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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 206

~ LOGAN ~

Eu desliguei o telefone e, por um segundo, fiquei parado no meio do lobby como se alguém tivesse puxado o chão um centímetro para baixo.

Mareu estava ao meu lado, ainda com o brilho do cassino nos olhos e o resto de perigo na boca. Ela me olhou de um jeito imediato, atento.

— O que foi? — perguntou.

Eu respirei fundo.

— Não se preocupe — eu respondi, controlado. — Vai pro nosso quarto e me espera lá, ok?

Mareu abriu a boca como se fosse discutir, mas o meu rosto deve ter denunciado o suficiente.

Eu toquei a testa dela com um beijo curto.

Um gesto de calma.

Um pedido silencioso de paciência.

— Tá — ela murmurou.

Ela virou e começou a caminhar para o elevador. Eu acompanhei com os olhos até ela sumir.

O clima tinha quebrado.

Era impossível fingir que não.

E eu não tinha tempo para lamentar.

Eu virei na direção do banheiro do lobby. Precisava de dois minutos para colocar meu corpo em ordem.

Eu tinha muitos modos.

CEO.

Pai.

Noivo de mentirinha.

Namorado de verdade.

E, nos últimos dias, eu estava descobrindo um modo novo, um que eu não tinha previsto: homem com medo.

Não era só trocar uma chavinha.

Mas às vezes eu precisava fazer parecer que era.

No banheiro, eu lavei as mãos como se pudesse lavar a tensão junto. Joguei água no rosto. Arrumei o cabelo. Encostei as duas mãos na pia e me olhei no espelho.

“Pai”, eu pensei. “Agora.”

Respirei fundi e saí.

O corredor até o quarto das crianças parecia mais longo do que deveria. Eu bati uma vez e Samira abriu quase imediatamente.

— Como ela está? — eu perguntei.

Samira deu um passo para o lado para me deixar entrar.

— Medicada, na cama — ela respondeu. — Mas não para de chamar por você e… por Laura.

O segundo nome me atravessou com força.

— Tudo bem — eu disse. — Eu vou ficar com ela.

Samira assentiu, como se aquilo fosse óbvio.

— Eu fico com o Liam — ela falou. — Ele dormiu, mas acorda fácil.

Eu agradeci com um olhar e subi para o quarto da Olívia.

Ela parecia pequena demais naquela cama grande. Enfiada sob camadas de edredom, o rosto um pouco vermelho, o cabelo preso de qualquer jeito. A expressão de quem estava tentando ser forte e falhando, o que, nela, era raro.

Eu me sentei na beirada da cama.

— Ei, princesa… — eu falei, suave. — Parece que alguém teve uma insolação.

Olívia virou o rosto devagar.

Mesmo fraca, ela ainda tentou manter o tom racional.

— Eu me hidratei — ela disse. — E usei protetor solar.

Eu segurei a vontade de sorrir.

— Eu sei que usou.

Ela franziu a testa, contrariada com o próprio corpo.

— Eu não gosto quando meu corpo j**a contra mim.

A frase poderia ter sido engraçada em outro contexto.

Ali, me doeu.

— Tudo bem — eu disse, encostando a mão na testa dela para sentir a temperatura. Quente. — Você só precisa descansar um pouco. Amanhã vai estar melhor.

Olívia respirou fundo.

— Minha mente não quer descansar.

Eu me inclinei um pouco.

— E com o que a sua mente está preocupada?

Ela ficou em silêncio por meio segundo.

O suficiente para eu perceber que vinha uma lista.

— Muitas coisas — ela respondeu, séria.

E começou.

— O preço do petróleo subiu. Isso afeta transporte. Afeta tudo. E tem a guerra no Oriente Médio… e as rotas marítimas… e se um dia faltar remédio? E se faltar comida? E se acontecer um apagão? E se…

Eu a deixei falar por alguns segundos.

Porque eu conhecia esse mecanismo.

Então, eu sorri de leve.

— Isso é coisa pra adulto se preocupar.

Ela me olhou como se discordasse.

— Eu sou quase adulta.

— Não — eu corrigi. — Você é uma criança muito inteligente.

Olívia fez uma careta, como se “criança” fosse uma palavra ofensiva.

Eu toquei de leve o ombro dela.

— O que tá te incomodando de verdade, Olívia? Você. Pessoalmente. Não os reflexos do mundo.

Ela soltou o ar.

Como se eu tivesse tirado um peso do peito dela e colocado outro mais difícil.

— Eu não quero ser uma irmã mais velha ruim — ela disse.

Eu arregalei as sobrancelhas.

— Você não é. De onde tirou isso?

Olívia apertou o edredom com a mão.

— Toda vez que eu penso no aniversário do Liam… eu penso na morte da mamãe também.

O ar do quarto mudou.

Eu me deitei ao lado dela, puxando-a com cuidado para meus braços.

O corpo dela estava quente de febre. O rosto grudou no meu peito com aquela confiança que eu sempre achei que não merecia.

Talvez aquela conversa só estivesse acontecendo porque ela estava fraca.

Olívia jamais seria tão direta assim.

— Eu sei — eu murmurei.

Ela ficou quieta por um segundo.

— Você ainda ama a mamãe? — ela perguntou.

A pergunta veio baixame acertou como um golpe.

— Claro — eu respondi rápido demais. — Claro que eu amo.

Olívia não pareceu satisfeita.

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