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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 209

~ MAREU ~

Olívia me entregou a carta com a solenidade de quem estava passando um documento ultrassecreto de Estado.

Ou uma ordem de despejo emocional. Ainda não dava para saber.

— Você pode ler — ela disse, segurando o envelope com as duas mãos antes de soltá-lo nas minhas. — Eu deixo.

Eu olhei para o papel como se ele pudesse me morder.

Era de Laura. Para Olívia. Para uma Olívia do futuro, ao que tudo indicava pelo simples fato de que mães não costumam escrever cartas-testamento para filhas pequenas mandando abrir na terça-feira depois do almoço. Aquilo tinha intimidade demais, dor demais, amor demais. Entrar ali parecia invadir a privacidade de duas pessoas ao mesmo tempo: a de uma mulher morta que tinha amado muito, e a de uma menina viva que ainda estava aprendendo a sobreviver a essa ausência.

— Liv… eu não sei se eu devia.

Ela ergueu uma sobrancelha com aquela arrogância minúscula que só uma criança muito inteligente consegue ter às seis da manhã.

— Eu tô mandando. Então pode.

É. Argumento difícil de rebater.

Respirei fundo, passei o dedo pela borda do envelope e tirei o papel de dentro com cuidado. Era uma folha dobrada mais de uma vez, com a caligrafia delicada, arredondada, bonita demais para quem estava escrevendo algo que claramente vinha de um lugar tão brutal.

Desdobrei.

Logo na primeira linha, senti o peso da situação piorar.

— Você só deveria ler isso daqui a alguns anos — murmurei, correndo os olhos por um trecho em que Laura deixava claro que aquela carta era para uma Olívia de quinze anos.

Olívia ajeitou o travesseiro atrás das costas, ofendidíssima.

— Eu já tenho mais de quinze em personalidade e conhecimento.

Eu ri pelo nariz, sem conseguir evitar.

— Não tenho como rebater isso.

— Porque eu tô certa.

— Porque, infelizmente, você tá certa.

Ela fez um movimento com a mão, impaciente.

— Lê logo, Mareu.

Então eu li.

“Minha Liv,

Se você está lendo isso, é porque cresceu. Talvez mais do que eu tive a chance de ver. Talvez muito mais do que eu consegui imaginar enquanto escrevo. E, antes de qualquer coisa, quero que você saiba: eu te amo com tudo o que existe em mim.”

Minha visão já embaçou ali, logo na largada, o que não era um bom sinal para a minha dignidade. Pisquei algumas vezes e continuei.

Laura escrevia que sabia, havia meses, das complicações da gravidez. Que os médicos tinham explicado riscos. Que ela tinha entendido, muito antes do parto, que existia a possibilidade real de ter de escolher. E que manteve aquilo em segredo de todos.

De todos.

Inclusive de Logan.

Meu peito apertou.

Ela explicava o motivo numa honestidade cruel e quase serena: sabia que Logan não conseguiria lidar com aquilo da forma como ela queria lidar. Porque ela já tinha decidido. Se fosse preciso escolher, escolheria Liam.

Não por não querer viver.

Aquilo vinha escrito de forma muito clara, quase como se Laura previsse a revolta de quem lesse.

Não era desejo de morrer. Não era desistência. Não era falta de amor pela própria vida. Era vontade de dar a vida pelos filhos, independentemente do quanto isso custasse.

Eu parei de ler por um segundo.

A carta tremia um pouco na minha mão.

Pela brutalidade daquela escolha. Pela coragem. Pelo amor. E também pela solidão de ter carregado aquilo sozinha, por meses, sorrindo, vivendo, preparando roupinhas de bebê, talvez discutindo nomes, talvez mandando mensagem sobre o jantar, talvez ajeitando a manga de uma camisa do marido como se não houvesse um abismo silencioso crescendo dentro dela.

— Continua — Olívia pediu, agora mais baixinho.

Eu assenti e voltei ao papel.

Laura dizia que adoraria ter tido a chance de ver a filha crescer. Ver a adolescente impossível em que provavelmente se transformaria. Ver os primeiros amores, as primeiras raivas, as primeiras vitórias, a mulher maravilhosa que ela tinha certeza de que Olívia seria um dia. Dizia também que sabia que Logan faria um bom trabalho.

Essa parte me fez soltar um risinho molhado no meio do choro, porque era muito coisa de esposa apaixonada apostar tanto num homem claramente competente, porém emocionalmente analfabeto em várias áreas específicas. Laura, pelo visto, conhecia o marido melhor do que ninguém.

Ela dizia que confiava nele. Que, do jeito dele, atrapalhado nas partes certas e obstinado em todas as outras, Logan criaria a filha com amor. E que Olívia se tornaria forte, brilhante e boa.

Mas a carta não parava ali.

Laura escrevia que imaginava o quanto seria doloroso crescer sem mãe. Que essa falta faria sombra em dias importantes, em noites ruins, em aniversários, em perguntas simples demais para serem feitas em voz alta. E justamente por saber disso, ela fazia um pedido.

Um pedido para a filha.

E para Logan.

Que aquela perda não travasse a vida deles.

Que Logan seguisse em frente.

Que, quando chegasse a hora, ele encontrasse alguém boa o bastante para amar Olívia como ela amava. Boa o bastante para amar Logan como ela amava. Boa o bastante para amar Liam, que ela ainda nem conhecia direito, mas já amava antes mesmo de saber como seria o rostinho dele.

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