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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 170

~ LOGAN ~

Eu desci para o bar antes do jantar porque precisava de um drink e de alguns minutos com pessoas que, pelo menos em teoria, sabiam rir antes de transformar tudo em problema.

Cinco minutos e um drink.

No máximo dois.

O bar do Hotel Milani Paris ficava num salão lateral, com luz baixa, música discreta e gente bonita fingindo naturalidade em móveis caríssimos. Um lugar perfeito para encontros, negócios e traições elegantes.

Henrique e Igor já estavam lá.

Sentados em bancos altos, meio virados para uma mesa próxima onde duas mulheres riam de alguma coisa que Henrique certamente tinha dito e Igor provavelmente tinha piorado.

Eu parei a dois passos deles e fiquei observando por um segundo.

Os dois tinham um talento especial para transformar qualquer ambiente num pré-evento social.

— Vocês dois não têm jeito, não é mesmo? — eu disse, já rindo antes de terminar a frase.

Henrique virou o rosto na minha direção e arregalou os olhos com teatralidade.

— Você sorrindo? — ele colocou a mão no peito como se tivesse presenciado um milagre. — Tá explicada a tempestade lá fora.

Igor soltou uma risada curta e me ofereceu um banco com um gesto.

Eu me sentei.

— O quê? — eu disse, pegando o cardápio de drinks só para ter algo nas mãos. — Talvez Paris me faça bem.

Igor me olhou de lado com aquela cara de irmão mais novo que enxerga demais e respeita de menos.

— Talvez a Mareu lhe faça bem.

Henrique não conseguiu nem fingir compostura.

A risada dele saiu alta o suficiente para uma das mulheres da mesa ao lado olhar para nós.

— Já? — ele perguntou, mal contendo o divertimento.

Eu franzi a testa.

— Já o quê?

Henrique levantou as sobrancelhas.

— Vocês dois.

— Cala a boca — eu respondi, automático. — Claro que não.

Igor apoiou o cotovelo no balcão e virou o corpo inteiro para mim, agora realmente interessado.

— Tá, peraí. O que eu perdi nessa história?

O bartender se aproximou e eu pedi um uísque sem gelo. Quando o copo chegou, eu girei o líquido âmbar e respondi sem rodeio.

— Mareu e eu não estamos… realmente juntos.

Igor piscou.

— É um contrato — eu continuei.

Igor ficou em silêncio por um segundo, processando. Depois assentiu lentamente.

— Hum… pressão do conselho?

Eu bebi um gole e apontei para ele com o copo.

— Exatamente. Então… resolvi dar o que eles querem.

Henrique soltou um riso curto, apoiando o copo no balcão.

— Mais ou menos — ele completou por mim.

Eu assenti.

— Mais ou menos. A Mareu está me ajudando com a farsa.

Igor inclinou a cabeça, olhando para o meu rosto como se estivesse conferindo se eu realmente acreditava na própria frase.

— Faz sentido — ele disse por fim.

Henrique virou para ele com a expressão de quem acabara de ouvir uma barbaridade.

— Não, não faz.

Eu fechei a cara antes mesmo de ele terminar.

Henrique ignorou completamente.

— O Logan está apaixonado por ela de verdade.

— Henrique! — eu cortei, baixo e duro.

A palavra saiu quase entre dentes.

Henrique ergueu as mãos em rendição falsa, aquele tipo de gesto que significa exatamente o contrário de rendição.

— O quê? Eu tô mentindo?

— Tá exagerando — eu respondi, seco.

Igor olhou de Henrique para mim e depois riu, mas a risada dele durou pouco. O rosto mudou. Ficou mais sério.

Mais irmão.

— Se permita, Logan — ele disse.

Eu fiquei em silêncio.

Ele continuou, sem ironia dessa vez.

— Você já passou por muito. Tá na hora de sair da caixa do luto e tocar sua vida.

Eu senti a frase bater num lugar que eu mantinha fechado por disciplina.

A mão que segurava o copo apertou um pouco mais do que precisava.

Eu olhei para ele com uma sobrancelha erguida.

— Tempo para quê?

Igor deu de ombros, apontando discretamente para a outra mulher da mesa.

— Pra liberdade, aparentemente. Antes que nossos pais decidam meu futuro também.

Ele bateu de leve no meu ombro ao passar.

— E, sério… pensa no que eu falei.

Eu não respondi.

Igor foi atrás de Henrique, e em menos de um minuto os dois já estavam integrados à conversa na mesa ao lado como se tivessem sido convidados desde o início da noite.

Eu fiquei sozinho no balcão.

O bar continuava bonito demais. A música continuava baixa. O barman continuava polindo copos com eficiência francesa. O meu uísque continuava no mesmo nível porque eu estava ocupado demais olhando para ele e ocupado de menos bebendo.

Eu girei o copo entre os dedos e deixei o gelo inexistente fazer falta.

“Está apaixonado.”

Henrique sempre escolhia a palavra mais exagerada no pior momento.

Eu não estava apaixonado.

Eu estava cansado.

Sob pressão.

Em Paris.

Prestes a apresentar uma noiva de contrato para meus pais.

Com uma mulher imprevisível dividindo uma semana de hotel comigo.

Tudo isso era suficiente para bagunçar qualquer linha de raciocínio.

E ainda assim, quando eu fechava os olhos por um segundo, não via conselho. Não via meus pais. Não via Antônio Rizzo.

Eu via chuva.

A boca dela se abrindo num sorriso nervoso antes de dizer que nunca tinha beijado na chuva.

A água escorrendo pelo rosto.

A mão dela na minha camisa.

O jeito como ela tinha me beijado de volta sem cautela depois do primeiro segundo.

Eu soltei o ar pelo nariz, um quase-riso, e levei o copo à boca.

Talvez Paris realmente me fizesse bem.

Ou talvez esse fosse exatamente o problema.

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