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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 196

~ LOGAN ~

Antônio Rizzo se sentou à mesa como se tivesse sido convidado.

Esse era o talento dele: ocupar espaço onde não devia, com a naturalidade de quem se considera dono de qualquer sala e de qualquer pessoa.

Eu e Mareu estávamos em uma área reservada do evento, café à mesa. Era, teoricamente, um intervalo. Um respiro curto antes de eu voltar para a sucessão de reuniões e apertos de mão.

Antônio transformou o respiro em invasão.

Ele nem esperou permissão.

Apenas fez um gesto para a garçonete.

— Um café, por favor — pediu, no idioma universal de homens que acham que pagar lhes dá direito de existir em qualquer conversa.

Depois sorriu para mim com uma cordialidade ensaiada.

— Espero não estar atrapalhando nada.

Eu não sorri.

— Mas está.

Mareu, ao meu lado, manteve a postura impecável de “noiva apresentável” que ela tinha aperfeiçoado desde que entrara no meu mundo. Só o canto da boca dela denunciou que a resposta tinha sido exatamente do jeito que ela gostaria de falar com metade das pessoas daquela conferência.

Antônio não se ofendeu. Pessoas como ele não se ofendem; elas registram e cobram.

— Tudo bem — disse, acomodando-se ainda mais na cadeira. — Serei rápido.

Ele cruzou as mãos sobre a mesa e olhou de mim para Mareu como quem avalia mercadoria em vitrine.

— Essa farsa de vocês… não vai colar.

Eu senti Mareu enrijecer quase imperceptivelmente.

Eu mantive minha voz neutra.

— Não vai?

Antônio inclinou a cabeça.

— O conselho não é burro, Logan. Nem os investidores. Você vai tentar fechar negócios nos próximos dias e vai ouvir um sonoro “não”.

Eu deixei um segundo de silêncio cair, o suficiente para ele acreditar que tinha me atingido.

— Por quê? — perguntei, sem emoção.

— Porque você não é um homem que demonstra estabilidade nem no âmbito familiar — Antônio respondeu com prazer contido — que dirá nos negócios.

Mareu soltou um ar discreto pelo nariz. Uma indignação tentando não virar cena.

Eu continuei olhando para Antônio como se ele fosse um gráfico mal-feito.

— Pois você se engana, Rizzo. Os negócios estão indo muito bem.

Ele abriu um sorriso curto.

— Claro. E a noiva foi “muito bem aceita”, imagino.

Eu ia responder, mas ele levantou a mão, como se estivesse conduzindo uma reunião.

— Por enquanto — acrescentou. — Pode ser.

A garçonete apareceu com o café dele. Antônio agradeceu com uma educação exagerada e esperou que ela se afastasse para retomar a lâmina.

— Você já olhou as redes sociais hoje?

Eu não perdi o tom.

— Eu não tenho tempo para isso.

— Pois deveria — ele disse. — Ou, ao menos, deveria contratar uma RP mais eficiente.

Ele puxou o próprio celular do bolso e empurrou pela mesa, girando a tela na minha direção.

Eu não queria olhar.

Mas eu olhei.

Porque não olhar, com Antônio Rizzo, era exatamente como entregar a ele o controle.

Na tela havia uma foto.

Uma foto grande.

Nítida.

Mareu.

E Rômulo.

Beijando-se.

Em um aeroporto.

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