~ MAREU ~
Eu fiquei deitada na cama exatamente como o Logan tinha me deixado.
Olhei para o teto como se ele fosse me oferecer uma solução madura, elegante e adulta para o problema de estar em Paris, na penthouse do meu noivo de mentirinha, depois de quase transar com ele por causa de uma pomada antialérgica e um toque nas costas.
Não ofereceu.
A única coisa que meu teto ofereceu foi silêncio.
E o silêncio, naquele momento, era péssimo conselheiro.
Porque quanto mais silêncio, mais a minha cabeça preenchia espaço com imagens completamente inadequadas: a mão dele no meu seio, a boca dele no meu pescoço, o jeito como ele parou na mesma hora quando eu disse que queimava, o cuidado de ajeitar meu sutiã depois, o “boa noite” baixo demais para alguém que supostamente estava em pleno controle.
Eu virei de lado.
Depois de barriga para cima de novo.
Depois joguei o braço sobre os olhos como se isso pudesse apagar a memória recente.
— Não se humilha, Mareu — murmurei para mim mesma.
A ordem era clara.
A minha disciplina, nem tanto.
Eu tirei o braço do rosto e procurei o celular na mesa de cabeceira, decidida a distrair meu cérebro antes que ele me convencesse de que ir até o quarto de Logan terminar o que a alergia tinha interrompido era uma boa ideia.
Olhei o horário.
23h00.
Franzi a testa.
Vinte e três aqui significava que no Brasil ainda era…
Eu fiz a conta duas vezes porque meu sistema estava operando com antialérgico, cansaço e desejo mal resolvido.
Ainda não era... bom, ainda não era tarde demais.
Peguei o celular e liguei para a Clara.
Ela atendeu no segundo toque.
— Ei! E aí, como está Paris?
Eu desandei a falar antes que pudesse organizar a ordem dos fatos.
— A Torre Eiffel ainda tá lá, bem onde o Logan e eu nos beijamos e ele me pediu em noivado, eu tive uma crise alérgica e derrubei minha sogra de mentira na piscina, ela me odeia, mas me ofereceu dinheiro pra largar o Logan, minha família tá falida e Logan e eu quase transamos. Ah, eu também tô morrendo.
Silêncio.
Um silêncio curto, mas de qualidade.
Depois a voz da Clara veio, absolutamente lúcida:
— Céus, eu nem sei por onde começar a perguntar…
Eu me sentei na cama, ofendida.
— Eu disse que estou morrendo. Você não vai começar por aí?
— Definitivamente não — Clara respondeu, contendo riso. — Essa deve ser a parte menos interessante.
Eu arregalei os olhos para o nada.
— Eu tive uma dermatite de contato irritativa feia!
— Você tá medicada?
— Sim…
— Então continua sendo a parte mais chata.
Eu revirei os olhos, mesmo sabendo que ela não podia ver.
— Você é uma amiga horrível.
— Eu sou uma amiga objetiva — ela corrigiu. — Você e Logan transando também já é notícia velha, e o noivado já era esperado.
Eu abri a boca.
Fechei.
Respirei.
— Agora anda. Começa pela sua família.
A menção me puxou de volta para a parte da noite que doía de um jeito menos divertido.
Eu me deitei de novo, olhando para o teto.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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