~ MAREU ~
— O quê? Minha família está falida?
A pergunta saiu alta demais.
Alta de susto. Alta de quem leva uma facada elegante no meio de uma mesa posta com cristal e precisa confirmar se ouviu certo antes de sangrar.
A taça na minha mão tremeu.
Gabriella Novak inclinou a cabeça com uma expressão de pena tão bem executada que dava vontade de bater palma para a técnica.
— Ah, tadinha — ela disse, com a voz macia e o veneno impecavelmente polido. — Claro… você não sabia.
A pele do meu braço começou a arder de novo.
Eu levei a mão ao antebraço quase sem perceber, coçando de leve. Depois mais forte. Depois fingindo que não estava fazendo aquilo.
Virei para Logan.
— Logan, do que ela tá falando?
Ao meu lado, ele tinha endurecido inteiro. Maxilar travado. Ombros tensos. O tipo de quietude que, nele, significava raiva segurando a própria coleira.
— Mãe, isso não é assunto para o jantar — ele disse, num tom controlado demais.
Pegou a garrafa de champanhe e serviu mais uma taça para mim como se aquilo fosse uma manobra de contenção de danos.
— Mareu, respira. Se acalma.
Eu peguei a taça.
Erro.
No instante em que o líquido gelado desceu, eu senti a coceira espalhar. Não sei se era o álcool. Não sei se era o nervoso. Não sei se era o perfume forte das flores da mesa, o cheiro dos perfumes caros misturados no ar, a fumaça invisível de gente chata… ou tudo ao mesmo tempo.
Só sei que piorou.
Pescoço.
Colo.
Antebraço.
Uma ardência fina, irritante, subindo como se minha pele estivesse tentando fugir do meu corpo.
Eu comecei a me coçar de novo, agora numa batalha perdida entre discrição e desespero.
Meu Deus.
Será que dá pra ser alérgica a nervosismo?
Ou a humilhação?
Ou à energia da Gabriella Novak?
Gabriella continuou, como se estivesse comentando uma oscilação de mercado.
— Foi o que chegou até nós — disse ela, sem pressa. — Um problema com jogo. Sempre achei esse vício particularmente humilhante.
A pausa foi calculada. Cruel no tempo exato.
— Seria desesperador o suficiente para mandar a própria filha seduzir Logan Novak?
Eu virei a cabeça para ela, mas meu foco já estava ruim. A mesa parecia mais brilhante do que deveria. As luzes, o cristal, as flores, o jardim ao fundo — tudo bonito demais, tudo afiado demais.
— Logan…? O que…? — eu consegui dizer, mas minha frase saiu em pedaços.
Logan pousou a taça dele na mesa com cuidado demais.
— Mãe, eu não vou permitir que você fale assim com a minha noiva.
A palavra noiva saiu com um peso diferente naquela frase.
Menos contrato.
Mais aviso.
Olívia, que acompanhava tudo com os olhos atentos de quem percebe muito mais do que os adultos gostam de admitir, virou-se para a avó.
— Não é feio fazer fofoca, vovó?
Eu olhei para ela no mesmo segundo e vi a piscadinha rápida que ela me deu.
Eu sorri de volta.
Porque eu amava aquela mini pessoa de um jeito muito pouco profissional.
Mas o sorriso durou pouco. A ardência estava piorando.
Muito.
Olívia me olhou de novo e a expressão dela mudou de “estou te defendendo” para “tem alguma coisa errada”.
— Mareu… por que você tá ficando vermelha? Bem aqui… — ela apontou para o próprio pescoço, na altura da clavícula.
Levei a mão ao local que ela indicou.
Quente.
Ardendo.
Coçando.
— Alergia a… — comecei, e minha cabeça imediatamente listou respostas possíveis.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...