~ LOGAN ~
Eu saí do banheiro da suíte de hóspedes com a pele ainda quente da água e a cabeça pior do que entrou.
O banho tinha ajudado a tirar o frio da piscina, o cheiro de cloro, a sensação de roupa molhada grudando no corpo. Não tinha ajudado em absolutamente nada com o resto.
Mareu.
A imagem dela vinha inteira, insistente, sem pedir licença. A confusão no jantar. A pele vermelha. O desespero real por trás das piadas. A forma como ela ainda conseguiu ser afiada com a minha mãe antes de quase se jogar na piscina. O jeito como ela me puxou para dentro do box e me mandou calar a boca com as duas mãos no meu rosto. O corpo dela pressionado contra o meu no espaço ridiculamente pequeno, sem nenhuma intenção sedutora e, ainda assim, com um efeito impossível de ignorar.
Conexão.
Química.
Vontade.
Tudo ali, evidente demais para eu continuar fingindo que era apenas conveniência bem executada.
Eu passei a toalha no cabelo com mais força do que precisava e encarei meu reflexo por um segundo longo.
Então por que essa farsa?
A pergunta apareceu simples e brutal.
Por que um contrato?
Por que um noivado de mentirinha, se a verdade entre nós já era complicada o suficiente para parecer real sem esforço?
Eu sabia a resposta. Ou, pelo menos, a primeira camada dela.
Olívia.
Minha filha aprovava o cenário controlado. A “solução” que mantinha a Mareu por perto. A noiva de mentirinha, a estabilidade performática, a babá que continuava orbitando a nossa vida sem ameaçar o lugar da mãe na narrativa que ela ainda tentava proteger com as duas mãos pequenas e uma inteligência incômoda.
Mas sentimentos reais?
Isso era outra história.
Olívia não aprovava ninguém que ela suspeitasse estar tentando chegar perto demais do lugar da Laura. Principalmente se envolvesse os meus sentimentos. Principalmente se envolvesse a possibilidade de eu querer alguma coisa que não tivesse sido aprovada por ela primeiro.
E depois de Olívia vinha o resto.
Rômulo.
Paula.
Antônio Rizzo.
O conselho.
Os acionistas que precisavam de manchete.
Os meus pais.
E agora essa história da falência dos Valença, jogada na mesa como veneno em taça de cristal.
Eu fechei os olhos por um segundo.
Mareu ouvindo aquilo na frente de todo mundo. Sem aviso. Sem contexto. Atacada em público como se fosse uma interesseira.
Quando saí do banheiro para o quarto, encontrei uma calça de moletom escura e uma camisa simples dobradas em cima da cama.
Eu parei e olhei para as roupas como se fossem um fenômeno.
Tinha mandado mensagem para a Cath alguns minutos antes, pedindo que providenciasse roupa seca para mim e para a Mareu. Sinceramente, eu não fazia ideia de como a minha irmã tinha conseguido aquilo em tão pouco tempo naquela casa — invadindo armário, subornando funcionário, ameaçando alguém com charme, todas as alternativas pareciam plausíveis.
Eu não ia reclamar da escolha.
Pelo menos estavam secas.
Vesti a calça, enfiei a camisa pela cabeça e terminei de secar o cabelo com a toalha, pensando que a palavra “improviso” tinha virado rotina na minha vida desde que Maria Eugênia Valença entrou nela pela porta errada.
Ou pela porta certa. Dependia do desastre do dia.
Eu saí para o corredor com a intenção clara de voltar até a Mareu.
Ver como ela estava.
Levar remédio se precisasse.
Tirar ela dali.
Eu tinha dado três passos quando ouvi a voz da minha mãe.
— Logan.
Eu parei.
Gabriella estava no fim do corredor, já trocada. Cabelo recomposto, maquiagem impecavelmente refeita, vestido substituído. O acidente da piscina tinha sido apagado da superfície. Só a rigidez no rosto denunciava que ela não tinha esquecido.
Eu me virei por completo, sem pressa.
— Mãe.

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