~ LOGAN ~
— Onde está a minha… a minha…?
A frase morreu no meio da minha boca.
Porque, de repente, eu não sabia qual palavra usar.
Minha namorada?
Minha noiva falsa?
A mãe do meu futuro filho?
A mulher da minha vida?
Fiquei parado na porta do quarto, olhando para a cama vazia como se ela fosse me oferecer a resposta correta se eu esperasse o suficiente.
A enfermeira respondeu com a eficiência delicada de quem claramente já tinha presenciado gente surtando em hospitais em graus muito mais feios do que o meu.
— A senhorita que estava aqui acabou de ter alta.
Virei para ela na mesma hora.
— Mas ela está comigo. Ela vai voltar comigo e…
A enfermeira fez um gesto calmo com a mão, indicando que eu devia segui-la para o corredor.
— O senhor deveria checar a recepção. — Ela apontou o caminho. — Seguindo por aquela porta e virando à direita tem um elevador mais próximo e menos movimentado.
Assenti.
— Obrigado.
Atravessar a porta pareceu mais demorado do que realmente foi. O corredor, depois dela, estava mais silencioso, menos cheio, mais frio. Eu já ia virar à direita em direção ao elevador quando, por puro instinto — ou por alguma obsessão específica que o meu corpo tinha desenvolvido em relação à Mareu —, olhei para o outro lado.
E a vi.
Parada diante de uma parede de vidro.
Do outro lado, em berços aquecidos e sob aquela luz artificial que faz tudo parecer frágil demais, havia pelo menos três recém-nascidos. Pequenos. Vermelhos. Inacreditavelmente vivos. Um deles mexeu o braço, outro abriu a boca num espasmo sem som, o terceiro parecia ter decidido que a vida extrauterina era um erro e dormia como quem protestava.
Mareu estava completamente imóvel.
Aproximei-me devagar.
Não falei nada de imediato.
Só passei os braços em volta da cintura dela por trás e beijei o topo da sua cabeça.
Ela não se mexeu.
Mas falou:
— Eu sei que você está com medo.
Fechei os olhos por um instante.
A sinceridade da frase me atingiu direto.
Porque estava. Claro que estava.
Ela continuou, ainda olhando os bebês do outro lado do vidro:
— Mas eu também estou. E não quero lidar com medo sozinha.
Apertei-a um pouco mais contra mim.
Dessa vez não para protegê-la.
Para me lembrar de que ela estava ali. De que era real. De que eu tinha voltado. De que não tinha corrido longe o bastante para perder a chance de fazer aquilo direito.
— Você não vai — respondi, baixo, perto do ouvido dela. — Vamos lidar com nossos medos juntos.
Mareu respirou fundo, e eu senti o movimento nas minhas mãos.
— Eu entendo que a vida não foi fácil com você — ela disse. — Eu entendo todos os seus gatilhos. Mas essa criança dentro de mim não tem culpa de nada disso. Ela não foi planejada, mas…
— Mas vai ser muito amada — interrompi.
A frase saiu antes que eu pensasse demais nela.
Talvez justamente por isso tenha saído certa.
— Assim como Liam e Liv são.
Mareu finalmente virou um pouco o rosto para mim. Não totalmente. Só o suficiente para que eu visse o pequeno sorriso nascendo.
Segurei o rosto dela com mais firmeza, obrigando-a a me olhar de novo.
— E eu não vou mais correr quando estiver assustado.
Ficamos em silêncio por alguns segundos.
Só observando os bebês.
Eu ainda a segurava por trás agora num abraço mais frouxo, meu queixo quase no ombro dela, o corpo dos dois voltado para o vidro. Havia alguma coisa quase absurda na paz daquele instante. Como se o hospital inteiro tivesse se resumido àquele painel de vidro e à ideia ainda quase impossível de que, em algum lugar dentro dela, uma vida de doze semanas crescia sem pedir licença.
— Vamos ter um filho — eu disse.
Mareu não respondeu de imediato.
Mas eu senti o corpo dela mudar um pouco ao ouvir a frase. Como se a realidade precisasse de um segundo para pousar pela primeira vez sem sangue, sem desmaio, sem termo técnico, sem pânico.
Então ela disse:
— Vamos ter um filho.
Nós dois falamos olhando para o vidro.
Para os recém-nascidos.
Para o futuro.
Para o medo.
Para tudo.
Mareu soltou um ar de leve, quase uma risada de nervoso.
— E eu não sei nem por onde começar.
Olhei para o reflexo dela no vidro. Depois para a mulher real, nos meus braços.
Pensei em Paris. No anel de mentira que deixara de parecer mentira. Em Olívia nos abençoando como se presidisse um tribunal romântico. Em Liam fazendo um ano. Em Laura. Em pânico. Em recomeço.
E então entendi, com uma clareza quase ofensiva, que talvez eu soubesse exatamente por onde começar.
Apertei a mão dela com a minha.
— Você pode começar se casando comigo.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...