~ MAREU ~
Quando voltamos para o Brasil, a vida começou a seguir… normalmente.
Ou pelo menos tão normalmente quanto a minha vida conseguia seguir depois de tudo o que tinha acontecido nas últimas semanas. França, carta da Laura, bênção da Olívia, declaração de amor, fotógrafo, Paula, polícia, penthouse, Paris, retorno triunfal à mansão Novak. Tudo muito cotidiano, como se pode ver.
Ainda assim, havia uma rotina nova se acomodando em volta de nós.
Eu tinha voltado a morar na mansão Novak.
Só que agora era diferente.
Muito diferente.
Eu não estava mais no quarto de babá. Não estava mais no quarto de hóspedes. Não estava mais em nenhum lugar intermediário, provisório, educado, delicadamente deslocado. Eu estava no quarto de Logan.
Dormindo na cama de Logan. Deixando roupa no closet de Logan. Acordando com Logan. Tomando banho com Logan. Sendo beijada por Logan antes que ele saísse para o trabalho. Sendo beijada por Logan quando ele voltava do trabalho. Sendo levada para a cama por Logan em horários muito impróprios para uma mulher que tentava manter algum senso de compostura.
Então, não. Não havia reclamações da minha parte em relação às noites.
As noites estavam muito ativas.
Principalmente depois que a porta do quarto se fechava.
O problema eram os dias.
Durante o dia, eu me sentia… entediada.
O que era uma palavra horrível de admitir em voz alta quando se vivia numa mansão, cercada de conforto, crianças bonitas e uma cozinha que parecia capaz de alimentar uma pequena nação. Mas era verdade. E eu já tinha descoberto, muito antes, que o tédio era uma coisa perigosa. Ele me deixava pensando demais. E, quando eu pensava demais, invariavelmente começava a me perguntar coisas que não tinham resposta simples.
Eu não era mais babá do Liam, embora continuasse passando longos períodos do dia brincando com ele, carregando aquele bebê fofo e absurdamente charmoso no colo como se ele tivesse sido desenhado para manipular emocionalmente adultos exaustos.
Também não era mais babá da Olívia, embora de vez em quando ainda a acompanhasse até a escola e, quase sempre, acabássemos assistindo doramas juntas e julgando casais fictícios com a seriedade de duas comentaristas esportivas.
Mas, no geral… eu era o quê?
A resposta óbvia era: a namorada de Logan Novak.
A futura esposa de Logan Novak, se a parte delirante do meu coração quisesse ser especialmente sincera.
Mas “namorada de bilionário” não era exatamente uma ocupação.
— Meu pai é bilionário. Você não precisa trabalhar — Olívia tinha dito certa vez, largando essa pérola com a naturalidade de quem comentava o clima.
— Mas eu quero — rebati no mesmo instante. — Eu odeio não ter nada pra fazer o dia todo.
Ela tinha me olhado como se eu fosse uma pessoa muito estranha.
O que, em minha defesa, eu provavelmente era.
Foi assim que, finalmente, eu peguei o vestido da Catharina para fazer.
Um vestido importante, complexo, elegante e cheio de ajustes, praticamente uma cirurgia têxtil de alta precisão. Um modelo disruptivo o bastante para agradar a Catharina Novak, o que por si só já fazia da tarefa um esporte radical.
Naquela tarde, eu tinha ido até a casa dela para uma prova.
Catharina me recebeu com café, três opiniões fortes sobre mangas, duas críticas à própria silhueta — totalmente infundadas, claro — e uma disposição surpreendente para se divertir no processo.
Ela saiu do biombo improvisado usando a peça com cuidado e foi até o espelho.
Eu imediatamente me aproximei. Passei os dedos pela lateral da cintura do vestido, alisando o tecido, depois me abaixei para observar a barra. O corte realmente estava bonito. Faltavam mudanças, claro. Várias. Mas era exatamente isso que eu sentia falta fazia tempo: ter algo meu entre as mãos. Algo que dependesse do meu olhar, da minha escolha, da minha paciência.
— Então? — Cath perguntou, olhando para o espelho. — Estou parecendo uma herdeira misteriosa e emocionalmente indisponível?
— Está parecendo uma mulher rica que pisaria no pescoço de alguém com um salto Louboutin, mas de forma muito elegante.
— Ótimo. Era a ideia.
Eu ri.
A prova foi seguindo entre alfinetes, marcações, pequenas reclamações estéticas e vinho branco que, por algum motivo, Catharina achava totalmente aceitável abrir numa tarde comum.
Em algum momento, ela se sentou na chaise do quarto e anunciou, como quem não queria nada:
— Tenho um encontro com o Henri este final de semana.
Eu ergui os olhos do caderno onde estava anotando as mudanças.
— O Henri Remy?
Ela assentiu.
— O próprio.
— Eu não entendo, Cath. Por que você sempre faz o que a sua mãe quer? Quero dizer… você reclama, reclama, reclama… mas no fim…
Cath voltou a dar de ombros, como se a resposta estivesse num lugar simples demais para merecer elaboração.
— Ela acertou da última vez, não acertou?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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