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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 223

~ LOGAN ~

— O que estamos comemorando?

Mareu perguntou isso com a taça de champanhe na mão, o corpo parcialmente submerso na piscina de borda infinita e o pôr do sol se espalhando atrás dela em tons de rosa e dourado como se o mundo tivesse sido decorado especificamente para aquela cena.

Eu a observei por um segundo antes de responder.

Porque, honestamente, às vezes ainda me pegava fazendo isso. Parando. Observando. Como se meu cérebro precisasse de um instante extra para entender que aquela mulher realmente estava ali, na minha casa, na minha piscina, usando um biquíni que definitivamente não favorecia nenhum esforço meu de manter conversas sérias, me olhando como se a vida tivesse se tornado um lugar simples.

Ela nunca tinha sido simples.

Mas Mareu tornava tudo mais suportável.

Dei um gole no champanhe.

— Você ainda pergunta?

Ela inclinou a cabeça, desconfiada.

— O aniversário do Liam é só amanhã.

Eu ri.

— Então você ainda não sabe.

Provoquei de propósito. A notícia era fresca, deliciosa e eu estava me segurando desde que Henrique me ligara para confirmar tudo. Queria contar. Queria ver a reação dela. Queria saborear o exato instante em que aquele peso sairia do peito de Mareu.

Ela se aproximou de mim na água, curiosa.

— O quê?

— Me convença a te contar.

Mareu arregalou os olhos.

— Logan! Você sabe que eu adoro uma fofoca.

Eu sorri.

— Não é esse tipo de convencimento no qual eu estava pensando.

Ela fez uma expressão de falsa ofensa que durou aproximadamente meio segundo antes de se transformar em interesse prático. Então veio mais para perto, entrelaçou os braços ao redor do meu pescoço e colou o corpo no meu de um jeito nada discreto. A água se moveu em volta de nós. O calor da pele dela, mesmo ali dentro, era imediato.

— Assim? — ela sussurrou.

Baixei os olhos para a boca dela.

— É. É bem por aí.

Mareu me beijou primeiro. Devagar no começo, como quem só queria me convencer. E depois daquele jeito dela, que me tirava do eixo com uma facilidade irritante para qualquer homem acostumado a ter controle sobre tudo.

Segurei sua cintura dentro d’água, puxando-a mais para mim.

Quando o beijo terminou, permaneci com a testa encostada na dela por um instante, sorrindo.

— Paula foi presa.

Mareu se afastou na mesma hora.

— PAULA O QUÊ?

Eu ri da explosão, incapaz de evitar.

— Presa. Prisão preventiva, por enquanto.

Ela piscou algumas vezes, como se quisesse se certificar de que eu realmente tinha dito aquelas palavras naquela ordem.

— Paula está presa?

— Está.

A expressão dela foi mudando, centímetro por centímetro, da incredulidade para uma alegria tão pura que quase me fez rir de novo antes mesmo de ela falar.

— Paula está presa! — repetiu, desta vez em tom de comemoração.

Levou a taça à boca, bebeu um gole de champanhe e depois apontou para mim como se eu fosse responsável direto pelo milagre jurídico.

— Eu sabia que você ia conseguir.

— Não fui só eu.

Ela estreitou os olhos.

— Henrique?

— Sempre um bom palpite. Mas, nesse caso, preciso admitir: o áudio do Rômulo foi muito útil.

Mareu apoiou a mão no meu ombro, ainda incrédula.

— Pôde ser usado como prova?

— Sim. Mas, principalmente, ele abriu caminhos para conseguirmos outras. — Dei de ombros. — O porteiro do prédio dele ficou com medo de ser envolvido e resolveu colaborar. Conseguimos rastros do carro saindo da casa do pai dela, movimentações, rastros digitais… outras coisas chatas e burocráticas com as quais você não deveria estar se importando agora.

Aproximei meu rosto do dela.

— Porque Paula está presa.

O sorriso de Mareu se abriu de um jeito quase infantil.

— Paula está presa — repetiu, saboreando cada palavra como sobremesa cara.

— Claro. Os vômitos.

Ela levantou um dedo, ofendidíssima.

— Pra quem já vomitou nos seus sapatos em Paris, um ou outro vomitozinho dentro do vaso sanitário pela manhã não é nada demais.

Dessa vez eu ri de verdade.

— Que bom ver que o seu parâmetro de saúde segue elegante.

Ela sorriu, satisfeita consigo mesma, e recostou o corpo em mim com mais tranquilidade. O céu lá fora já começava a escurecer, as luzes do jardim se acendiam aos poucos e o ar estava agradável de um jeito quase indecente.

Passei o braço em volta dela, mantendo-a perto.

— Você está bem mesmo?

A pergunta saiu mais séria do que eu tinha planejado.

Mareu ergueu os olhos para mim.

Havia humor ali, como sempre. Mas também havia cansaço. Um resto de susto. Um corpo ainda se reorganizando depois da pancada. Ela vinha brincando, provocando, vivendo, e eu amava isso nela. Mas conhecia o bastante para saber que a leveza dela às vezes era também uma forma de não ficar parada tempo demais dentro do próprio medo.

— Ótima — respondeu. — Perfeita. Pronta pro dia de amanhã.

Observei seu rosto por um segundo.

Liam faria um ano.

Um ano.

Havia um peso enorme escondido nessa data. O aniversário dele era também o aniversário do pior dia da minha vida. O dia em que ele chegou e Laura foi embora. Durante semanas eu tinha me preparado para atravessar aquele marco sem deixar a culpa, o luto e o medo tomarem conta de tudo. E, de algum modo, a presença de Mareu tinha tornado isso possível.

Ela estava ali. Comigo. Com os meus filhos. Na minha casa. No meu quarto. Na minha vida inteira.

E, pela primeira vez desde a morte de Laura, eu sentia que o amanhã podia ser difícil sem ser insuportável.

Toquei a aliança falsa — que já não parecia nada falsa — no dedo dela.

— Então você está pronta para amanhã?

— Estou.

Inclinei o rosto, encostando minha boca na dela sem beijá-la ainda.

— E pronta para a noite de hoje?

O sorriso de Mareu apareceu antes da resposta.

— Sempre.

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