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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 195

~ MAREU ~

O negócio sobre vomitar na ressaca — se é que eu podia chamar de ressaca, já que eu tinha bebido de novo — é que, depois, você começa a se sentir melhor.

Como se o corpo dissesse: pronto, tiramos o lixo daqui. Agora dá pra viver.

Não que eu estivesse plena.

Eu ainda tinha um gosto amargo no fundo da garganta, um constrangimento fresco na memória e um buraco no peito do tamanho de um “acho que te amo” dito em voz alta no jardim do evento.

Mas o giro do mundo tinha diminuído. E, por incrível que pareça, eu estava conseguindo andar em linha reta sem me apoiar em uma parede.

Eu e Logan tomávamos café numa área reservada do evento, longe o suficiente de olhares curiosos e perto o bastante de parecer que ainda éramos o casalzinho perfeito que eles queriam ver.

Ele estava impecável. Claro. Eu não sei que tipo de pacto um Novak faz com o universo, mas mesmo depois de lavar sapato de forma improvisada por causa do meu vômito, ele parecia pronto pra fechar contrato e posar pra foto.

Eu estava… funcional.

O que, para os padrões daquela semana, já era um milagre.

Eu soprei a xícara antes de beber.

— É como se a Terra tivesse parado de girar.

Logan levantou os olhos do celular e respondeu com aquela calma irritantemente lógica:

— Espero que não. Ou a gente sairia voando a uns 1.600 quilômetros por hora.

Eu pisquei, confusa, tentando processar.

— Meu Deus… isso soou tão Olívia. Ela é mesmo você todinho!

Logan soltou uma risada baixa.

— Acho que ela é.

Ele deu de ombros.

— Pelo menos em personalidade.

Olívia era mesmo um pedaço dele. Não o pedaço frio. O pedaço esperto. O pedaço que observava o mundo com uma lupa e decidia que, se o mundo não fazia sentido, então o mundo precisava ser reorganizado.

Eu tomei um gole e apoiei a xícara na mesa.

— E por falar em personalidade forte… — comecei, e senti o peito apertar. — Como vamos… como vamos…?

Logan me encarou como se já soubesse a pergunta antes de eu terminar.

— Como vamos contar pra ela?

Eu assenti.

— Acho que ela é o mais importante, não é? — eu disse, baixando a voz. — A opinião dos outros não importa. Mas a Olívia…

Logan apoiou a xícara e juntou as mãos.

— A gente precisa fazer isso aos poucos.

— Aos poucos como? — perguntei.

Ele respirou fundo.

— Não pode ser como arrancar um curativo.

Eu fiz uma careta.

— Deixar ela se acostumar com a ideia?

Logan assentiu, mas o olhar dele ficou mais sério.

— Você viu como ela surtou quando te viu beijando a Paula.

Aquela cena ainda doía. Não pelo beijo em si — embora doesse por ciúme, sim, eu admitia. Doía pelo jeito como Olívia tinha quebrado por dentro, como se o mundo dela tivesse sido traído.

— Eu sei — ele murmurou.

Logan inclinou o corpo um pouco na minha direção.

— Mas você não é a Paula.

Eu o encarei.

Ele continuou, com uma calma que parecia absurda:

— Pra começar, você não a chama de “Lívia”.

— Tá — eu concedi, rindo. — Isso já é um grande diferencial.

Depois o sorriso diminuiu. Eu respirei fundo. O assunto era inevitável.

— Mas também não sou a Laura — eu disse, baixinho.

Logan sustentou meu olhar sem desviar.

— Não, não é.

A resposta veio firme, sem hesitação.

— Mas você só precisa ser você mesma pra ser amada, Mareu.

Eu desviei o olhar para a xícara, para a mesa, para qualquer coisa que não fossem os olhos dele.

— Vamos fazer o seguinte?

Eu voltei a olhar.

— O quê?

Capítulo 195 1

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