~ MAREU ~
A porta da penthouse fechou atrás de nós e eu entrei como quem entra num campo minado.
A decoração era impecável, claro. Sofás claros, madeira escura, iluminação quente, uma sala enorme com janelas do chão ao teto e Paris brilhando lá fora como se alguém tivesse inventado a cidade só para humilhar o resto do mundo.
O problema não era o luxo.
Era a logística.
Quarto.
Eu larguei a mala perto do sofá e comecei a andar pela suíte com uma calma tão falsa que dava para ouvir o desespero fazendo eco.
Uma porta.
Banheiro.
Outra porta.
Sala de jantar pequena.
Mais um corredor.
Logan fechou a própria mala ao lado da minha e ficou me observando com aquele ar de homem que já sabia exatamente o que eu estava procurando, mas queria ver até onde eu iria fingir que não.
Eu abri a primeira porta do corredor.
Quarto.
Grande. Cama enorme. Poltrona. Tapete fofo demais para sapato. Banheiro integrado.
Eu prendi a respiração.
Abri a segunda porta.
Outro quarto.
Menor, mas ainda assim maior do que muitos apartamentos que eu já tinha visitado na vida.
Eu soltei o ar de uma vez só.
— Graças a Deus — eu murmurei, com a sinceridade de quem acabou de escapar de um ataque cardíaco social.
Logan encostou no batente com os braços cruzados e um sorrisinho que eu estava começando a reconhecer como “vou me divertir às suas custas”.
— Pode ficar na suíte principal — ele disse. — Eu fico com o quarto menor.
Eu me virei na mesma hora.
— Não, não. Eu tô bem no quarto menor.
Apontei para a cama como se estivesse apresentando uma tese irrefutável.
— Eu só preciso de… uma cama e…
Foi quando eu vi a janela do quarto.
Não. Não “uma janela”.
A vista.
— Ah, meu Deus. Olha essa vista!
Eu atravessei o quarto quase correndo, fui direto até o vidro e fiquei parada ali, com as mãos encostadas na moldura, olhando Paris acesa e a Torre Eiffel recortada contra a noite como se alguém tivesse deixado um sonho em exposição.
Atrás de mim, eu ouvi Logan rir.
Rir de verdade.
— Não é sua primeira vez em Paris, é? — ele perguntou.
Eu continuei olhando para a torre antes de responder.
— Não, não…
A frase saiu devagar, e eu percebi que tinha vindo carregada de uma memória meio amarga.
— Mas eu realmente nunca tive tempo de ser… turista.
Eu virei um pouco o rosto, apoiando o ombro na janela.
— Meu pai só vinha aqui a negócios e minha mãe corria pra fazer compras — eu disse, com um meio sorriso. — Eu acabava com uma babá que me levava em algum tour histórico chato.
A palavra babá saiu e bateu em mim de um jeito estranho.
Eu me corrigi rápido, tropeçando nas próprias intenções.
— Quero dizer, não que isso não seja importante. Tour histórico chato é… importante. Educativo.
Eu fiz um gesto vago com a mão, irritada comigo mesma.
— Mas diversão também é. Não deixa a Olívia ter essa experiência.
Logan não respondeu de imediato. Ele se aproximou alguns passos, sem invadir meu espaço, mas perto o suficiente para eu sentir aquela presença firme dele no quarto.
— E depois? — ele perguntou. — Depois que você cresceu e podia vir sozinha?
Eu soltei um risinho sem humor.
— E quem disse que eu tinha autonomia sobre a minha vida?
A tristeza veio antes do filtro, e eu não tive tempo de esconder direito.
Eu dei de ombros, tentando diminuir o peso da frase.
— Acho que eu nunca fui lá perto. Só vi a torre por janelas de hotel mesmo.
Por um segundo, ficou silencioso.
Eu achei que ele ia responder alguma coisa prática. Alguma coisa do tipo “agora você pode”, “então amanhã”.
Mas Logan Novak, no auge do inesperado, falou:
— Então vamos lá.
Eu virei para ele.
— Como assim?
Ele fez um gesto simples com o queixo em direção à janela.
— Vamos ver o show de luzes de perto.
Eu pisquei, sem acompanhar a velocidade daquela ideia.
— Agora?
— Agora.
— Mas combinamos de jantar em…
Ele olhou o relógio.
— Duas horas.
Depois me olhou como se aquilo fosse uma conta simples.
— É tempo suficiente. Estamos perto.
Eu fiquei parada um segundo, porque meu cérebro ainda estava tentando entender quando foi que Logan saiu do modo “contrato, cronograma, cláusula” e entrou no modo “vamos ver a torre brilhando”.
— Tá… — eu disse. — Tá. Legal.

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