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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 24

— Maria Eugênia Valença, certo?

— Sim. Mas pode me chamar de Mareu.

Ela sorriu, simpática de um jeito perigoso. Simpática o suficiente para fazer a gente baixar a guarda e acabar contando segredos sem querer.

— Mareu… — ela repetiu — Engraçado. Não sei por que, mas seu nome me soa familiar.

Eu ri nervosa

— Acho que tem uma atriz com um nome parecido — inventei, no automático.

A moça fez um “ah” vago, como se estivesse tentando puxar uma memória pelo cabelo.

Meu nome não soava familiar por causa de atriz nenhuma.

O problema é que nome viaja.

Principalmente quando, em algum momento, ele passou perto de um escândalo familiar.

Eu não fiquei pra ver o que aconteceu depois que eu fugi daquele casamento arranjado. Eu só… desapareci. Mas como eu não vi nada — nem uma notinha de I*******m, nem uma fofoca maldosa de portal, nem sequer um “suposto casamento cancelado” em lugar nenhum — eu sempre acreditei que minha família moveu todos os pauzinhos para a história não vazar.

E, honestamente? A família do noivo também devia ter interesse em esconder isso. Não deve ser uma reputação muito charmosa ser “o homem que levou um bolo”, ainda mais naquele mundo em que reputação é moeda e orgulho é patrimônio.

Talvez por isso eu nunca quis saber quem ele era de verdade. Não quis nome, não quis rosto, não quis nada que transformasse a fuga numa história com protagonista masculino. Eu não queria dar humanidade pra minha… “pena”. Porque era impossível não sentir pena da pessoa que eu sabia que sairia humilhada de tudo aquilo.

Porque ele podia ser legal. Podia ser educado. Podia ser até perfeito no papel.

Mas eu não podia me casar por ordem. Por conveniência. E muito menos por não querer sentir pena.

— Primeiro trabalho formal? — A pergunta me trouxe de volta para a realidade.

Ela reparou na carteira de trabalho. Claro que reparou. “Data de emissão: ontem” devia estar piscando como letreiro de neon.

— Não, não — eu me apressei, rápida demais. — Não mesmo. É que… eu trabalhava por contrato — eu encaixei a desculpa que Clara tinha montado para mim como se fosse uma roupa. — O senhor Novak, inclusive, já conversou com minha antiga chefe. Referências, sabe?

— Claro, claro — ela sorriu de novo, gentil. — Finalmente o senhor Novak está conseguindo contratar uma babá de vez. Você não imagina a loucura que foram os últimos meses…

Eu inclinei a cabeça.

— Ah… eu imagino.

Ela riu, como se eu tivesse contado uma piada interna.

— Ele é meio assustador no começo, não é?

No começo. No meio. No fim. Em qualquer horário comercial.

— Um pouquinho — eu disse, tentando ser diplomática, porque eu estava literalmente dentro do ecossistema dele. — Ele tem… presença.

Capítulo 24 1

Capítulo 24 2

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