~ MAREU ~
Eu finalmente me virei para o Logan.
Devagar.
Ainda presa entre o choque, o alívio, o medo, os bebês atrás do vidro e aquela frase que ele tinha acabado de soltar como se estivesse sugerindo a sobremesa e não mudando oficialmente o resto da minha vida.
Olhei para ele com um sorriso nascendo sem a menor permissão.
— O quê?
Logan me olhou de volta sem vacilar.
— Casa comigo.
Eu ri.
Não de deboche. Não de nervoso puro. Ri porque, sinceramente, se eu não risse, talvez desmaiasse de novo e aí o hospital ia começar a me cobrar aluguel.
— Esse é o pior pedido de casamento do mundo, Logan Novak.
Ele soltou uma risada baixa.
— O último foi em Paris. Achei que não tinha como superar.
Inclinei a cabeça, ofendida.
— Você nem tem uma aliança.
Logan baixou os olhos para a minha mão.
— Outra? Você continua usando essa.
Segui o olhar dele e mexi no anel no meu dedo, o anel que tinha começado como mentira corporativa, teatro familiar e grande ideia de criança genial, e que agora já não parecia pertencer a nenhuma dessas categorias.
— É diamante — respondi, com toda a honestidade que a situação merecia. — Eu jamais dispensaria diamante.
A boca dele curvou daquele jeito lindo, contido, que sempre me dava vontade de estragar qualquer conversa séria com beijos impróprios.
Então foi exatamente o que eu fiz.
Segurei o rosto dele e o beijei.
Um beijo quente, apressado, feliz, meio trêmulo, como se a minha boca precisasse responder antes que o resto de mim conseguisse acompanhar.
Quando me afastei, encostei a testa na dele e sorri.
— Achei que você nunca ia pedir.
Os olhos dele vieram para os meus com uma mistura tão absurda de amor, susto e alívio que, por um segundo, eu quase tive pena de todo mundo que nunca veria Logan Novak desse jeito.
— Isso é um sim? — ele perguntou.
— É claro que isso é sim!
Beijei-o de novo.
Dessa vez mais forte. Mais inteira. Mais sem qualquer respeito pelo fato de estarmos tecnicamente num corredor de hospital observando recém-nascidos e tentando ser adultos razoáveis.
Quando finalmente me afastei, meu cérebro decidiu entrar em funcionamento no modo habitual: excesso de velocidade, zero freio e múltiplos assuntos ao mesmo tempo.
— Preciso avisar a Clara — comecei.
Logan soltou um pequeno suspiro que eu conhecia bem. O suspiro de quem sabia que eu estava prestes a sair em disparada verbal sem previsão de retorno.
— Não, espera, antes disso eu preciso de um vestido. Meu Deus, eu posso fazer meu vestido. Vou levar, tipo, um ano, mas a gente tem tempo, embora agora talvez a gente não tenha tanto tempo assim, porque se eu ficar muito barriguda pode mudar todo o caimento e…
Ele tentou dizer alguma coisa.
Eu ignorei completamente.
— …e eu preciso dos doces. E do bolo. E de uma lista de convidados, mas eu não quero convidar muita gente. Você quer convidar muita gente? Porque, sinceramente, eu já acho o seu mundo cansativo em quantidades pequenas, então imagina num casamento. E onde vai ser? Porque tem lugar que precisa reservar com meses de antecedência, tipo o Milani, e…
— Mareu.
— …e eu preciso decidir se quero uma coisa elegante ou uma coisa muito elegante, ou elegantemente escandalosa, o que também é uma possibilidade dependendo do vestido e…
— Mareu.
— …e eu vou precisar de sapatos. E de cabelo. E talvez de um planner. Céus, eu nunca planejei meu casamento direito porque da última vez eu fugi dele, o que agora parece um detalhe muito irônico da minha trajetória…
Logan segurou meu rosto com as duas mãos.
— Mareu.
Eu finalmente parei.
— O quê?
Ele estava sorrindo.
Aquele sorriso de homem paciente que, infelizmente para ele, me amava o suficiente para ouvir meu colapso logístico e ainda achar encantador.
— Eu não quero esperar um ano.
Pisquei.
— Você não quer?
Fingi pensar.
— É. Você também pode estar lá.
Ele fez uma cara de ofensa profunda.
— Que generosa você é.
— Eu sei. Sou uma mulher magnânima.
Ele me puxou mais para perto, os olhos já brilhando daquele jeito que me fazia esquecer o mundo.
E então, no meio de toda a minha euforia, a outra frase me atravessou.
A outra verdade.
A mais absurda de todas.
Olhei para ele. De verdade.
— E vamos ter um filho.
Desta vez não saiu rápido. Nem debochado. Nem atropelado.
Saiu como uma realidade que, de repente, começava a se acomodar dentro de mim.
— Vamos ser uma família de verdade.
Logan me olhou como se eu tivesse dito alguma coisa linda e um pouco errada.
Então me beijou.
Calmo. Demorado. Com aquele cuidado estranho que só homens muito fortes usam quando estão mais vulneráveis do que gostariam de admitir.
Quando ele se afastou, a boca ainda roçando a minha, falou baixo:
— Já somos.
Eu senti os olhos arderem.
De novo.
O que estava virando um padrão ofensivo naquele hospital.
Mas ele tinha razão.
Já éramos.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...