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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 239

~ MAREU ~

Os dias foram passando.

Não com pressa. Não com calma também. Foram passando daquele jeito estranho que o tempo passa quando muita coisa muda de uma vez e, ainda assim, a vida insiste em continuar pedindo café da manhã, reuniões, roupa lavada, criança querendo dorama e bilionário querendo te beijar no meio do corredor como se não existisse equipe de funcionários traumatizada o suficiente naquela casa.

A barriga começou a aparecer antes que eu me sentisse pronta para isso.

Um volume novo, uma curva suave e muito particular, dessas que fazem o espelho parecer saber uma coisa antes da sua cabeça aceitar. Eu ainda me pegava colocando a mão ali às vezes, meio sem pensar, e travando por dois segundos ao lembrar que havia mesmo uma pessoa crescendo dentro de mim. Uma pessoa pequena, insistente e já profundamente inconveniente no melhor sentido possível.

Logan tinha ficado ainda pior.

Ou melhor, dependendo do ponto de vista.

Mais atento. Mais presente. Mais propenso a me encarar com ar grave se eu subisse escadas rápido demais, ficasse muito tempo em pé ou respirasse com uma intensidade que ele julgasse suspeita. Não chegava a ser insuportável o tempo todo, mas havia momentos em que eu me sentia um projeto de alto risco financiado por uma holding internacional e não uma mulher tentando existir em paz.

Ao mesmo tempo, era bonito.

Porque ele estava ali.

Em cada consulta.

Em cada remédio.

Em cada copo d’água empurrado para a minha mão como se hidratação fosse um tratado de paz.

Então, quase sem perceber, a vigésima semana chegou.

E com ela, a consulta em que, teoricamente, descobriríamos o sexo do bebê.

— Você está nervoso? — perguntei, sentada no banco do carro enquanto ajustava a alça do vestido sobre a barriga ainda relativamente discreta.

Logan, ao volante, soltou um riso curto.

— Você está perguntando isso porque quer saber sobre mim ou porque não quer admitir que está nervosa?

— Os dois.

Ele me lançou aquele olhar lateral insuportável de homem bonito demais para ter tanta tranquilidade.

— Um pouco.

— Um pouco? — repeti, ofendida. — Eu estou a um passo de vomitar de ansiedade, e você vem me dizer um pouco?

— Você está grávida. Tudo seu vem com mais intensidade agora.

A clínica tinha cheiro de lugar limpo demais e caro demais, o que eu suponho ser o mínimo esperado quando você vai pagar para alguém deslizar gel gelado na sua barriga e te dizer se seu útero está colaborando com o futuro.

Quando nos chamaram, eu ainda tentei parecer uma pessoa madura e centrada.

Fingi até entrar na sala.

Mas, no instante em que me deitei na maca e a médica se aproximou com o aparelho, meu coração começou a bater feito louco. Não pelo sexo do bebê, exatamente. Ou não só por isso. Era o pacote inteiro. A imagem. O som. A prova de que aquilo tudo era real de um jeito impossível de negar.

— Vamos ver essa mocinha ou esse mocinho? — a médica perguntou, simpática.

Logan segurou minha mão imediatamente.

Nem comentou.

Nem perguntou se eu queria.

Só segurou.

O gel na pele estava gelado o bastante para me arrancar uma careta.

— Isso devia ser aquecido por lei.

A médica riu.

— Ouço isso quase todos os dias.

O aparelho deslizou sobre a minha barriga, a imagem apareceu na tela, e tudo dentro de mim ficou em silêncio.

Lá estava.

Nosso bebê.

Pequeno e, ainda assim, tão absurdamente inteiro. A cabeça. O perfil. A curvatura do corpo. O movimento. Um bracinho. Um pedaço de coluna. Um coração batendo com a indiferença dos organismos que ainda não fazem ideia do estrago emocional que causam nos adultos.

Acho que até ela percebeu que alguma coisa importante tinha pousado ali dentro da sala. Não a descoberta médica, mas o resto. O jeito como aquilo mudava o ar.

Eu imaginei fitinhas. Sapatos minúsculos. Logan completamente sem moral nenhuma diante de mais uma filha. Olívia se achando veterana em irmandade. Liam tentando entender o que era aquela nova criatura chegando.

Foi então que a médica pigarreou.

Não de forma dramática.

Mas de um jeito que fez minha alegria, ainda quentinha, recuar um passo por instinto.

Ela continuou olhando para a tela. O aparelho ainda na minha barriga. O rosto agora um pouco mais sério.

Meu peito apertou.

Logan percebeu na mesma hora.

— O que foi?

A médica respirou fundo antes de responder.

— No geral, a bebê está aqui, o coração está batendo, e isso é o mais importante.

Meu corpo inteiro já tinha entendido antes da frase terminar.

Quando médico começa com “o mais importante”, é porque vem alguma coisa que definitivamente não é boa o bastante para vir primeiro.

Olhei para ela.

— O mais importante?

Ela finalmente tirou os olhos da tela e nos encarou com a delicadeza de quem sabia que as palavras seguintes não pertenciam à mesma categoria da frase “é uma menina”.

— Tem mais um detalhe que nós precisamos conversar.

Senti o estômago afundar.

A médica desligou o som do aparelho, puxou um pouco o banco para mais perto e disse com uma firmeza calma que, por algum motivo, me assustou mais do que um tom abertamente alarmado teria assustado.

— Isso não está tão tranquilo quanto eu gostaria.

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