~ MAREU ~
O curioso de voltar a frequentar esse tipo de mundo é perceber que eu sei exatamente como me comportar nele. Maria Eugênia sabe. Ela sabe onde colocar a mão, quando sorrir, quando calar, como fazer uma frase soar leve sem entregar nada. Ela sabe atravessar um píer como se fosse um tapete vermelho e entrar numa lancha como se tivesse nascido dentro de uma. Sabe até fingir que não repara no preço das coisas, porque, quando você cresce nisso, o preço vira só mais um detalhe do cenário.
Mareu é que tropeça.
Mareu é que ri demais na hora errada, porque é a única forma de não chorar. Mareu é que fica com óculos escuros de manhã como se fosse diva, quando na verdade é só ressaca e vergonha. Mareu é que olha pro Logan como se ele fosse um erro bom — desses que você comete sabendo que vai dar problema, mas comete mesmo assim, porque o corpo inteiro diz “sim” antes do cérebro. E Mareu é que precisa lembrar, o tempo todo, que ali existe uma criança. Uma criança que não perdoa mentira mal contada.
Eu estava dividida entre as duas. A mulher que sabe jogar esse jogo e a que acabou de entrar nele com o coração na mão.
E, naquele dia, eu estava mais Mareu do que nunca.
A embarcação que nos esperava não era um iate monstruoso com heliponto e placa de revista. Era menor. Mais “discreta”. Se é que existe discrição flutuante quando você tem comandante, serviço de bordo e um sofá obscenamente confortável.
Logan chamou de “lancha”. Eu chamei de “caso de ostentação flutuante”.
Olívia, obviamente, estava fascinada.
Ela caminhava pela área do convés como se estivesse inspecionando o projeto de um laboratório.
— Isso aqui é fibra de carbono? — perguntou para o homem responsável, apontando para uma parte do acabamento.
O homem respondeu, impressionado.
Eu olhei para Logan.
— Eu já aceitei que ela vai dominar o mundo.
— Ela já aceitou também — ele respondeu.
Samira estava em um canto mais protegido do vento com Liam, ajudando ele a comer pedacinhos pequenos de fruta como se aquilo fosse uma missão de paz.
Eu me sentei num sofá do convés com óculos escuros e uma taça de suco na mão, prometendo pra mim mesma que não ia mais tomar nada alcoólico nessa viagem. Já tinha dado espetáculo demais.
Só que o mar fazia uma coisa estranha com o corpo.
O balanço deixava tudo mais leve.
E o sol, o sal, o vento…
Eu me peguei olhando para Logan com uma falta de noção preocupante.
Ele estava de camisa leve, mangas dobradas, óculos escuros, a postura relaxada demais para um homem que, em teoria, tinha acabado de largar um evento corporativo no colo do irmão e do melhor amigo.
Eu me inclinei um pouco e murmurei, só para ele ouvir:
— Você devia ser proibido de existir assim.
Logan virou o rosto.
— Assim como?
Eu dei de ombros, fingindo casualidade.
— Gostoso.
Ele ficou imóvel por meio segundo.
Depois o canto da boca subiu.
— Mareu…
— O quê? — eu desafiei, sorrindo.
— Você tá… perigosa hoje.
— Eu sempre fui — eu respondi.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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