~ MAREU ~
O negócio sobre vomitar na ressaca — se é que eu podia chamar de ressaca, já que eu tinha bebido de novo — é que, depois, você começa a se sentir melhor.
Como se o corpo dissesse: pronto, tiramos o lixo daqui. Agora dá pra viver.
Não que eu estivesse plena.
Eu ainda tinha um gosto amargo no fundo da garganta, um constrangimento fresco na memória e um buraco no peito do tamanho de um “acho que te amo” dito em voz alta no jardim do evento.
Mas o giro do mundo tinha diminuído. E, por incrível que pareça, eu estava conseguindo andar em linha reta sem me apoiar em uma parede.
Eu e Logan tomávamos café numa área reservada do evento, longe o suficiente de olhares curiosos e perto o bastante de parecer que ainda éramos o casalzinho perfeito que eles queriam ver.
Ele estava impecável. Claro. Eu não sei que tipo de pacto um Novak faz com o universo, mas mesmo depois de lavar sapato de forma improvisada por causa do meu vômito, ele parecia pronto pra fechar contrato e posar pra foto.
Eu estava… funcional.
O que, para os padrões daquela semana, já era um milagre.
Eu soprei a xícara antes de beber.
— É como se a Terra tivesse parado de girar.
Logan levantou os olhos do celular e respondeu com aquela calma irritantemente lógica:
— Espero que não. Ou a gente sairia voando a uns 1.600 quilômetros por hora.
Eu pisquei, confusa, tentando processar.
— Meu Deus… isso soou tão Olívia. Ela é mesmo você todinho!
Logan soltou uma risada baixa.
— Acho que ela é.
Ele deu de ombros.
— Pelo menos em personalidade.
Olívia era mesmo um pedaço dele. Não o pedaço frio. O pedaço esperto. O pedaço que observava o mundo com uma lupa e decidia que, se o mundo não fazia sentido, então o mundo precisava ser reorganizado.
Eu tomei um gole e apoiei a xícara na mesa.
— E por falar em personalidade forte… — comecei, e senti o peito apertar. — Como vamos… como vamos…?
Logan me encarou como se já soubesse a pergunta antes de eu terminar.
— Como vamos contar pra ela?
Eu assenti.
— Acho que ela é o mais importante, não é? — eu disse, baixando a voz. — A opinião dos outros não importa. Mas a Olívia…
Logan apoiou a xícara e juntou as mãos.
— A gente precisa fazer isso aos poucos.
— Aos poucos como? — perguntei.
Ele respirou fundo.
— Não pode ser como arrancar um curativo.
Eu fiz uma careta.
— Deixar ela se acostumar com a ideia?
Logan assentiu, mas o olhar dele ficou mais sério.
— Você viu como ela surtou quando te viu beijando a Paula.
Aquela cena ainda doía. Não pelo beijo em si — embora doesse por ciúme, sim, eu admitia. Doía pelo jeito como Olívia tinha quebrado por dentro, como se o mundo dela tivesse sido traído.
— Eu sei — ele murmurou.
Logan inclinou o corpo um pouco na minha direção.
— Mas você não é a Paula.
Eu o encarei.
Ele continuou, com uma calma que parecia absurda:
— Pra começar, você não a chama de “Lívia”.
— Tá — eu concedi, rindo. — Isso já é um grande diferencial.
Depois o sorriso diminuiu. Eu respirei fundo. O assunto era inevitável.
— Mas também não sou a Laura — eu disse, baixinho.
Logan sustentou meu olhar sem desviar.
— Não, não é.
A resposta veio firme, sem hesitação.
— Mas você só precisa ser você mesma pra ser amada, Mareu.
Eu desviei o olhar para a xícara, para a mesa, para qualquer coisa que não fossem os olhos dele.
— Vamos fazer o seguinte?
Eu voltei a olhar.
— O quê?


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...