~ MAREU ~
O médico piscou algumas vezes, olhando primeiro para mim, depois para Logan, depois de volta para mim, como se estivesse tentando entender se aquele nível de confusão era comum ou se ele tinha acabado de tropeçar sem querer num surto coletivo muito bem-vestido.
— Bom… você… vocês… não sabiam?
Logan ergueu os olhos devagar, ainda com aquela expressão de quem tinha sido atropelado pela própria realidade.
— Saber o que exatamente?
O médico respirou fundo.
— Senhorita Maria Eugênia… a senhorita está grávida. Cerca de doze semanas.
E foi assim que eu perdi o ar.
Perdi o chão.
Perdi o resto da minha dignidade clínica.
A única coisa que eu não perdi foi meu senso de ironia, porque aparentemente ele era a última estrutura estável da minha personalidade.
— Tem um bebê em mim e o senhor começa a notícia por “hematoma subcoriônico”? — perguntei, ainda olhando para ele como se aquilo pudesse ser desdito se eu falasse alto o suficiente. — O senhor tinha uma informação muito maior pra ter aberto essa conversa, não tinha?
O médico ficou em silêncio por um segundo.
Talvez por educação.
Talvez porque não pudesse, legalmente, responder “sim, eu realmente escolhi mal a ordem dos assuntos”.
Do meu lado, Logan parecia estar num processo de colapso silencioso.
— Não… — ele começou. Depois balançou a cabeça, ainda olhando para um ponto qualquer entre o colchão e o fim da minha sanidade. — Não… não é possível. Nós sempre… nós sempre nos protegemos. Desde o começo.
Aquilo era verdade.
Logan sempre fez questão de camisinha. Sempre. Mesmo agora, depois de tanto tempo juntos, depois de Paris, depois de amor declarado, depois de tudo, ele continuava sendo o louco do controle com relação a isso. O homem provavelmente tinha planilha mental de estoque de preservativo por trimestre. Se alguém me dissesse que Logan Novak conferia validade de camisinha com a mesma cara que assinava contrato milionário, eu acreditaria sem hesitar.
O médico, que claramente vinha tentando manter o bonde da racionalidade andando sozinho naquela sala, respondeu com toda a paciência possível:
— E isso diminui muito a chance de gravidez. Mas não zera. Preservativo é um método eficaz, só não é infalível.
Eu assenti devagar, ainda tentando me ouvir por dentro.
— Perfeito. Então eu fui estatisticamente premiada.
Ninguém riu.
O que foi profundamente ofensivo, porque eu tinha feito uma boa piada dentro de uma descoberta obstétrica.
Logan continuava olhando para frente.
— Não… — repetiu, quase para si mesmo. — Não pode ser…
O médico olhou de mim para ele e, com o bom senso de quem já devia ter entregue notícias devastadoras a casais muito piores do que nós, resolveu recuar.
— Eu vou dar alguns minutos a sós para vocês lidarem com a informação.
Assenti.
Ele saiu discretamente, fechando a porta com cuidado.
E então ficamos só nós dois.
Eu, numa cama de hospital, com sangue, um hematoma subcoriônico e um bebê de doze semanas que aparentemente vinha sendo cultivado dentro de mim com um nível inaceitável de discrição.
E Logan, sentado ao lado da cama, imóvel.
Muito imóvel.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...