~ LOGAN ~
O problema do instinto é que ele não pede permissão para existir.
Ele simplesmente aparece — e, quando aparece, é tarde demais para fingir que você não sentiu.
Meu corpo reagiu antes do cérebro. O mesmo reflexo que me faz perceber quando uma reunião está prestes a virar armadilha, quando um silêncio dura um segundo a mais do que deveria, quando alguém faz a pergunta errada com o sorriso certo.
Eu parei.
Foi um freio seco por dentro. Como se alguém tivesse puxado um cabo invisível na minha nuca.
Meu peito subiu e desceu uma vez.
Olhei ao redor.
Nada evidente.
Nenhuma pessoa parada demais. Nenhum rosto suspeito. Nenhum movimento quebrando o padrão. Só gente entrando e saindo do cassino, risadas, carros passando, o brilho de Mônaco fingindo que tudo ali era diversão.
Mesmo assim, alguma coisa em mim tinha voltado ao lugar.
Controle.
Aquele clique — que talvez nem fosse nada — tinha feito o mundo reorganizar as prioridades no meu corpo. E eu conhecia esse sinal. Eu já tinha vivido o suficiente para entender que o meu instinto raramente gritava à toa.
Eu me afastei um passo.
Mareu percebeu na hora. O rosto dela mudou de curiosidade para alerta com a precisão de quem lê microexpressões como se fosse o idioma oficial do mundo.
— O quê? — ela perguntou, baixinho. — O que aconteceu?
Eu forcei uma expressão neutra, como se eu não tivesse acabado de ser puxado de volta para uma realidade onde existiam câmeras, gente e consequências.
— Nada.
Ela não acreditou, claro.
Mareu nunca acreditava quando eu dizia “nada”. Ela tinha um radar irritante para o que eu escondia.
Eu toquei o queixo dela de leve, como se fosse carinho e não contenção.
— Eu só não quero ser interrompido quando eu começar com você de verdade.
Eu vi o sorriso voltar no rosto dela, lento, ainda ofegante, como se aquela frase fosse uma corda que eu joguei para ela segurar.
— Ah. Então você ainda não começou? — provocou.
— Espere e verá — respondi com um sorriso sedutor.
E estendi a mão.
— Vamos.
Ela encaixou os dedos nos meus sem hesitar e eu a puxei em direção ao carro.
Dentro do veículo, o silêncio tinha outra textura. O tipo de silêncio que existe quando você está segurando uma bomba e tentando não deixar cair.
Mareu recostou no banco, o vestido ainda perfeito apesar do que tinha acontecido, a boca ligeiramente vermelha. Ela olhou pela janela por um segundo, absorvendo as luzes como se Mônaco fosse só mais um cenário bonito.
Depois virou para mim.
— Você mudou.
Eu mantive os olhos na rua.
— Mudei?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...