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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 185

~ MAREU ~

Naquela manhã eu liguei pra minha mãe.

Não porque eu acreditasse que ela ia atender com a doçura de uma mãe em filme de domingo.

Eu liguei porque, depois de tudo o que aconteceu, eu precisava confirmar alguma coisa — qualquer coisa — que me ancorasse numa realidade anterior a Paris, a noivado de mentirinha, a sogra que me empurrou um cartão no bolso e a boatos sobre a minha família falida.

O telefone chamou.

Chamou.

Chamou.

Nada.

Tudo bem.

Eu preferi acreditar que era só isso: eu que deveria ter tido um pouquinho mais de noção e lembrado do fuso horário.

Eu tinha passado a noite praticamente em claro, com a cabeça girando em círculos em torno de humilhações recentes e toques recentes que meu corpo se recusava a esquecer. Eu ainda estava funcionando no modo automático — o mesmo modo que eu usava quando precisava sobreviver a uma festa da minha mãe sem chorar no banheiro.

Depois eu tentaria de novo.

Eu larguei o celular na cama, respirei fundo e comecei a me arrumar com a eficiência de quem tenta se transformar em uma noiva apresentável sem coçar o pescoço a cada trinta segundos.

A alergia tinha melhorado. O remédio e o creme tinham feito seu trabalho. Mas eu ainda sentia a pele sensível, como se estivesse mais fina e, junto com isso, eu estava mais sensível também.

Eu vesti uma calça de tecido confortável, prendi o cabelo num coque decente, passei um hidratante neutro e decidi não encostar em nenhum perfume.

Se eu tivesse alergia a mais alguma coisa, eu viraria atração turística oficial.

Quando saí do meu quarto e fui para a sala comum da penthouse, encontrei Logan já lá.

Como se tivesse nascido pronto.

Ele estava de camisa clara impecável, cabelo arrumado, relógio no pulso, celular na mão, o tipo de homem que acorda e imediatamente se transforma em CEO, sem nenhum período de adaptação, sem nenhum café, sem nenhuma fase “humana”.

Ele levantou o olhar quando me viu.

— Bom dia.

A voz dele saiu mais suave do que eu esperava.

Eu respondi no mesmo tom, tentando parecer uma pessoa normal que não tinha quase entrado em combustão na noite anterior.

— Bom dia.

Logan me observou por meio segundo.

— Você está melhor?

Eu assenti.

— Tô. Ainda sensível, mas… melhor.

Ele soltou um “ótimo” baixo e voltou a olhar alguma coisa no celular. Depois guardou e me encarou de novo.

— Vamos tomar café da manhã no evento.

Eu pisquei.

— No evento?

— Sim.

Foi só isso.

Claro.

O café da manhã de um bilionário em Paris não acontece em qualquer lugar. Acontece num evento corporativo.

Eu fiz um esforço para não suspirar.

— E a Olívia? Não vai com a gente?

Eu queria muito, muito evitar ficar sozinha com Logan depois do que quase aconteceu no meu quarto. E sinceramente, eu precisava admitir que não era por vergonha. Era por desejo.

Logan arqueou uma sobrancelha.

— Para um evento corporativo?

Eu me apoiei no encosto da cadeira e tentei soar convincente.

— Tenho certeza de que ela iria adorar mais do que qualquer passeio.

Ele soltou um quase sorriso.

— Ia ser como Natal fora de época.

Eu ri, porque a imagem era perfeita: Olívia circulando no meio de executivos como se estivesse auditando processos, pedindo chocolate moeda de troca.

Logan continuou, mais sério:

— Mas não. Não é lugar pra ela.

Eu assenti, fingindo aceitar com maturidade.

— Certo.

— Vamos — ele disse, pegando o paletó.

O evento era… exatamente o que eu imaginava.

Chato.

Não chato de “sem graça”. Chato de “mundo corporativo em modo cerimônia”.

Palestras em salões bonitos. Reuniões em salas menores. Aperto de mãos, troca de cartões, gente dizendo “é um prazer” como se aquilo fosse um acordo. Logan era uma celebridade ali. Pessoas o reconheciam com um brilho nos olhos que não tinha nada a ver com carinho e tudo a ver com acesso.

Eu, por outro lado, existia como símbolo.

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