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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 189

~ MAREU ~

De alguma forma, eu acordei no meu quarto.

O que, considerando a última imagem que eu lembrava com clareza — eu acariciando ao tapete da Penthouse — parecia um milagre logístico.

A cama estava macia embaixo do meu corpo, mas o meu corpo protestava contra qualquer movimento, como se cada osso tivesse decidido fazer greve coletiva.

Minha cabeça doía tanto que eu quis arrancá-la temporariamente e deixar em algum lugar seguro até a tarde.

Eu virei para o lado e encontrei um bilhete na mesa de cabeceira, junto com dois comprimidos e um copo de água.

“Acho que você vai precisar disso.”

Eu sorri, apesar da dor, reconhecendo a caligrafia perfeita do Logan. Aquelas letras certinhas tinham a mesma energia dele: controle, eficiência e um carinho que ele fingia que não existia.

Eu me sentei devagar, como se estivesse acordando um tigre dentro do meu crânio, e engoli os comprimidos com a água.

— Obrigada, doutor Novak — murmurei para o bilhete.

A água desceu fria e eu senti o estômago revirar. Não era fome. Era uma lembrança viva do bar, do tapete e da minha dignidade escorrendo pelo gargalo de uma garrafa.

Eu me arrastei até o banheiro tentando me tornar apresentável o suficiente para encarar o mundo.

Banho rápido.

Escovar os dentes.

Pentear o cabelo.

Passar um hidratante neutro para não acordar a dermatite de novo.

Enquanto eu fazia tudo isso no automático, uma sensação insistente começou a apertar no fundo da minha cabeça.

Eu tinha a impressão de que precisava lembrar de alguma coisa importante.

Uma coisa que tinha fugido.

Ou que eu tinha feito fugir.

Eu encarei meu reflexo no espelho, com o cabelo ainda úmido e os olhos um pouco menores do que deveriam.

— Eu acho que comprei alguma coisa online — murmurei, lenta.

Não seria a primeira vez.

Eu tinha esse hábito vergonhoso de deixar o carrinho pronto nas minhas lojas online preferidas. Era mais pela dopamina de comprar… ou fingir que ia comprar… do que pelo ato em si.

Porque eu não tinha dinheiro pra isso.

Então eu nunca comprava.

Exceto quando mexia no celular bêbada.

Em minha defesa, tinha acontecido só duas vezes. E eu tinha cancelado a compra depois, e ficado tudo bem.

Eu apoiei as mãos na pia e fechei os olhos.

— Se for aquela blusa de cashmere eu vou ficar — eu decidi, como se fosse um plano maduro e consciente. — Eu mereço um presente depois de tudo o que eu estou aguentando.

Foi quando ouvi alguém bater na porta do quarto — não uma batidinha educada, mas um soco sonoro acompanhado de um grito.

— MAREU!

Eu congelei.

A voz era da Olívia.

Por que ela estava gritando?

Aconteceu alguma coisa?

Eu saí do banheiro e abri a porta do quarto com a cara de quem esperava notícias de guerra.

Olívia estava no corredor, arrumada, cabelo preso, mochila pequena nas costas, energia de criança que dormiu oito horas e acordou com plano de dominar o mundo.

— PRONTA PRO LOUVRE?

Eu pisquei duas vezes.

— Por que você está gritando?

Olívia franziu a testa, ofendida.

— Eu não estou gritando.

Eu levei a mão ao ouvido como se fosse regular um volume imaginário.

— Ah, certo. Só preciso abaixar o volume.

Ela me analisou da cabeça aos pés com precisão.

— Você está de ressaca?

— Eu não estou de ressaca — eu respondi com a dignidade cambaleante de uma mulher que claramente estava de ressaca.

Olívia esperou.

Eu completei, tentando achar um termo que parecesse mais sofisticado:

— Eu estou… levemente… com a doença do dia seguinte de… bebida.

Olívia inclinou a cabeça.

— Chamam de ressaca.

— Eu chamo de mente blindada — eu retruquei.

Ela abriu um sorriso pequeno, satisfeita.

— Pelo menos você está bem — eu sussurrei.

Logan voltou com a xícara cheia e, além disso, um potinho com um mix de frutas.

— Acho que é tudo o que você vai aguentar comer.

Eu encarei as frutas como se elas fossem um castigo.

— Eu acho que você está sendo muito otimista.

Logan se sentou e olhou para mim com uma calma quase ofensiva.

— Cadê a Samira? — eu perguntei, lembrando que alguém, em algum lugar, costumava salvar a logística dessas manhãs.

— Dei a manhã de folga pra ela — Logan respondeu. — Achei que ela ia preferir curtir Paris do jeito que quiser do que nos acompanhar em um tour de meio dia no Louvre com um guia.

Eu arregalei os olhos.

— Eu posso ter o dia de folga?

Olívia voltou exatamente nesse momento, com uma bandeja organizada e uma alegria cruel.

— Ah, você vai gostar — ela anunciou, se sentando. — É muito educativo.

Eu sorri para ela com toda a ironia que eu ainda tinha energia para produzir.

— Mal posso esperar.

— Vovô escolheu o melhor guia de toda a França — Olívia continuou, como se estivesse falando de uma aquisição estratégica. — Ele disse que é essencial para a compreensão do contexto histórico.

Eu peguei a xícara de café com as duas mãos e bebi como se fosse uma salvação.

Logan olhou para mim por cima da própria xícara.

— Um belo programa em família — ele disse.

O tom dele tentou soar irônico.

Talvez até tenha soado.

Mas eu senti meu coração disparar do mesmo jeito.

Família.

A palavra, na boca dele, no meio de Paris, com Liam ao lado e Olívia planejando o Louvre como uma reunião, me atravessou com uma força absurda.

E eu tive que olhar para o café de novo, porque não era hora de pensar nisso.

Ainda não.

Eu só precisava de cafeína.

E, talvez, lembrar o que eu tinha comprado online.

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