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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 222

~ RÔMULO ~

Eu estava no escritório tentando trabalhar quando a porta abriu sem aviso e bateu com força atrás dela.

Nem precisei levantar os olhos na mesma hora para saber quem era.

Paula Rizzo nunca entrou em lugar nenhum como quem pede licença. Ela invadia. Como se paredes, pessoas, agendas, moral, tudo existisse para ser dobrado à conveniência dela.

Ainda assim, antes de olhar, eu peguei o celular ao lado do notebook e, com um movimento treinado pela paranoia que aquela mulher tinha me ensinado a desenvolver, ativei a gravação de áudio. Deixei o aparelho virado para baixo, discreto, perto da pilha de contratos.

Paula ainda não sabia que tinha sido eu quem entregara a Mareu as provas de que precisava para incriminá-la.

E eu queria continuar assim.

Tinha sido mais difícil do que eu esperava desviar a suspeita. Mas consegui plantar na cabeça dela a possibilidade de que o próprio fotógrafo tivesse se vendido por medo de processo, e que Logan, com os contatos e o dinheiro dele, tivesse dado um jeito de invadir o quarto de hotel dela e pegar os eletrônicos. Ela até tentou ter acesso às câmeras do hotel. O problema é que o hotel deixou bem claro que só liberaria qualquer coisa mediante denúncia policial formal de roubo.

Eu fui o primeiro a convencê-la de que abrir essa denúncia seria burrice.

Exporia o nome dela. Chamaria atenção demais. Puxaria perguntas demais. E, para uma mulher que vivia de imagem, perguntas públicas eram sempre mais perigosas do que perdas privadas.

Então ela aceitou varrer tudo para debaixo do tapete.

O que não significava que tivesse desistido de desconfiar.

Paula era muitas coisas, mas burra nunca foi uma delas.

E, do jeito que entrou naquele escritório, com o rosto tenso e a respiração curta, achei melhor gravar. Caso precisasse de prova contra… qualquer coisa.

Ela se jogou na cadeira à minha frente sem cerimônia.

— Fiz uma besteira.

Levantei os olhos para ela devagar.

— Outra?

Minha voz saiu mais seca do que teria saído alguns meses antes. Talvez porque finalmente eu estivesse começando a me desprender daquele vício. Porque era isso que Paula tinha sido para mim durante anos: um vício sofisticado. Um tipo específico de veneno servido em cristal.

O problema era que ela continuava entrando na minha vida sem pedir licença. No meu escritório. No meu prédio. Na minha cabeça, mesmo quando eu já não queria mais.

Paula fechou os olhos por um segundo, irritada com o meu tom.

— Rômulo, por favor. Eu sei que você não quer mais me ver. Mas eu preciso da sua ajuda.

Eu encostei as costas na cadeira.

— Claro que precisa. Você só precisa de mim quando quer favores.

Ela mudou de expressão no mesmo instante. Como uma atriz boa demais trocando de cena sem esforço. A tensão cedeu, o corpo relaxou, a boca desenhou aquele sorriso lento que eu conhecia bem demais.

— E eu sei pagar bem por eles, não sei?

A frase ficou entre nós com a obviedade que ela queria. Não estávamos falando de dinheiro.

— O que você fez, Paula?

Ela olhou em volta do escritório como se quisesse se certificar de que ninguém podia ouvi-la. Ninguém podia.

Ninguém humano, pelo menos.

Só o gravador do meu celular.

— Atropelei a Maria Eugênia.

Eu me levantei tão rápido que a cadeira raspou no chão com violência.

— Você matou a Mareu?

Paula ergueu as mãos de leve, irritada com o meu excesso de reação, como se eu estivesse sendo dramático numa conversa qualquer de fim de tarde.

— Foi tudo controlado. Peguei ela de lado. Só queria dar um susto. Um susto pra eles retirarem as acusações contra mim.

Fiquei olhando para ela por um segundo, tentando conciliar o que eu estava ouvindo com o fato de ainda estar respirando no mesmo ambiente que aquela mulher.

— E de quebra você dá motivos pra eles abrirem uma acusação maior? — perguntei. — Tentativa de homicídio?

Ela fez uma careta, impaciente.

— Por favor! — desdenhou. — No máximo… lesão corporal grave.

E, no instante em que ela disse isso, eu soube exatamente onde aquela conversa ia chegar.

— Você precisa assumir por mim.

A risada que saiu de mim foi tão genuína que quase me surpreendeu.

— Você é louca.

— Não, não, faz sentido. — Ela se inclinou na cadeira, como se estivesse me explicando um plano de negócio. — Eu não posso ser pega.

— E por que você seria? Tenho certeza de que você fez tudo discretamente.

Paula assentiu rápido demais.

— E fiz. Só que… bem, eu não podia usar meu carro. E também não podia alugar um ou exporia meu nome.

— Então?

Ela hesitou o suficiente para me confirmar que eu odiaria a resposta.

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