~ MAREU ~
— Paula.
Eu voltei a me sentar na cama, meio mole por causa do analgésico, com a lateral do corpo doendo, a perna latejando e aquela sensação horrível de que, se eu respirasse fundo demais, o mundo inteiro me responderia com dor. O celular estava na minha mão. A mensagem ainda aberta na tela.
Sem número salvo. Sem assinatura. Sem grandes malabarismos.
Só ameaça.
Só o aviso.
Só a pretensão elegante e covarde de quem acha que pode usar medo como moeda.
Ergui os olhos para Logan.
— Ela deve ter ficado sabendo que está sendo indiciada por perseguição e tentativa de divulgação de imagens íntimas — eu disse, ainda com a voz fraca. — E quer que a gente retire isso.
Logan confirmou com a cabeça, os olhos voltando para a tela do celular como se pudesse atravessá-la e arrancar Paula Rizzo pelo pescoço de dentro da operadora telefônica.
Ele respirou fundo.
— Ela podia ter te matado.
Olhei para ele em silêncio por um segundo. Logan estava sentado ao meu lado na cama, inclinado para a frente, os cotovelos nos joelhos, o cabelo levemente bagunçado de um jeito que só aparecia quando ele tinha passado a mão ali muitas vezes seguidas. A mandíbula estava dura. O corpo inteiro dele parecia em estado de contenção.
Eu conhecia aquele estado.
Era o Logan que ainda não tinha explodido, mas estava a exatos dois milímetros disso.
— Ela não queria — respondi. — Só queria o susto. A ameaça.
Ele virou o rosto para mim devagar.
— Mas podia, se tivesse querido.
Baixei os olhos.
Aquela não era uma discussão sobre intenção. Era sobre resultado possível. Sobre um carro avançando em cima de mim. Sobre o som do impacto ainda ecoando em algum canto do meu corpo.
— Talvez… — admiti, baixinho.
Logan ficou me olhando por alguns segundos, com aquele desespero silencioso que ele achava que conseguia esconder bem, mas... não conseguia.
— Eu não posso decidir por você — ele disse, por fim.
Balancei a cabeça em negativa antes mesmo de ele terminar a frase inteira.
— Não tem a menor chance de eu querer voltar atrás.
A dor no braço me lembrou do movimento abrupto, e eu fiz uma pequena careta. Logan percebeu na hora e se aproximou mais, instintivo, como se pudesse tirar a dor do lugar apenas encostando em mim.
— Vamos até o final — completei.
Ele segurou meu olhar.
Eu sabia exatamente o que aquilo significava. Não era só levar adiante uma denúncia elegante contra uma socialite obcecada. Era aceitar que a guerra tinha mudado de patamar. Que Paula não estava mais fazendo sabotagem de bastidor. Ela tinha jogado um carro em cima de mim.
— Se essa é a sua decisão… — Logan começou.
— É.
Ele assentiu, devagar.
— Tudo bem. Mas eu não vou deixar que nada te aconteça.
Eu soltei um risinho fraco, mais por reflexo do que por humor real.
— Isso soou vindo do auge do seu modo controlador.
O canto da boca dele subiu um pouco. Não exatamente um sorriso. Mais o reconhecimento de uma acusação justa.
— Estou dizendo isso do auge do meu modo controlador.
— Imaginei.
Ele se recostou um pouco, cruzando os braços com a solenidade de um homem que, ao que tudo indicava, já estava prestes a transformar a minha vida em um programa intensivo de proteção à testemunha sem o menor respeito pela minha liberdade civil.
— Segurança vinte e quatro horas na porta de casa — ele começou a enumerar. — Não sair sem necessidade. Comer apenas alimentação de fonte confiável. Verificar…
— Logan!
Eu o interrompi tão rápido que a dor no lado esquerdo do corpo respondeu com uma pontada cruel.
Ele imediatamente inclinou-se para mim.
— Desculpa. Doeu?
— Um pouco — admiti, apertando os olhos por um segundo. — Mas doeu mais você falando desse jeito. Assim parece que quem vai ser presa sou eu.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...