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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 242

~ MAREU ~

Eu estava deitada de lado, cercada por travesseiros, uma manta leve nas pernas, uma jarra de água ao alcance da mão, um pratinho com biscoitos sem graça que Logan jurava serem “mais adequados” e um nível de tédio tão ofensivo que eu já começava a considerar contar os frisos do gesso no teto como passatempo válido.

Repouso era uma palavra muito bonita no vocabulário médico.

Na prática, significava ficar largada feito uma decoração humana enquanto a vida seguia acontecendo na sala ao lado com toda a audácia do mundo.

No meu caso, a vida seguia acontecendo exatamente na minha frente.

Clara e Catharina — minhas madrinhas — estavam espalhadas pela quarto com agendas, tablets, catálogos de decoração, amostras de tecido, listas de convidados e um nível de produtividade que me irritava por inveja.

Olívia também estava ali.

Sentada numa poltrona com as pernas cruzadas, uma prancheta no colo e a expressão de quem, aos “quase sete anos” (sim, já tínhamos evoluído do seis anos e três quartos), já se considerava perfeitamente qualificada para fiscalizar adultos em evento de grande porte.

Eu suspirei pela quinta vez em menos de três minutos.

Clara nem levantou os olhos da agenda.

— Se você suspirar de novo nesse tom, vou entender como crítica ao meu planejamento.

— É crítica ao meu estado de prisioneira decorativa — rebati. — Aliás, Kara disse que a equipe do Milani resolvia tudo por mim, se eu quisesse.

Clara finalmente ergueu o rosto.

— Mas você não quer. Eu te conheço. Você quer participar de cada detalhe.

Cath confirmou com a cabeça, rabiscando alguma coisa num papel.

— E a gente também. Não é todo dia que se é madrinha de casamento.

Ela fez uma pausa dramática.

— Ou que se tem um casamento na família Novak.

Olívia, sem nem tirar os olhos da prancheta, comentou:

— O próximo provavelmente vai ser o do Liam.

Cath levantou a cabeça.

— Ei! Tem nós duas na frente. Porque realmente eu não contaria com o Igor.

Olívia revirou os olhos, com o desprezo elegante de quem já tinha superado a burrice média do mundo.

— E eu não contaria nem com você, tia Cath.

Clara soltou uma risadinha.

— Comigo, por quê?

Olívia finalmente ergueu os olhos da prancheta.

— Porque você parece o tipo de pessoa que só vai se casar depois de investigar a árvore genealógica inteira da pessoa, o imposto de renda e o histórico emocional dos ex.

Cath piscou.

— Isso é… um pouco justo.

— Muito justo — corrigi.

Olívia voltou à sua posição de consultora não remunerada.

— E eu não vou me casar.

Clara olhou para ela com interesse.

— Não?

— Não.

— Nunca?

— Vou estar muito ocupada construindo navios, operando pessoas e costurando vestidos.

Eu ri, e brinquei:

— Ela vai ser a própria Barbie profissões.

Cath apoiou o queixo na mão e observou a menina como quem enxerga uma tese sociológica inteira.

— Até a Barbie tem o Ken.

Olívia levantou uma sobrancelha.

— Um encostado.

O quarto inteiro caiu na gargalhada.

Até eu, que precisava tomar cuidado para não rir demais deitada, acabei me dobrando um pouco com a força da risada.

— Meu Deus — falei, enxugando os olhos. — Essa criança vai causar um colapso em pelo menos quatro homens por semana quando crescer.

— Se forem encostados, merecem — Olívia respondeu, muito séria.

Clara interrompeu com a rapidez de uma amiga que vivia para expor fraquezas alheias por amor.

— Mas já se iludindo.

Eu apontei para ela.

— Olha quem fala. Você e o Henrique são um grude agora.

Clara fez uma cara falsamente digna.

— Nós somos um casal com boa conexão.

— Vocês são um casal que respira sincronizado — corrigi.

Olívia ergueu os olhos da prancheta outra vez.

— É… eu não apostava muito no tio Henrique também. Mas parece que as coisas mudam.

Cath aproveitou a deixa na mesma hora.

— Viu? No futuro você também vai querer o Ken.

— Tô fora! — Olívia disse, fazendo todas rirem de novo.

Cath se recostou na cadeira e cruzou os braços com solenidade.

— E por falar em estar fora… hora das crianças saírem da sala.

Olívia franziu a testa.

— Por quê?

Clara sorriu.

Aquele sorriso perigoso de mulher que acabava de ter uma ideia ruim e excelente ao mesmo tempo.

— Porque precisamos planejar…

Ela fez uma pausa dramática, só para piorar a curiosidade alheia.

— …a despedida de solteira.

Cath passou a ponta da caneta pelos lábios e perguntou:

— Então, Mareu Novak… o quanto você quer se comportar?

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