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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 205

~ LOGAN ~

O problema do instinto é que ele não pede permissão para existir.

Ele simplesmente aparece — e, quando aparece, é tarde demais para fingir que você não sentiu.

Meu corpo reagiu antes do cérebro. O mesmo reflexo que me faz perceber quando uma reunião está prestes a virar armadilha, quando um silêncio dura um segundo a mais do que deveria, quando alguém faz a pergunta errada com o sorriso certo.

Eu parei.

Foi um freio seco por dentro. Como se alguém tivesse puxado um cabo invisível na minha nuca.

Meu peito subiu e desceu uma vez.

Olhei ao redor.

Nada evidente.

Nenhuma pessoa parada demais. Nenhum rosto suspeito. Nenhum movimento quebrando o padrão. Só gente entrando e saindo do cassino, risadas, carros passando, o brilho de Mônaco fingindo que tudo ali era diversão.

Mesmo assim, alguma coisa em mim tinha voltado ao lugar.

Controle.

Aquele clique — que talvez nem fosse nada — tinha feito o mundo reorganizar as prioridades no meu corpo. E eu conhecia esse sinal. Eu já tinha vivido o suficiente para entender que o meu instinto raramente gritava à toa.

Eu me afastei um passo.

Mareu percebeu na hora. O rosto dela mudou de curiosidade para alerta com a precisão de quem lê microexpressões como se fosse o idioma oficial do mundo.

— O quê? — ela perguntou, baixinho. — O que aconteceu?

Eu forcei uma expressão neutra, como se eu não tivesse acabado de ser puxado de volta para uma realidade onde existiam câmeras, gente e consequências.

— Nada.

Ela não acreditou, claro.

Mareu nunca acreditava quando eu dizia “nada”. Ela tinha um radar irritante para o que eu escondia.

Eu toquei o queixo dela de leve, como se fosse carinho e não contenção.

— Eu só não quero ser interrompido quando eu começar com você de verdade.

Eu vi o sorriso voltar no rosto dela, lento, ainda ofegante, como se aquela frase fosse uma corda que eu joguei para ela segurar.

— Ah. Então você ainda não começou? — provocou.

— Espere e verá — respondi com um sorriso sedutor.

E estendi a mão.

— Vamos.

Ela encaixou os dedos nos meus sem hesitar e eu a puxei em direção ao carro.

Dentro do veículo, o silêncio tinha outra textura. O tipo de silêncio que existe quando você está segurando uma bomba e tentando não deixar cair.

Mareu recostou no banco, o vestido ainda perfeito apesar do que tinha acontecido, a boca ligeiramente vermelha. Ela olhou pela janela por um segundo, absorvendo as luzes como se Mônaco fosse só mais um cenário bonito.

Depois virou para mim.

— Você mudou.

Eu mantive os olhos na rua.

— Mudei?

Mas... talvez eu tivesse enganado.

Porque foi quando o meu celular vibrou.

Não era o celular de negócios. Esse eu tinha deixado no quarto de propósito. Eu precisava de uma noite sem números, sem manchetes, sem ligações, sem “precisamos de você em quinze minutos”.

O celular pessoal eu atendia sempre no primeiro toque.

Porque não era qualquer um que ligava naquele número àquela hora.

E porque, depois de perder alguém, você aprende a não ignorar chamadas que podem virar arrependimento.

Eu tirei do bolso e vi o nome.

Samira.

Meu estômago apertou.

Samira não ligava para “coisas pequenas”. Samira ligava quando algo saía do eixo.

Eu atendi no mesmo instante.

— Samira? — eu disse, já parado no meio do caminho, a voz controlada. — Tá tudo bem?

Eu vi Mareu congelar ao meu lado.

Ela não precisava ouvir nada do outro lado para entender que aquela ligação era uma rachadura no nosso momento. Ela já conhecia o meu rosto o suficiente para saber quando eu mudava de temperatura por dentro.

Do outro lado, a pausa foi curta.

E a resposta veio como um corte.

— É a Olívia.

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