~ LOGAN ~
Antônio Rizzo se sentou à mesa como se tivesse sido convidado.
Esse era o talento dele: ocupar espaço onde não devia, com a naturalidade de quem se considera dono de qualquer sala e de qualquer pessoa.
Eu e Mareu estávamos em uma área reservada do evento, café à mesa. Era, teoricamente, um intervalo. Um respiro curto antes de eu voltar para a sucessão de reuniões e apertos de mão.
Antônio transformou o respiro em invasão.
Ele nem esperou permissão.
Apenas fez um gesto para a garçonete.
— Um café, por favor — pediu, no idioma universal de homens que acham que pagar lhes dá direito de existir em qualquer conversa.
Depois sorriu para mim com uma cordialidade ensaiada.
— Espero não estar atrapalhando nada.
Eu não sorri.
— Mas está.
Mareu, ao meu lado, manteve a postura impecável de “noiva apresentável” que ela tinha aperfeiçoado desde que entrara no meu mundo. Só o canto da boca dela denunciou que a resposta tinha sido exatamente do jeito que ela gostaria de falar com metade das pessoas daquela conferência.
Antônio não se ofendeu. Pessoas como ele não se ofendem; elas registram e cobram.
— Tudo bem — disse, acomodando-se ainda mais na cadeira. — Serei rápido.
Ele cruzou as mãos sobre a mesa e olhou de mim para Mareu como quem avalia mercadoria em vitrine.
— Essa farsa de vocês… não vai colar.
Eu senti Mareu enrijecer quase imperceptivelmente.
Eu mantive minha voz neutra.
— Não vai?
Antônio inclinou a cabeça.
— O conselho não é burro, Logan. Nem os investidores. Você vai tentar fechar negócios nos próximos dias e vai ouvir um sonoro “não”.
Eu deixei um segundo de silêncio cair, o suficiente para ele acreditar que tinha me atingido.
— Por quê? — perguntei, sem emoção.
— Porque você não é um homem que demonstra estabilidade nem no âmbito familiar — Antônio respondeu com prazer contido — que dirá nos negócios.
Mareu soltou um ar discreto pelo nariz. Uma indignação tentando não virar cena.
Eu continuei olhando para Antônio como se ele fosse um gráfico mal-feito.
— Pois você se engana, Rizzo. Os negócios estão indo muito bem.
Ele abriu um sorriso curto.
— Claro. E a noiva foi “muito bem aceita”, imagino.
Eu ia responder, mas ele levantou a mão, como se estivesse conduzindo uma reunião.
— Por enquanto — acrescentou. — Pode ser.
A garçonete apareceu com o café dele. Antônio agradeceu com uma educação exagerada e esperou que ela se afastasse para retomar a lâmina.
— Você já olhou as redes sociais hoje?
Eu não perdi o tom.
— Eu não tenho tempo para isso.
— Pois deveria — ele disse. — Ou, ao menos, deveria contratar uma RP mais eficiente.
Ele puxou o próprio celular do bolso e empurrou pela mesa, girando a tela na minha direção.
Eu não queria olhar.
Mas eu olhei.
Porque não olhar, com Antônio Rizzo, era exatamente como entregar a ele o controle.
Na tela havia uma foto.
Uma foto grande.
Nítida.
Mareu.
E Rômulo.
Beijando-se.
Em um aeroporto.
— É essa a sua nova imagem — continuou, com voz baixa, quase confessional, como se estivesse fazendo um favor. — Um homem que não controla nem a própria mulher. Quem dirá o dinheiro alheio.
Eu vi o maxilar de Mareu travar. Vi a mão dela apertar a xícara.
Mas mantive a postura.
Antônio adorava reações. Eu não lhe daria uma.
— E eu aposto que você tem uma solução pra mim — eu disse.
Ele levantou as sobrancelhas com falsa modéstia.
— Por acaso, tenho.
Ele tomou um gole do café, apreciando o tempo, depois pousou a xícara com cuidado.
— Termine com ela publicamente — sugeriu. — Aqui. No evento. Seria o ideal.
Eu deixei o silêncio se esticar por um segundo.
A ideia era tão óbvia que chegava a ser infantil.
Ao mesmo tempo, era calculada.
Um corte rápido.
Uma “correção de rota” diante de plateia.
Um gesto para o mercado.
Eu senti Mareu se mexer desconfortável, mas ela não falou nada. Ela estava muito quieta — e eu sabia que por trás daquele silêncio havia duas coisas: culpa e medo.
Mantive a voz calma antes de responder.
— Claro.
Antônio sorriu, achando que eu tinha cedido.
Eu continuei, a mesma calma.
— E, deixa eu adivinhar: depois eu volto a sair com a Paula.
O sorriso dele cresceu, irônico.
— Você é um homem inteligente, afinal.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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