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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 172

~ MAREU ~

O fim de tarde em Paris parecia uma provocação pessoal.

A cidade inteira estava dourada, como se alguém tivesse decidido passar um filtro romântico só para testar a sanidade de quem subia a Torre Eiffel com um noivo de mentira e um jantar com os sogros reais marcado para dali a pouco.

E ainda assim, lá estava eu.

No topo.

No bar.

Com Logan Novak.

O Champagne Bar era menor do que eu imaginava e mais bonito do que eu gostaria. Luz suave, vidro, metal, o horizonte de Paris se abrindo em volta como se a cidade estivesse se oferecendo em silêncio. Pessoas elegante com taças na mão, turistas tentando sussurrar sem conseguir, casais se inclinando um para o outro como se o ar ali em cima tivesse sido feito de cumplicidade.

A cidade do amor, claramente, não conhecia o conceito de timing ruim.

Logan ficou ao meu lado, uma taça na mão, o corpo virado meio para mim, meio para a vista. O vento mexia no cabelo dele de um jeito que eu me recusei a achar bonito por princípios.

— Nós precisamos acertar as histórias — ele disse, direto, como se estivéssemos numa reunião e não num bar no topo da Torre Eiffel.

Eu soltei um riso curto, levando a taça à boca.

— Claro. Porque se tem um lugar ideal pra alinhar uma farsa é o topo da torre na cidade do amor.

O canto da boca dele subiu.

— Você prefere fazer isso no elevador, com crianças ouvindo?

— Não — eu respondi. — Só estou admirando a ironia do universo.

Eu apoiei o antebraço no balcão e olhei Paris lá embaixo. As luzes começavam a acender aos poucos, uma por uma, como se a cidade respirasse antes de brilhar de vez.

— Não tem como inventar muito — eu disse, voltando ao assunto. — Afinal, seus pais me reconhecem pelo nome.

Logan girou a taça devagar.

— Então optamos pela verdade?

Eu virei o rosto para ele, séria por um segundo e irônica no seguinte.

— A verdade floreada, claro.

Ele arqueou uma sobrancelha.

— Conceito promissor.

— Afinal — eu continuei, contando nos dedos como se estivesse organizando um relatório de caos — nós não estamos noivos. Nem apaixonados. Nem saindo. Nem… nada.

Eu o ouvi repetir antes de olhar para ele.

— Nem… nada.

Ele estava com um sorriso pequeno no rosto. Aquele sorriso discreto que sempre parecia saber mais do que devia.

Eu fiz o que qualquer mulher madura faria nessa situação: ignorei e bebi champanhe.

Logan deixou o humor passar e voltou ao modo prático.

— Outro ponto — ele disse. — Precisamos evitar… assuntos polêmicos.

Eu soltei uma risada pelo nariz.

— Certo. Evitar o fato de que eu fugi do nosso casamento por contrato. O primeiro. Não esse.

Eu fiz um gesto vago com a taça, irritada com a própria vida.

— Não que eu não vá… fugir desse também.

A resposta dele veio imediata.

— Não vai precisar fugir.

Eu olhei para a cidade para não olhar para ele.

— É… — murmurei. — Só voltar pra minha vida.

A frase saiu leve demais para o peso que tinha.

Logan virou um pouco mais o corpo na minha direção.

— Mareu. Foco.

Eu ri, porque até no topo da Torre Eiffel ele ainda conseguia soar como um CEO conduzindo reunião.

— Certo, foco — eu concordei. — Mas e se os seus pais tocarem no assunto?

— Eu respondo diplomaticamente.

Eu balancei a cabeça devagar, sem conter o meio sorriso.

— Você sabe fazer isso muito bem.

Logan deu de ombros, simples.

— É o que eu faço todos os dias.

A honestidade seca daquela frase me acertou de um jeito estranho. Porque era verdade. E porque, nas últimas horas, eu tinha visto o homem por trás dessa habilidade com uma chuva inteira no meio.

Ele apoiou a taça no balcão.

— Outra coisa — disse. — Precisamos de sinais.

Eu o encarei.

— Sinais?

— Se eu apertar sua mão duas vezes, você corta a conversa.

Eu assenti devagar, gravando.

Ele continuou:

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