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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 213

~ LOGAN ~

Nós passamos a manhã inteira no mar.

Sem nenhuma das vozes que, nos últimos meses, tinham se especializado em opinar sobre a minha vida como se eu fosse uma empresa de capital aberto em forma de gente.

Só eu e Mareu.

O Mediterrâneo estava calmo, o sol parecia ter sido fabricado sob medida para aquele dia, e havia uma leveza absurda em fazer coisas simples ao lado dela. Comer em alto-mar. Rir de besteira. Encostar nela sem precisar me policiar. Ver Mareu de biquíni, cabelo bagunçado de sal, pele dourada, boca inchada de beijo e insolência. Ouvir a gargalhada dela se espalhar pela lancha como se o mundo fosse, de fato, um lugar minimamente suportável.

E, por algumas horas, foi.

Eu tinha quarenta camadas de problemas esperando no continente.

Mas, naquela manhã, eu me permiti esquecê-las.

Quando o relógio começou a se aproximar do almoço, conduzi a embarcação de volta ao píer. Mareu estava ao meu lado, usando a saída de praia por cima do biquíni, óculos escuros presos no topo da cabeça e a expressão preguiçosa de quem tinha sido muito bem aproveitada pelo próprio noivo e estava em paz com isso.

Eu também estava.

Atracamos. Saltei primeiro, amarrei a lancha e estendi a mão para ajudá-la a descer. Ela entrelaçou os dedos nos meus com naturalidade, e nós começamos a caminhar pelo píer em direção à parte mais movimentada da marina.

Foi então que eu ouvi.

Clique.

Meu corpo inteiro reagiu antes da minha mente formular qualquer pensamento.

O som foi rápido, seco, quase pequeno demais para ser percebido no meio do barulho do mar, das vozes, dos passos, dos mastros batendo ao longe. Mas eu conhecia aquele som. Eu tinha ouvido no cassino. Eu tinha sentido o desconforto invisível de ser observado. De ser caçado. E, daquela vez, o meu cérebro não deixou passar.

Meus olhos varreram o local com rapidez.

Turistas. Casais. Um garçom equilibrando uma bandeja. Duas crianças correndo. Um velho de chapéu ridículo. Um homem parado perto de uma pilastra mais à frente, câmera erguida, lente teleobjetiva apontada na nossa direção.

Eu vi a exata fração de segundo em que ele percebeu que tinha sido visto.

Larguei a mão de Mareu.

— Logan?

Não respondi.

Saí correndo.

Ouvi a confusão na voz dela atrás de mim, os passos dela também acelerando, mas naquele momento nada mais importava além do homem que girava nos calcanhares e começava a correr no sentido oposto.

Ele era rápido. Mas eu estava com ódio.

E ódio sempre foi um excelente combustível.

Aproximei em poucos segundos. O sujeito tentou desviar entre duas pessoas, quase tropeçou em um carrinho de bagagem e, quando virou a cabeça para trás para calcular a distância entre nós, eu já estava perto o suficiente para agarrá-lo pelo colarinho e puxá-lo com violência.

Ele bateu contra a pilastra com um baque seco.

— Pourquoi vous nous photographiez? — perguntei, já em francês, a voz baixa e perigosa. — Qui vous a envoyé?

(Por que você estava nos fotografando? Quem mandou você?)

Ele arregalou os olhos, respirando rápido, mas não respondeu.

Segurei o colarinho dele com mais força.

— Répondez. Qui vous a envoyé?

Nada.

Mudei para o inglês, imaginando que talvez a barreira fosse o idioma.

— Why were you taking pictures of us? Who sent you?

Ele continuou calado. Só respirava, olhando em volta como se calculasse chance de fuga.

Atrás de mim, ouvi a voz de Mareu se aproximando, ainda confusa.

— Logan! O que está acontecendo?

Ignorei.

Voltei ao francês, agora sem qualquer esforço de civilidade.

— Qu'est-ce que vous foutiez, bordel ?

(Que porra você estava fazendo?)

Ele tentou puxar o corpo para trás, mas eu o mantive preso contra a estrutura com uma mão e, com a outra, arranquei a câmera dos dedos dele.

A reação veio instantânea.

— Não, a câmera não! — ele disparou.

Português.

Meus olhos voltaram para ele.

— Ah. Então você é brasileiro.

A câmera pesava na minha mão. Profissional. Cara. Lente longa. Não era equipamento de turista ocasional tirando foto de gaivota.

— Quem te mandou?

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