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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 218

~ MAREU ~

Eu finalmente voltei para o quarto com a maleta do Rômulo na mão e a sensação desconfortável de que tinha acabado de atravessar mais um daqueles portais invisíveis da minha vida — os que parecem pequenos do lado de fora, mas desembocam em desgraça, revelação ou constrangimento, dependendo do humor do universo.

No caminho até a penthouse, eu ainda considerei mandar uma mensagem para Logan.

Algo simples.

Tipo:

“Oi, meu amor, tudo bem? Sua mãe é inocente, Paula é criminosa, Rômulo era amante dela, ele me entregou uma maleta com os eletrônicos da cobra e provavelmente agora a gente pode arruinar a vida dela juridicamente. Beijos.”

Mas achei que talvez fosse informação demais para caber entre um elevador e um corredor.

Então subi com a maleta, entrei no quarto, tranquei a porta, fiquei olhando para aquilo em cima da mesa por uns dois minutos e tomei a decisão mais adulta possível diante de um colapso iminente: fui tomar banho.

Porque, sinceramente, meu cérebro funcionava melhor quando meu cabelo estava limpo.

Saí do banho com um roupão, o cabelo úmido preso de qualquer jeito e a cabeça um pouco menos bagunçada. Eu estava esfregando uma toalha no comprimento do cabelo quando a porta da suíte se abriu.

Levantei os olhos.

Logan entrou com aquele andar decidido de homem que tinha acabado de resolver metade do mundo e estava pronto para resolver a outra metade antes do almoço.

— Você não vai acreditar — ele começou.

Eu ergui um dedo.

— Deixa eu tentar. Sua mãe não tem nada a ver com as fotos.

Logan parou no meio do caminho.

— O quê… como você sabe?

Eu sorri, satisfeita demais comigo mesma.

— Intuição.

Ele estreitou os olhos daquele jeito que significava claramente “não me testa, Maria Eugênia”.

Então completei, apontando com o queixo para a maleta sobre a mesa:

— E um passarinho que me entregou todos os eletrônicos da Paula, para que a gente possa destruir tudo.

O olhar de Logan foi da minha cara para a maleta. Depois da maleta para a minha cara.

— Paula? Foi a Paula? Não… espera. — Ele voltou um passo. — Um passarinho que faz entregas?

— Tipo uma cegonha.

— Uma cegonha?

— É. Elas entregam bebês, não entregam?

— Mareu, foco.

Eu ri.

— Tá bom. Foi o Rômulo.

A expressão dele mudou na hora para um tipo muito específico de irritação masculina que, se eu não conhecesse tão bem, talvez chamasse de ciúme homicida.

— Rômulo apareceu aqui?

— Apareceu.

— Em Paris?

— Uhum.

— Atrás de você?

— Na verdade, ele veio atrás da Paula.

Logan piscou.

— O quê?

Eu fui até a poltrona perto da janela e me sentei como quem estava prestes a contar a melhor fofoca do ano para uma plateia cativa e um pouco relutante.

— Eles são amantes há anos!

Logan ficou em silêncio.

Aquele silêncio exato de homem que ouviu a frase, entendeu cada palavra separadamente, mas está se recusando a juntá-las numa ideia única.

— Amantes? — repetiu, enfim.

— Uhum.

Eu cruzei as pernas sob o roupão, completamente investida no relato.

— Ele era apaixonado por ela, tadinho. Praticamente um cachorrinho. Fazia tudo que ela pedia.

O maxilar de Logan endureceu.

— Inclusive te seduzir e tirar fotos íntimas nossas?

Eu fiz uma careta.

— Me seduzir, pode ser. Mas não deu muito certo, afinal.

Ele arqueou uma sobrancelha.

— Não deu?

— Logan Novak, não vamos transformar uma fala de contexto criminal em oportunidade para você ter uma crise de ciúmes.

— Eu não estou... — mas eles sabia que estava. — Tá, continua.

Rolei os olhos, mas continuei:

— Já as fotos, ele não tem nada a ver com isso. Quando descobriu, ele achou que ela tinha ido longe demais e quis se redimir. Então me entregou tudo. — Apontei para a maleta. — E disse que, se for preciso, pode depor contra ela.

Sem mais acordos atravessados, sem mais remendos sociais, sem mais “deixa quieto”. Sem mais o tipo de tolerância silenciosa que mulheres como Paula sempre esperavam receber porque tinham dinheiro, sobrenome e um pai acostumado a varrer tudo para debaixo do tapete.

— Ela vai pagar por tudo o que fez — Logan continuou — e pelo que tentou fazer.

Eu me aproximei um pouco mais devagar.

— Logan…

Ele deu um passo na minha direção também.

— Amanhã. — A voz dele saiu baixa, firme, definitiva. — Amanhã vamos colocar um ponto final em todas essas manipulações.

Ficamos em silêncio por um instante.

Eu olhei para ele e vi exatamente isso: decisão.

Não o Logan irritado. Não o Logan possessivo. Não o Logan reagindo por impulso. O Logan escolhendo, com clareza, encerrar aquilo do jeito certo.

Eu sorri discretamente.

— Certo.

A rigidez dos ombros dele cedeu um pouco.

— Certo?

— Certo. — Inclinei a cabeça. — Vamos denunciar a Paula. Vamos fazer tudo direito. Vamos encerrar isso.

O olhar dele suavizou, mas só por um segundo. Porque então veio aquele outro brilho. O que me fazia suspeitar seriamente de que, mesmo em cenários de guerra jurídica, Logan Novak conseguia mudar de assunto para sexo com uma velocidade admirável.

— Mas hoje… — ele disse.

Eu já estava sorrindo antes do fim da frase.

— Hoje o quê?

Ele estendeu a mão para mim.

— Hoje vamos aproveitar nossas últimas horas em Paris.

Olhei para a mão dele.

Depois para o rosto dele.

Depois para a cidade do lado de fora, linda, clara, brilhando além das janelas.

Ri baixinho enquanto entrelaçava meus dedos nos dele.

Eu estava pronta.

Pronta não só para Paris.

Pronta não só para voltar ao Brasil.

Pronta para o resto da minha vida ao lado de Logan Novak.

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