~ LOGAN ~
Eu senti o tecido primeiro, sem entender direito.
Um toque mínimo, quase um arranhão no dedo quando eu enfiei a mão no bolso do blazer.
Eu puxei, olhei por meio segundo — o suficiente para confirmar — e guardei de volta como se aquilo pudesse explodir se eu mantivesse na mão.
A calcinha dela.
No meu bolso.
Mareu tinha feito isso com a mesma naturalidade criminosa com que faz tudo quando está decidida a me provocar.
E o pior não era o gesto.
O pior era o efeito.
O efeito imediato, físico, de sangue descendo e subindo, de controle escorregando por um lugar que eu não permitia escorregar. Ela tinha o poder de despertar isso em mim — não só desejo, mas uma espécie de adrenalina pura. Uma falta de controle que, em vez de me ameaçar, me fazia sentir vivo.
Eu sempre fui controlado.
Controle era meu idioma. Era meu cargo, minha função, meu vício. Eu controlava crises, contratos, salas, pessoas. Eu controlava até a minha respiração quando a raiva tentava me atravessar.
Mareu não era uma crise.
Ela era o contrário.
Ela era a falha boa no sistema.
E naquele instante, com aquele pedaço dela no meu bolso, eu perdi a última parcela do controle.
— Hotel. Agora — eu disse.
Eu quis que soasse como uma ordem prática, como qualquer outra decisão logística da minha vida.
Mareu sorriu com aquele brilho nos olhos que sempre me dá vontade de fazer coisas que não deveriam estar na minha agenda. Ou na minha cabeça.
Ela já sabia.
Ela tinha feito de propósito.
Eu a puxei para a saída do cassino com pressa demais para ser disfarçada. O ar noturno de Mônaco bateu no rosto como um choque frio, mas não foi suficiente para apagar o calor dentro do meu corpo.
A rua estava viva. Pessoas entrando, pessoas saindo, risadas, carros, flashes de luz, o ruído constante de um lugar que não dorme porque aposta.
Eu deveria ter ido direto para o carro.
Eu deveria ter sido inteligente.
Eu não fui.
Antes de chegarmos ao estacionamento, eu vi um canto de sombra entre duas colunas, uma parte do prédio em que o movimento era menor, e puxei Mareu para lá.
Ela perdeu o equilíbrio por um segundo e encostou nas minhas mãos, rindo baixinho.
Ela tentou responder, mas o som que saiu foi outro gemido, mais agudo, o corpo começando a tremer. Senti o aperto em volta do meu dedo ficar mais intenso, as pernas dela bambas, a respiração entrecortada.
— Isso — incentivei com a boca colada na pele dela, o movimento da minha mão ficando mais rápido, mais profundo. — Vem. Quero sentir você gozando no meu dedo, quero ouvir.
Ela veio com um gemido longo, aberto, o corpo inteiro se contraindo enquanto ela se agarrava em mim, as unhas cravadas no meu braço, a boca aberta num grito mudo. Senti cada espasmo, cada aperto, cada tremor — e tive que fechar os olhos pra não perder a cabeça completamente.
Quando os espasmos passaram, ela ficou pendurada em mim, ofegante, enquanto eu limpava devagar os dedos na parte de dentro da coxa dela, arrumava a barra do vestido e beijava a têmpora dela como se fosse a coisa mais natural do mundo.
— Agora sim — minha voz saiu rouca. — Agora você tá preparada pra mim. E eu vou acabar te fodendo aqui mesmo, com todo mundo passando e vendo você gozar no meu pau.
Mareu gemeu baixinho, o corpo respondendo antes mesmo das palavras, as pernas ainda bambas do orgasmo que eu já tinha arrancado dela com os dedos. Senti o aperto da mão dela no meu braço, os dedos cravando na minha pele como se ela também estivesse lutando contra a própria cabeça.
— Logan… a gente não pode…
— Eu sei — interrompi, a boca colada na orelha dela, a mão apertando a coxa por cima do vestido, sentindo o calor que ainda irradiava de entre as pernas. — Eu sei. Mas se você continuar me olhando assim, com essa cara de quem quer mais, eu vou perder os sentidos.
Foi quando eu ouvi.
Um clique.
Meu corpo inteiro paralisou.
No meio do barulho da rua — carros, vozes, música distante — poderia ser qualquer coisa. Um salto batendo na calçada. Uma porta de carro fechando. Uma pulseira contra um corrimão.
Mas o som se destacou no meu ouvido como se alguém tivesse aumentado o volume só daquele detalhe.
Minha mão ainda estava na coxa de Mareu, os dedos mornos do calor da pele dela, e eu senti o sangue gelar enquanto todos os instintos de alerta disparavam ao mesmo tempo.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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