~ LOGAN ~
Eu andei sem rumo pelos corredores do hospital por tempo suficiente para perder completamente a noção de onde estava.
Não que importasse.
Todo corredor de hospital acabava ficando igual depois de um certo ponto: branco demais, frio demais, limpo demais, como se o lugar inteiro tivesse sido planejado para parecer neutro enquanto a vida das pessoas desmoronava ali dentro com a pior educação possível.
O problema era que, para mim, aquele não era um hospital qualquer.
Um ano atrás, naquele mesmo dia, eu tinha atravessado corredores assim com a sensação de que o mundo estava me abrindo ao meio.
Vida e morte.
No mesmo pacote.
No mesmo horário.
No mesmo corpo de mulher.
Liam tinha chegado.
Laura tinha ido embora.
Às vezes eu ainda achava que o meu cérebro não tinha entendido completamente que aquelas duas coisas realmente tinham acontecido ao mesmo tempo. Como se uma parte de mim continuasse esperando que alguém viesse corrigir o erro. Dizer que confundiram os prontuários. Que a tragédia foi em outro andar. Que eu podia voltar no tempo por quinze minutos e segurar a mão dela direito. Ficar. Prestar atenção. Fazer uma pergunta a mais. Insistir numa resposta diferente.
Mas não tinha correção.
Nunca teve.
E agora…
Agora Mareu estava ali.
Numa cama de hospital.
Grávida.
A palavra ainda parecia absurda dentro da minha cabeça.
Como eu podia lidar com aquilo de novo?
Como eu podia lidar com o fato de que, da última vez em que a vida me deu o presente de ser pai, levou de mim a mulher que eu amava?
E agora, quando eu finalmente começava a me reerguer — quando eu começava, pela primeira vez, a acreditar que talvez ainda existisse futuro para mim que não fosse feito só de trabalho e contenção — o destino fazia isso.
Mareu.
Um bebê.
Sangue.
Hospital.
Hematoma subcoriônico.
Eu nem sabia exatamente o que aquilo significava, mas sabia o suficiente para entender que não era bom. Nenhuma expressão médica complicada era boa. A medicina só inventava nomes compridos para coisas capazes de tirar o sono das pessoas.
Passei a mão pelo rosto e parei perto de uma janela que mostrava o estacionamento.
Meu reflexo no vidro parecia o de um homem muito mais velho do que eu me sentia na maior parte do tempo. Ou talvez fosse justamente o contrário: eu me sentia muito mais velho do que aparentava. Cansado de um jeito que não vinha de noites mal dormidas. Cansado de medo. Cansado de lembrar.
Não podia perder a Mareu.
A frase veio inteira dessa vez.
Não podia.
Não podia deixar que nada acontecesse com ela.
Mas também não podia… não podia pedir que ela…
Fechei os olhos.
Nem eu conseguia terminar o pensamento.
Porque, mesmo no estado em que eu estava, mesmo atravessado por pânico e memória e culpa, eu sabia que aquele não era o caminho. Não era ela quem devia pagar a conta do meu trauma. Não era o corpo dela que existia para me poupar de reviver alguma coisa. Não era assim.
E também não havia o que fazer, de qualquer forma.
Eu não podia voltar no tempo e impedir que aquela criança fosse concebida.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...