~ MAREU ~
Depois do café improvisado com Clara, Henrique, Olívia e a constatação coletiva de que adultos realmente tinham um talento especial para transformar sentimentos simples em grandes tragédias logísticas, eu voltei para a penthouse e fiquei esperando Logan.
Esperar, descobri, era uma atividade profundamente subestimada por quem não estava com a vida em combustão.
Porque esperar, no meu caso, significava imaginar vinte cenários diferentes para a conversa dele com Gabriella Novak, e dezenove deles terminavam com ofensas, chantagens, ameaças elegantes ou um comentário da minha futura sogra sobre minha inadequação genética para o cargo de nora.
No vigésimo cenário, ela me mandava uma cesta de macarons e um pedido formal de desculpas. Mas, no final, os macarons estavam envenenados.
Como Logan estava demorando e eu não queria passar a tarde andando em círculos pela sala como uma viúva vitoriana prévia de um problema ainda não confirmado, resolvi descer para uma das piscinas públicas do hotel.
Deitei numa espreguiçadeira meio afastada, coloquei os óculos escuros e tentei pensar em nada.
Durou aproximadamente doze segundos.
Logo voltei ao looping mental habitual: as fotos, a briga de Logan, a possibilidade de aquilo parar em algum site obscuro ou, pior, em algum grupo elegante de gente rica e fofoqueira.
Estava tão distraída pensando nisso que quase pulei da espreguiçadeira quando ouvi uma voz ao meu lado.
— Oi.
Virei o rosto com um susto que devia ter ficado ridículo debaixo dos óculos escuros.
O homem sentado na espreguiçadeira ao lado sorriu.
Eu pisquei.
Depois pisquei de novo.
— Rômulo?
Tirei os óculos.
— Céus, Rômulo, o que você tá fazendo aqui?
Olhei ao redor, meio sonolenta e profundamente desconfiada da minha própria sanidade.
— Pera. Eu ainda tô em Paris, certo?
Ele riu.
— Você está em Paris. Nós estamos em Paris.
Me endireitei na espreguiçadeira.
O cabelo dele estava um pouco mais bagunçado do que o habitual, a barba por fazer deixava tudo mais cansado, e havia alguma coisa estranha na expressão dele.
Meu estômago afundou com um pressentimento péssimo.
— Você… — comecei, devagar. — Você não tá aqui por minha causa, está?
Rômulo passou a mão na nuca.
— Meio que estou.
— Ah, merda.
A frase saiu antes que eu pudesse filtrar.
Ele soltou um riso curto, sem humor.
— Mareu, a gente precisa conversar.
— É, é… precisamos. — Levei a mão à testa. — Mas você não precisava vir à Paris pra isso.
Então completei mais para mim mesma, encarando a água da piscina como se ela pudesse me ajudar a calcular prejuízos emocionais em moeda estrangeira:
— Céus, esse vai ser o fora mais caro da história.
Rômulo virou o rosto para mim, um pouco divertido apesar de todo o resto.
— Fora?
Eu abri a boca.
— Fora? Eu não quis dizer fora. Quero dizer, não desse jeito mal. Mas… meio que é um fora. Quer dizer, eu…
— Mareu. — Ele me interrompeu antes que eu cavasse um túnel verbal até o centro da Terra. — Eu sei que você tá com o Logan.
Eu congelei.
— Sabe?
Ele assentiu.
— Eu sei.
— Você sabe? E mesmo assim veio pra Paris atrás de mim? Ah, Rômulo… — fechei os olhos por um segundo, vencida. — Você é tão legal, mas…
— Mareu, não é nada disso. Me escuta.
Respirei fundo.
— Tá. Parar de falar. Escutar. Parece uma boa ideia.
Rômulo ficou alguns segundos em silêncio, como se organizasse por onde começar. O que, vindo de um homem que normalmente parecia sempre saber o que dizer, já era um péssimo sinal.
— Certo — ele disse, enfim. — Vou tentar simplificar a história. Eu ter me aproximado de você, naquela festa, não foi… uma coincidência.
Meu cérebro levou meio segundo para processar.
— Não foi?
— Bom… talvez o jeito exato tenha sido. Mas a aproximação em si… — ele soltou o ar. — Paula me mandou.
Eu pisquei.
— Espera. Paula? Paula “a cobra” Rizzo?
— Acho que posso dizer que sim.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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