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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 228

~ MAREU ~

Minha mãe piscou, como se a resposta tivesse passado por ela rápido demais para ser compreendida de primeira.

— Não… não pode?

Eu balancei a cabeça.

— Não. Porque não tem nada pra ser perdoado.

Os dois me olharam em silêncio, e eu senti que precisava terminar aquela frase com cuidado.

— Vocês tentaram fazer o melhor por mim. Do jeito de vocês. Eu só… gostaria que, no futuro, vocês acreditassem mais em mim quanto a fazer minhas próprias escolhas. Porque… eu sei que eu vou quebrar a cara. Mas talvez eu precise disso.

Meu pai soltou um riso baixo pelo nariz, aquele tipo de concordância cansada de homem que já tinha apanhado muito da própria vida.

— Com toda certeza. Quebrar a cara ensina mais do que qualquer vida perfeita.

Assenti.

Fazia sentido ele dizer aquilo. Mais agora do que nunca.

— Como o senhor está lidando com isso?

Ele entendeu na hora de que “isso” eu estava falando.

Do vício.

Da ruína lenta e humilhante de ter sido um homem admirado e respeitado, e depois ter visto o próprio nome circular como boato sujo em boca de gente que adorava assistir desgraça de perto.

Meu pai respirou fundo antes de responder.

— Aprendendo a controlar. Um dia de cada vez.

Assenti devagar.

Não era uma frase milagrosa, mas era honesta.

— E… financeiramente? — perguntei, mais hesitante.

Minha mãe e meu pai trocaram um olhar rápido. Eu conhecia aquele olhar. O de casais que já tinham passado vergonha juntos o bastante para desenvolver uma linguagem própria de pequenos desastres.

Enquanto esperava a resposta, meu cérebro já estava fazendo contas sozinho. Eu tinha algum dinheiro guardado. O que recebi como babá. O primeiro salário que Logan me pagou quando aquele noivado ainda era contrato e insanidade corporativa. Depois que passamos da fase “fingindo muito mal” para “claramente apaixonados”, eu fiz Logan rasgar o contrato. Mas o dinheiro daquele início tinha ficado.

Não era muito.

Mas talvez pudesse ajudar.

Ou pelo menos amenizar alguma coisa.

Minha mãe foi a primeira a responder.

— Os boatos fizeram parecer que foi muito pior do que realmente foi.

Meu pai completou:

— Não estamos falidos, mas… estamos nos reestruturando.

Minha mãe mexeu no guardanapo à frente dela, num gesto tão pequeno que quase passou despercebido.

— O baque foi mais… na reputação.

Assenti devagar.

Agora eu entendia perfeitamente por que minha mãe olhava ao redor como se qualquer pessoa ali pudesse, a qualquer momento, tratá-la como um nada.

— As pessoas vão esquecer isso assim que tiverem um próximo escândalo pra falar mal — eu disse.

Meu pai riu baixo.

Minha mãe, surpreendentemente, também.

— É assim que funciona o nosso mundo.

— Infelizmente, sim — ela concordou.

Eu sorri discreta.

Então olhei para os dois e perguntei:

— E, por falar em nosso mundo… vocês querem conhecer a Olívia e o Liam? E, claro, o Logan além do contrato?

A expressão da minha mãe suavizou primeiro.

Meu pai assentiu quase no mesmo instante.

— Queremos, sim.

Levantei da cadeira.

— Então vem.

Caminhamos os três de volta ao centro da festa, e eu me dei conta, no meio do trajeto, de que talvez aquele fosse um dos momentos mais estranhos e improváveis da minha vida: eu estava levando meus pais para conhecer oficialmente a família que construí no erro mais certo da minha existência.

Olívia assentiu, satisfeita.

— Eu sei.

A tensão se dissolveu ali.

Não totalmente, porque famílias não se consertam num minuto só porque uma criança genial resolveu fazer avaliações sobre vício e probabilidade. Mas o suficiente para que todos respirassem de novo.

Fiquei observando Logan conversar com o meu pai, Liam babando no ombro dele com a elegância possível, minha mãe ouvindo Olívia explicar com imensa convicção por que a decoração do bolo ficou melhor em tons mais frios, e senti aquela vertigem boa de quem olha para a própria vida e quase não acredita que ela é sua.

Minha mãe tocou de leve o meu braço.

— Posso falar com você um instante?

Assenti.

Nos afastamos alguns passos, o suficiente para ainda ver os outros, mas não ouvir a conversa deles.

Ela demorou um segundo antes de falar. O que, vindo da Vivian Valença, era praticamente um colapso tectônico de humildade.

— Eu sinto muito — disse, enfim. — Por ter sido tão dura com você.

Fiquei quieta.

Ela continuou:

— Eu sei que não posso recuperar o tempo perdido. Nem desfazer as escolhas que a gente fez. Mas… — respirou fundo — eu quero voltar a fazer parte da sua vida. Se você permitir.

Olhei para ela.

De verdade.

Não para a mãe que me controlou. Não para a mulher que usou dureza como idioma. Só para a pessoa diante de mim, tentando pedir entrada de um jeito que talvez nunca tivesse aprendido.

— Eu nunca quis tirar vocês da minha vida — respondi.

Os olhos dela brilharam um pouco, mas Vivian Valença não era mulher de desmontar em público. Nem em semiprivado.

Ela olhou então para a festa, para Logan com as crianças, para o jardim iluminado, para a casa, para tudo.

— Você escolheu uma bela família.

Sorri.

— Eu escolhi, não escolhi?

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