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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 187

~ MAREU ~

Eu saí da conversa com a Cath me sentindo melhor e pior ao mesmo tempo, se é que isso era possível.

Melhor, porque alguém tinha dito em voz alta o que eu vinha fingindo que não sentia: eu não era uma interesseira. Eu não estava ali por dinheiro. Eu não estava ali porque eu precisava de um bilionário como boia.

Pior, porque agora eu tinha dito em voz alta outra coisa ainda mais perigosa: eu estava confusa sobre onde acabava o fingimento e começava a realidade.

E confessar isso para a Cath tinha sido como entregar uma arma carregada para uma pessoa que, apesar de gostar de mim, adorava um caos bem administrado.

O que eu sabia com absoluta certeza era que eu estava um pouquinho… mais alta.

Seja lá o que a Cath tinha naquele cantil, era forte.

Bem forte.

Eu voltei a circular pelo salão do evento tentando andar com dignidade e falhando discretamente. Nada de tropeçar em tapete, graças a Deus, mas Paris tinha definitivamente adquirido uma leve inclinação.

Eu respirei fundo.

“Você consegue.”

Eu repetia isso por dentro como se fosse um mantra de sobrevivência social.

Consegui sorrir para uma mulher que me perguntou onde eu tinha comprado meu casaco. Consegui dizer “prazer” para um homem que apertou minha mão como se estivesse tentando medir meu valor de mercado. Consegui até ficar dez segundos olhando para um quadro abstrato e fingir que tinha uma opinião.

E foi nesse momento, no auge da minha performance de “noiva elegante que não está girando”, que meu celular tocou.

Meu coração acelerou na hora.

O nome na tela fez o meu estômago afundar e, ao mesmo tempo, subir.

Minha mãe retornando a ligação.

Eu fiquei parada um segundo, encarando aquilo como se fosse um animal raro.

Depois corri.

Não correndo de verdade, porque isso seria pouco elegante. Mas fui rápido o suficiente para parecer alguém com uma emergência.

Achei um canto mais silencioso do jardim, perto de uma fileira de árvores baixas e longe de qualquer pessoa que pudesse ouvir minha vida sendo desmontada por telefone.

Atendi na hora.

— Mãe?

A voz do outro lado veio quente.

Quente demais.

— Oi, meu amor. Como você está?

Eu pisquei, confusa por um segundo.

Meu amor?

Como exatamente a gente tinha ido de “não atender minhas ligações” para “oi, meu amor” em poucas semanas sem contato?

— Está… está tudo bem? — eu perguntei, cautelosa.

— Tudo perfeito — ela respondeu, com a naturalidade de quem fala sobre o clima. — E como vai Paris?

Ah.

Paris.

Eu senti o encaixe acontecer dentro da minha cabeça com uma clareza amarga.

Ela sabia.

Eu não sabia como ela sabia, mas ela sabia.

As notícias corriam rápido demais naquele mundo e eu tinha acabado de entrar nele novamente com um pedido de noivado no topo da Torre Eiffel.

E a minha família estava aprovando.

Aprovando tanto que eu tinha virado “meu amor” novamente.

O que seria lindo, se não fosse tão óbvio.

Mesmo assim… eu senti uma pontada no peito.

Eu sentia falta.

Eu amava a minha família. Por mais doloroso que fosse, eu amava.

E quando alguém que você ama te oferece um pedaço de carinho, mesmo que seja interesseiro, você quer segurar com as duas mãos.

Eu respirei e respondi.

— Paris está… luminosa. Cidade luz, você sabe… muita… luz... — então eu emendei e disse tão rápido quanto quem puxa um curativo: — Papai está falido? Nós… estamos falidos?

Do outro lado, veio uma risada.

Forçada.

Aquela risada que não acha graça de nada, só compra dois segundos para organizar as ideias.

— De onde você tirou essa ideia, Maria Eugênia?

Meu coração bateu mais forte.

— Eu… ouvi boatos — eu respondi, escolhendo a palavra com cuidado.

— Boatos — ela repetiu, como se boato fosse uma coisa vulgar e distante demais para tocar a nossa família. — Bom… seu pai anda… com problemas.

Capítulo 187 1

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