~ MAREU ~
Eu arregalei os olhos e olhei para Gabriella.
Aquela visão, sinceramente, quase compensou o pânico.
O rosto dela estava se contraindo de raiva, a maquiagem perfeita escorrendo em fios escuros e brilhantes nas laterais, o cabelo murchando com uma dignidade quase heroica, e o tecido caríssimo do vestido grudado no corpo como se o próprio tecido estivesse em choque com o que tinha acabado de acontecer.
Eu não precisei de mais de um segundo para concluir:
Se ainda existia uma chance de eu ser bem aceita naquela família, essa chance acabava de ir pelo ralo.
Pelo ralo da piscina aquecida de borda infinita.
Eu passei a mão no rosto, tirando água dos olhos, e soltei a primeira frase que meu cérebro em colapso encontrou.
— Pelo menos a água é quentinha.
Erro.
Gabriella começou a falar em francês.
Não falar.
Disparar.
Uma sequência de ofensas rápidas, elegantes e provavelmente caríssimas, com palavras que eu até conseguia entender em partes, mas que, naquele momento, vieram em velocidade de metralhadora. Eu fui me afastando dela passo a passo dentro da piscina, o que era ridículo e difícil, porque se afastar de alguém em uma piscina funda exige coordenação e eu estava ocupada demais coçando o próprio pescoço e tentando não morrer de vergonha.
A água quente piorar na ardência da pele.
Ou talvez eu só estivesse desesperada demais para avaliar corretamente.
Eu mal me dei conta de Logan na escada da piscina.
Calça social molhada até a canela, uma expressão entre preocupação e fúria contida, e a mão estendida para mim.
A mão dele.
Para mim.
Não para a mãe dele.
Aquilo pareceu irritar ainda mais a Gabriella, que claramente esperava ser a prioridade natural de qualquer filho civilizado naquele cenário.
Eu não olhei para mais nada. Só aceitei a mão de Logan e deixei ele me puxar para fora.
Meu vestido encharcado pesou o triplo quando saí da água, grudando nas pernas e pingando no chão de pedra do terraço como evidência pública do meu colapso.
Eu tremi. Não de frio. De adrenalina, vergonha e coceira.
Logan, ainda segurando meu braço, estendeu a outra mão para a mãe.
Gabriella ignorou com desprezo impecável.
— Posso fazer isso muito bem sozinha, obrigada.
No instante seguinte, Heitor Novak já estava ao lado dela com um roupão, ajudando a esposa com aquela eficiência rígida.
Logan não perdeu tempo olhando para trás.
Me guiou para dentro da casa com passos rápidos, uma mão firme no meu cotovelo, como se eu pudesse desmontar no caminho.
Talvez eu pudesse mesmo.
Nós cruzamos um corredor, depois outro, e ele abriu a porta de uma suíte.
Levou-me direto ao banheiro.
Banheiro enorme. Mármore claro. Bancada ampla. Toalhas dobradas com precisão militar. Eu tive um segundo de ódio puro de a minha crise alérgica estar acontecendo num banheiro tão bonito.
Logan puxou um roupão do armário e me entregou, junto com duas toalhas.
— Toma.
Eu mal ouvi.
Fui arrancando o vestido no desespero de quem estava sendo atacada pela própria pele. O zíper prendeu no meio. Eu xinguei. Puxei. O tecido caiu molhado aos meus pés como uma derrota cara.
No mesmo instante, Logan virou discretamente de costas.
Eu congelei por meio segundo.
E sorri.
Não porque a situação fosse romântica. Eu estava pelada, vermelha e à beira de um colapso dermatológico. Não havia nada de sensual nisso.
Mas eu gostei do gesto.
Não que houvesse ali alguma coisa que ele já não tivesse visto, tocado e revirado.
Mesmo assim, eu gostei.
— Mareu — ele perguntou, ainda de costas. — O que aconteceu?
Eu puxei o cabelo molhado para frente e comecei a abrir o chuveiro com mãos nervosas.
— Não sei… — respondi. — Minha pele tá pegando fogo. Tá coçando, ardendo.
A água saiu fria. Graças a Deus.
— E se jogar com a minha mãe na piscina pareceu uma boa ideia? — ele perguntou, com uma ironia seca.
Eu ri enquanto entrava debaixo do chuveiro.
— Eu achei que água fria iria ajudar. Não imaginei que a piscina fosse aquecida.
A água bateu no meu corpo e eu quase gemi de gratidão.
— Bom… — eu disse, esfregando o pescoço com cuidado. — Agora oficialmente ela me odeia.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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