~ MAREU ~
Eu finalmente voltei para o quarto com a maleta do Rômulo na mão e a sensação desconfortável de que tinha acabado de atravessar mais um daqueles portais invisíveis da minha vida — os que parecem pequenos do lado de fora, mas desembocam em desgraça, revelação ou constrangimento, dependendo do humor do universo.
No caminho até a penthouse, eu ainda considerei mandar uma mensagem para Logan.
Algo simples.
Tipo:
“Oi, meu amor, tudo bem? Sua mãe é inocente, Paula é criminosa, Rômulo era amante dela, ele me entregou uma maleta com os eletrônicos da cobra e provavelmente agora a gente pode arruinar a vida dela juridicamente. Beijos.”
Mas achei que talvez fosse informação demais para caber entre um elevador e um corredor.
Então subi com a maleta, entrei no quarto, tranquei a porta, fiquei olhando para aquilo em cima da mesa por uns dois minutos e tomei a decisão mais adulta possível diante de um colapso iminente: fui tomar banho.
Porque, sinceramente, meu cérebro funcionava melhor quando meu cabelo estava limpo.
Saí do banho com um roupão, o cabelo úmido preso de qualquer jeito e a cabeça um pouco menos bagunçada. Eu estava esfregando uma toalha no comprimento do cabelo quando a porta da suíte se abriu.
Levantei os olhos.
Logan entrou com aquele andar decidido de homem que tinha acabado de resolver metade do mundo e estava pronto para resolver a outra metade antes do almoço.
— Você não vai acreditar — ele começou.
Eu ergui um dedo.
— Deixa eu tentar. Sua mãe não tem nada a ver com as fotos.
Logan parou no meio do caminho.
— O quê… como você sabe?
Eu sorri, satisfeita demais comigo mesma.
— Intuição.
Ele estreitou os olhos daquele jeito que significava claramente “não me testa, Maria Eugênia”.
Então completei, apontando com o queixo para a maleta sobre a mesa:
— E um passarinho que me entregou todos os eletrônicos da Paula, para que a gente possa destruir tudo.
O olhar de Logan foi da minha cara para a maleta. Depois da maleta para a minha cara.
— Paula? Foi a Paula? Não… espera. — Ele voltou um passo. — Um passarinho que faz entregas?
— Tipo uma cegonha.
— Uma cegonha?
— É. Elas entregam bebês, não entregam?
— Mareu, foco.
Eu ri.
— Tá bom. Foi o Rômulo.
A expressão dele mudou na hora para um tipo muito específico de irritação masculina que, se eu não conhecesse tão bem, talvez chamasse de ciúme homicida.
— Rômulo apareceu aqui?
— Apareceu.
— Em Paris?
— Uhum.
— Atrás de você?
— Na verdade, ele veio atrás da Paula.
Logan piscou.
— O quê?
Eu fui até a poltrona perto da janela e me sentei como quem estava prestes a contar a melhor fofoca do ano para uma plateia cativa e um pouco relutante.
— Eles são amantes há anos!
Logan ficou em silêncio.
Aquele silêncio exato de homem que ouviu a frase, entendeu cada palavra separadamente, mas está se recusando a juntá-las numa ideia única.
— Amantes? — repetiu, enfim.
— Uhum.
Eu cruzei as pernas sob o roupão, completamente investida no relato.
— Ele era apaixonado por ela, tadinho. Praticamente um cachorrinho. Fazia tudo que ela pedia.
O maxilar de Logan endureceu.
— Inclusive te seduzir e tirar fotos íntimas nossas?
Eu fiz uma careta.
— Me seduzir, pode ser. Mas não deu muito certo, afinal.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Não deu?
— Logan Novak, não vamos transformar uma fala de contexto criminal em oportunidade para você ter uma crise de ciúmes.
— Eu não estou... — mas eles sabia que estava. — Tá, continua.
Rolei os olhos, mas continuei:
— Já as fotos, ele não tem nada a ver com isso. Quando descobriu, ele achou que ela tinha ido longe demais e quis se redimir. Então me entregou tudo. — Apontei para a maleta. — E disse que, se for preciso, pode depor contra ela.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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