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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 174

~ MAREU ~

Nos cinco ficamos parados diante da porta da mansão dos Novak como se alguém tivesse apertado pause em um filme de terror.

A casa — mansão, palácio, fortaleza emocional, escolha seu termo — ficava nos arredores de Paris, em uma área nobre, e tinha aquele tipo de fachada discreta que só gente muito rica chama de discreta. Pedra clara, ferragens impecáveis, luzes quentes, jardim aparado com precisão cirúrgica. Tudo bonito. Tudo silencioso. Tudo com cara de lugar onde erros ficam mais altos.

Olívia estava na frente, encarando o interfone como se ele fosse um problema matemático mal formulado.

Eu e Logan estávamos um pouco atrás, de mãos dadas.

Igor e Cath, ainda mais atrás, com a energia de quem tinha vindo assistir a um desastre em família e levado roupa adequada para isso.

Cath cruzou os braços e olhou para a porta.

— Tudo bem. Alguém toca o interfone.

Ninguém se mexeu.

Olívia, sem virar o rosto, informou:

— Eu não alcanço.

Igor enfiou as mãos nos bolsos, muito útil como sempre.

— É só alguém levantar a mão e apertar.

Logan respondeu, seco:

— Então vai em frente.

Igor não foi.

Cath também não.

Ninguém foi.

Olívia soltou um suspiro dramático de quem já tinha perdido a fé em adultos e tentou dar uns pulinhos para alcançar o botão. Não conseguiu.

— Deixem de ser criança — ela reclamou.

Eu senti a mão do Logan na minha e, ao mesmo tempo, senti que se ninguém fizesse alguma coisa eu ia ficar ali até o jantar de Natal.

Soltei a mão dele, fui até o interfone e apertei o botão num impulso.

— Quanto mais cedo começar, mais cedo acaba — eu murmurei, mais para mim mesma do que para qualquer pessoa.

Erro estratégico.

A voz do outro lado respondeu tão rápido que eu quase levei um susto.

Em português.

Com um sotaque francês carregadíssimo e uma satisfação impossível de esconder.

— E essa deve ser a noiva do meu filho.

Meu estômago despencou.

— Merda — eu resmunguei, baixo.

Igor, atrás de mim, soltou um som que era metade tossida, metade risada.

A porta se abriu segundos depois. Quem nos recebeu foi um funcionário impecável, com postura de quem certamente já tinha visto muitos jantares tensos sem nunca deixar transparecer um músculo.

Ele sorriu na medida exata.

— A senhora e o senhor Novak os estão aguardando no terraço para o jantar. Queiram me acompanhar, por favor — disse, também em português.

Cath passou por mim e murmurou, sem nenhuma intenção de ser discreta:

— Ótimo. Tragédia com vista.

Eu teria rido se meu sistema nervoso ainda estivesse operando com humor.

A casa por dentro era tão elegante quanto por fora, o que era irritante.

Corredores amplos, iluminação baixa, obras de arte caríssimas, e um silêncio educado que fazia qualquer palavra parecer inadequada.

O funcionário nos conduziu até o terraço.

Quando eu saí para a área externa, entendi a parte do “vista”.

A mesa estava posta para dez pessoas.

Talheres alinhados como ameaça. Cristais delicados. Louça bonita demais para uso humano. Flores baixas para não atrapalhar o campo de batalha visual. E, ao redor, um terraço amplo, elegante, com vista para os jardins da propriedade iluminados em camadas de verde e dourado.

Era lindo.

E eu tentei me sentir confortável ali.

Maria Eugênia Valença não teria problema nenhum com aquilo.

Maria Eugênia sabia onde se sentar, como segurar a taça, como sorrir sem parecer ansiosa, como sobreviver a mães que avaliam bainha e intenção no mesmo olhar.

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