~ MAREU ~
— Como você sabe? — eu perguntei para a Cath, ainda com o copo de “chá” na mão, sentindo o álcool esquentar um pouco a minha coragem.
Cath soltou uma risada.
Não foi uma risada de achar engraçado.
Foi uma risada de “eu sabia”.
Ela encostou o ombro na coluna do jardim como se aquilo fosse um dia absolutamente normal na vida de uma mulher rica e traumatizada.
— Ela fez isso com um… namorado meu — disse, com a naturalidade de quem fala “ela serviu salmão ontem”.
Eu pisquei.
— Sério?
Cath assentiu, girando o copo.
— Ele aceitou.
— Ele aceitou? — eu repeti, porque meu cérebro ainda estava tentando entender que essa família tinha um setor inteiro de suborno emocional.
Cath deu de ombros.
— Quem nega cinco milhões, não é?
Eu me engasguei com o gole.
— Meu Deus.
Cath me observou por cima do copo com um olhar que era metade cansaço, metade cinismo treinado.
— Então… — ela insistiu, sem rodeios. — Quanto ela te ofereceu?
Eu segurei o copo com as duas mãos, como se ele fosse a única coisa me mantendo de pé naquele jardim.
— Ela… ela disse pra eu falar um valor.
Cath soltou um assovio baixo.
— Uau. Ela realmente te odeia.
Eu quase ri.
Porque a frase tinha humor. Só que tinha um fundo frio demais.
— Eu não sei se é ódio — eu murmurei. — Ou se é… controle.
— Mesma família de sentimentos — Cath respondeu.
Ela me encarou por um segundo.
— E você? Vai aceitar?
Eu virei o rosto para ela com uma indignação que eu queria que saísse limpa, sem tremor, sem vulnerabilidade.
— O quê? Não!
Cath fez um “hum” comprido. Não “hum” de concordar. “Hum” de avaliar.
Como se estivesse cogitando se acreditava em mim ou se eu era mais uma pessoa na lista de gente que quebra por dinheiro e pressão.
Aquilo me irritou.
E, ao mesmo tempo, doeu.
Cath tomou outro gole, depois apoiou o copo no banco e falou com uma seriedade inesperada:
— Eu gosto de você, Mareu. De verdade.
Eu fiquei quieta.
Ela continuou, sem floreio:
— Mas eu gosto muito mais do meu irmão e da minha sobrinha. Não faz eles sofrerem. Se for pular fora… vai logo.
A frase ficou pairando entre nós como uma lâmina.
Eu respirei fundo, sentindo o vento frio tocar meu rosto e o álcool tentar me convencer a chorar.
— E por que você acha que eu iria? — perguntei.
Cath deu de ombros, mas dessa vez o gesto não foi leve. Foi carregado.
— Eu não sei. Sua família falida… talvez…
Eu endireitei o corpo.
— Cath.
Ela me olhou.
— Eu não sou uma interesseira.
A frase saiu mais dura do que eu planejei. Eu não queria parecer ofendida porque seria um sinal de fraqueza. Só que eu estava ofendida mesmo. E, honestamente, cansada de ser colocada nesse lugar.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...