos precisam explicar decisões ruins.

Catharina, que já tinha jogado a bolsa em cima de uma poltrona como se fosse dona do lugar, respondeu antes do Logan.

— Pelo amor de Deus, não.

Olívia franziu o nariz.

— Eu tô com saudades deles.

Logan, ao meu lado, respondeu no tom calmo de sempre.

— Vamos vê-los em breve.

Igor, que parecia viver para dizer coisas que o Logan não queria ouvir, inclinou o corpo em direção ao irmão com um sorriso enviesado.

— Mas nem você quis ficar lá, não é?

Ele olhou na minha direção com uma cara de quem acabara de encontrar um novo brinquedo.

— Vai jogar a Mareu aos leões.

Eu virei a cabeça tão rápido que quase ouvi meu pescoço reclamar.

— Acho que vou vomitar — eu falei, sem filtro.

Olívia me olhou com genuína preocupação.

— Imagina. Vovó é um amor. E vovô sempre tem chocolate. Você vai amá-los.

Catharina soltou uma risada curta e balançou a cabeça.

— Avós são diferentes de pais. Ou sogros.

A palavra sogros passou por mim como uma corrente elétrica.

Sogros.

Eu respirei fundo, sorri para a recepcionista e rezei internamente por qualquer distração logística.

O universo, dessa vez, colaborou.

Um atendente se aproximou com cartões-chave organizados numa bandeja impecável. E, quando falou, falou em português — português mesmo, limpo, natural — o que quase me fez beijar aquela bandeja de gratidão.

Claro. Hotel Milani. Cadeia de hotéis de donos brasileiros. Faz sentido.

— Boa noite — ele disse com um sorriso profissional. — Aqui estão os quartos.

Eu endireitei a postura no automático. Modo social ativado. Eu sabia fazer isso. Sempre soube.

O atendente começou a distribuir as chaves com eficiência.

— Penthouse 5 para a senhorita Catharina Novak.

Cath pegou o cartão com um “merci, mon amour” completamente desnecessário e ainda piscou para o homem.

— Penthouse 4 para o senhor Igor Novak.

Igor fez uma reverência ridícula.

— Penthouse 3 para o senhor Henrique Alencar.

Henrique, carregando a própria mala como se fosse um turista zen, agradeceu.

— Penthouse 2 para a senhora Samira Santos, com as crianças.

Eu pisquei.

Com as crianças.

Olhei para Samira, depois para Liam no colo dela, depois para Olívia segurando a mão do pai, e meu cérebro demorou meio segundo para perceber o detalhe mais importante daquela distribuição.

O atendente puxou o último cartão.

— E a Penthouse 1 para o senhor Logan Novak e senhorita Maria Eugênia Valença.

O mundo ficou muito barulhento por dentro.

A frase saiu da minha boca antes do meu filtro conseguir entrar em ação.

— Espera, a gente vai dormir juntos?

Capítulo 167 1

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva