~ MAREU ~
— Mãe — Logan cortou, antes que eu precisasse escolher entre diplomacia, ironia ou homicídio social. — Vi o quadro novo na sala. É um Soulages?
A mudança de assunto foi tão limpa que quase pareceu ensaiada.
Gabriella Novak virou o rosto para o filho com a mesma elegância com que tinha acabado de tentar me fatiar viva em dois idiomas.
— Bom olho — ela respondeu, satisfeita. — Sim, é um Soulages.
Ela então voltou para mim, já retomando o sorriso social.
— Gosta de arte, Mareu?
A pergunta veio acompanhada de um gesto de mão impecável, indicando que todos se acomodassem à mesa. O tipo de gesto que parecia gentil, mas organizava pessoas como peças.
Nós começamos a sentar. Logan puxou a minha cadeira. Eu me sentei ao lado dele. Olívia foi posicionada do outro lado do pai. Cath e Igor se distribuíram com a energia de quem sabia exatamente onde se sentar para fugir de dano direto.
Eu mantive o sorriso no rosto e respondi, enquanto o guardanapo de tecido caríssimo pousava no meu colo.
— Ah, sim. Gosto muito.
O senhor Novak me olhou por cima da borda da taça, atento e calmo.
— E qual foi a última exposição em que você foi?
A pergunta parecia simples.
Eu reconheci na hora que não era.
Pergunta de mesa elegante nunca é simples.
Eu pensei rápido. Não no nome de um impressionista seguro. Isso seria previsível demais. Eu pensei na última exposição de verdade que eu tinha visto e gostado antes da minha vida virar uma novela corporativa com babá, noivo e Paris.
— Uma de arte contemporânea em São Paulo — respondi. — Tinha instalação, vídeo, luz, som… e uma série de peças sobre cidade e corpo que eu achei muito boa.
Gabriella torceu o nariz com delicadeza cirúrgica.
— Ah. Isso.
Ela nem precisou elaborar muito para eu entender o julgamento inteiro.
— Hoje em dia chamam qualquer coisa de arte — completou, antes de levar a taça à boca.
Logan, ao meu lado, entrou com aquele tom neutro de quem j**a água num incêndio sem parecer que está apagando nada.
— Nós estamos tentando encaixar o Louvre na programação — ele disse. — Vai ser ótimo para a Olívia. Agora ela já tem idade suficiente para entender.
Olívia, que estava ocupada organizando os talheres em ordem de ameaça, ergueu os olhos na hora.
— Eu já entendia antes — ela corrigiu. — Eu só achava demorado.
Igor riu.
Cath também.
Olívia continuou, séria, porque para ela isso era uma observação técnica.
— Mas se tiver um guia que vá direto para a parte importante e pule homens em peruca, eu posso reconsiderar.
Eu mordi o lábio para não rir alto demais.
O senhor Novak, no entanto, assentiu como se ela tivesse apresentado uma demanda perfeitamente razoável em reunião de conselho.
— Vou providenciar um guia particular — ele disse. — Para explicar tudo direito.
Então lançou um olhar para Cath.
— Você inclusive deveria ir junto, Catharina.
Cath levantou as sobrancelhas, apoiando os cotovelos na mesa como se já estivesse entediada antes da entrada.
— Eu adoro quando vocês começam a planejar a minha vida — respondeu, doce o bastante para ser insolente. — Mas será que a gente pode começar o jantar antes das brigas? Estamos com fome.
Gabriella ajeitou o guardanapo no colo com a mesma calma de quem já tinha enterrado pessoas em mesas melhores.
— Estamos esperando os últimos convidados.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...