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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 240

~ MAREU ~

O sorriso da médica não chegou a desaparecer, mas perdeu calor.

Quase educado demais para ser chamado de mudança. Ainda assim, eu vi. E Logan viu também. Eu soube porque a mão dele apertou a minha no mesmo segundo, como se o corpo dele já tivesse entendido antes do resto.

— A bebê está bem — a médica começou, ainda olhando para as imagens. — Mas o quadro não evoluiu da forma tranquila que eu gostaria.

Meu coração afundou devagar.

Como quem percebe que o chão vai cedendo sob os pés e ainda assim tenta fingir que talvez seja só impressão.

— O que isso quer dizer? — Logan perguntou.

A voz dele saiu tão controlada que dava para sentir o esforço.

A médica virou a tela um pouco mais para nós e apontou uma área no exame, explicando com a paciência de quem já tinha aprendido a traduzir medo em linguagem compreensível.

— O hematoma não regrediu como eu esperava. E existe um ponto de descolamento que continua me preocupando. Não é uma sentença. A gestação segue, a bebê está aí, crescendo. Mas agora eu não quero mais tratar isso como um risco apenas teórico.

Fiquei olhando para a tela sem entender nada da imagem e tudo do tom.

— Em português de gente nervosa? — perguntei.

A médica me olhou.

— Em português de gente nervosa: essa é, sem dúvida, uma gravidez de alto risco.

A palavra ficou pairando no ar.

Alto risco.

Eu respirei fundo, mas o ar entrou pequeno demais.

Ao meu lado, Logan não desviava os olhos da médica.

— O que muda?

Essa era uma coisa muito Logan. Ele podia estar despedaçando por dentro. Mas, se quisesse, ainda conseguia fazer a pergunta certa no momento certo, como se a lógica pudesse segurar as paredes enquanto o resto ruía.

— Muda que Mareu vai precisar de repouso muito mais rígido a partir de agora — a médica respondeu. — Nada de esforço desnecessário. Nada de longos períodos em pé. Nada de rotina puxada, eventos, estresse evitável. E um acompanhamento muito mais próximo.

— Repouso absoluto? — ele perguntou.

— Quase absoluto. — Ela me olhou. — O máximo possível dentro de uma vida real.

Eu soltei um riso curto pelo nariz.

— Então basicamente o meu útero decidiu me colocar de castigo.

Ninguém riu, porque o assunto não permitia esse tipo de alívio completo.

Ela continuou:

— Também vamos observar sangramento, dor, contrações, qualquer mudança súbita. E eu quero reavaliar isso com frequência. Se houver piora do quadro, a internação pode se tornar necessária antes do que vocês gostariam.

Logan assentiu uma vez. Devagar.

— O que pode acontecer?

Eu virei o rosto para ele.

Tinha alguma coisa profundamente cruel em ouvir essa pergunta sair da boca dele. Não pela pergunta em si. Mas pelo que vinha por baixo dela. Pela memória escondida dentro da simplicidade da frase.

A médica foi cuidadosa.

— O que pode acontecer é evolução estável, que é o que nós queremos. O que eu preciso evitar é progressão do descolamento, sangramentos mais importantes, sofrimento fetal ou um parto prematuro antes da hora.

Minha mão gelou dentro da dele.

— Antes da hora quanto? — perguntei.

— Muito antes, se a gente perder o controle da situação.

Silêncio.

Por um instante, só existiu o barulho discreto do aparelho ainda ligado e a minha própria pulsação fazendo um escândalo surdo dentro de mim.

A médica então inclinou a cabeça um pouco, suavizando a expressão.

— Mas eu preciso que vocês escutem a parte completa da frase. Isso tende a correr bem se as orientações forem seguidas com rigor. Eu não estou dizendo a vocês que vai dar errado. Estou dizendo que, agora, improviso não é mais uma opção.

Logan fez mais perguntas.

Claro que fez.

Se podia viajar. Se podia trabalhar. Se ela podia andar. Se podia subir escada. Se podia dirigir (e eu nem dirigia!). Se podia ter relações. Se podia tomar isso, comer aquilo, fazer tal exame, retomar tal atividade, ficar sozinha, pegar o Liam no colo, ir a prova de vestido, respirar sem autorização judicial.

A médica respondeu tudo sem perder a compostura, embora em algum momento tenha olhado para ele com uma paciência quase maternal.

— Eu entendo a sua preocupação. Mas o mais importante agora é constância, não pânico.

Aquilo me fez olhar para Logan.

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