~ MAREU ~
— Desculpa — eu disse baixo, quase na ponta dos pés, como se falar mais alto pudesse quebrar alguma coisa invisível no ar. — Eu não queria atrapalhar. Só queria ter certeza de que a Olívia estava bem.
O quarto estava na penumbra, iluminado só pela luz amarela do abajur, e tudo ali parecia frágil. O silêncio. O corpo pequeno de Olívia debaixo do lençol. Logan recostado na cama, grande demais para um espaço que, naquele momento, pertencia mais à dor da filha do que a ele mesmo.
Olívia olhou para mim. Não com a esperteza habitual de mini-CEO de seis anos e três quartos. Olhou como criança. Só criança.
— Tô bem — respondeu, com a voz meio rouca de sono, febre e sentimentos demais.
Eu assenti, aliviada e culpada ao mesmo tempo, mesmo sem saber exatamente por quê.
— Tá.
Achei que fosse sair dali depois disso. Na verdade, devia sair dali. Deixar pai e filha terem o momento deles. Fingir que eu não tinha ouvido a pergunta. Fingir que eu não tinha ouvido a resposta. Fingir que meu coração não tinha levado um pequeno coice no peito quando Logan dissera, com a voz baixa e firme, que não, que ele não me amava.
Só que Olívia me chamou antes que eu pudesse recuar.
— Você pode dormir comigo hoje?
A pergunta veio tão simples que doeu.
Eu olhei para Logan por reflexo, não porque precisasse da autorização dele, mas porque aquela família inteira tinha se acostumado a funcionar assim: a gente se olhava para decidir quem respirava primeiro nas crises.
— Posso, sim — respondi, voltando os olhos para ela. — Claro que posso.
Ela pareceu relaxar um pouco, só um pouco, como se aquela resposta tivesse encaixado no lugar certo dentro dela.
Logan então fez um gesto discreto com a cabeça, me chamando para fora do quarto.
— Só um segundo — murmurou.
Eu saí devagar, puxando a porta sem fechá-la totalmente.
— Sobre o que você ouviu…
Eu balancei a cabeça antes que ele terminasse.
— Eu sei que não é verdade.
Os olhos dele vieram para o meu rosto com força, como se quisessem confirmar se eu realmente acreditava nisso.
E eu acreditava. Esse era o problema. Eu acreditava nele. Acreditava demais.
Soltei o ar devagar.
— Eu só não gosto… — Minha voz saiu mais baixa do que eu queria. — Eu realmente não gosto de mentir para a Olívia.
A expressão dele cedeu um pouco.
— Eu sei. Nem eu. — Ele passou a mão pela nuca, cansado. — Mas vamos fazer isso no tempo certo.
No tempo certo.
Que era uma expressão muito elegante para “estamos improvisando enquanto torcemos para ninguém explodir emocionalmente no caminho”.
Ainda assim, assenti. Porque ele estava tentando. Porque eu sabia por que ele tinha feito aquilo. Porque, naquela noite, a dor da Olívia importava mais do que qualquer insegurança minha.
Logan se inclinou e me deu um beijo rápido. Curto. Quase casto. Mas ainda assim íntimo o bastante para me deixar com o peito apertado.
— Obrigado — ele disse.
Eu não sabia se ele agradecia por eu não ter feito cena, por eu ter entendido, por eu ficar com a filha dele ou por ainda estar ali depois de tudo.
Talvez pelas quatro coisas.
Voltei para o quarto e fechei a porta atrás de mim. Olívia já estava deitada de lado, esperando. Tirei o roupão, ajeitei o pijama no corpo e me deitei na cama ao lado dela, por cima do edredom primeiro, sem invadir muito, como se ela pudesse mudar de ideia. Não mudou. Apenas se virou um pouco mais para o meu lado e fechou os olhos.
Por alguns minutos, fiquei escutando a respiração dela e o barulho discreto do ar-condicionado.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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