~ MAREU ~
O ateliê improvisado na mansão estava tomado.
Tecidos separados por tons. Croquis espalhados. Bastidores, linhas, fitas métricas, amostras, rendas, cetins, organzas e um número obsceno de alfinetes prontos para me matar caso eu fizesse qualquer movimento mais brusco. A máquina trabalhava num ritmo constante sob os meus dedos, e eu tinha a impressão de que o mundo inteiro podia ruir do lado de fora, mas, se eu ainda estivesse criando alguma coisa bonita, talvez tudo continuasse em pé.
E era por isso que eu estava costurando como uma mulher possuída.
O problema — se é que posso chamar isso de problema — é que a coisa toda tinha crescido.
E muito.
Depois que Kara Milani usou o vestido no baile beneficente, a minha vida profissional tinha enlouquecido. O nome Mareu Novak circulava agora no mesmo tipo de boca que antes só me usava para fofoca, não para encomenda. Mulheres que jamais teriam olhado duas vezes para mim na minha época de babá, agora queriam vestidos meus. Queriam prova. Queriam horário. Queriam exclusividade. Queriam, se possível, a sensação completa de estar vestindo alguma combinação de talento, escândalo social e sobrenome bem-posicionado.
E eu queria entregar.
Queria muito.
Eu estava tão distraída na bainha complicada de um vestido azul profundo que só percebi Logan na porta quando ele limpou a garganta.
— Você ainda está aqui?
Nem ergui os olhos de imediato.
— Tecnicamente, eu moro aqui.
— No ateliê?
— Tá, você me pegou.
Aproximou-se devagar, como se estivesse tentando não assustar um animal silvestre. O que, em termos de comportamento, talvez fosse justo.
— Você precisa parar.
Eu continuei alinhando a costura.
— Não posso.
Ele parou ao meu lado.
— Pode, sim.
— Não posso, Logan.
Soltei o tecido e ergui finalmente o rosto para encará-lo.
— São muitas clientes, Logan. Muitas. Você tem noção do quanto isso tá crescendo?
Ele me olhou com aquela calma irritante de homem que sabia exatamente a resposta antes de eu terminar a pergunta.
— Eu tenho. Você tem?
Franzi a testa.
— O quê?
— Mareu… você não dá conta.
A frase bateu em mim um pouco mais forte do que eu gostaria.
— Eu dou, sim.
— Não, não dá. E não é só pela gravidez e pelo descanso forçado.
Eu já estava pronta para rebater com alguma observação extremamente madura e nada defensiva quando ele completou:
— Isso está crescendo muito rápido.
Me calei.
Porque aquela parte era verdade.
— Eu sei. — Depois acrescentei, mais baixo: — Mas é meu sonho. Quero dizer… talvez eu nunca tenha pensado nisso como um sonho até pouco tempo, mas…
Logan suavizou um pouco a expressão.
— E eu entendo. Mas está na hora de transformar seu sonho em um negócio de verdade.
Cruzei os braços.
— Já é um negócio de verdade. Está dando lucro e…
— Não estou falando de lucro — ele cortou, calmo. — Estou falando de estrutura.
Eu estreitei os olhos.
— Estrutura?
— Você precisa de uma equipe de verdade.
A palavra equipe ficou ecoando na minha cabeça com aquele som suspeito que têm as ideias boas quando ainda estamos decidindo se vamos odiá-las ou amá-las.
Logan continuou:
— Você pode continuar desenhando os vestidos. Pode costurar um ou outro quando for realmente importante pra você. Mas precisa começar a delegar funções.
Parei.
Parei mesmo.
Porque, apesar do meu instinto inicial ser defender a liberdade absoluta da minha costura até as últimas consequências, a ideia não parecia ruim. Na verdade, parecia… quase maravilhosa. Eu realmente precisava de mais tempo. Mais ar. Mais corpo disponível para o meu próprio casamento, para o bebê, para simplesmente existir sem estar sempre com uma bainha na cabeça.
— Não parece uma ideia ruim — admiti. — Mas… contratar uma equipe também vai demandar tempo e…
— Já fiz isso.
Pisquei.
— O quê?
Ele deu de ombros, daquele jeito perigosamente casual.
— Eu sabia que você ia aceitar.
Abri a boca.
Fechei.
Abri de novo.
— Como você poderia saber, se nem eu sabia?
O sorriso veio de lado, pequeno, quase arrogante.
— Talvez eu te conheça melhor do que você mesma.
Rolei os olhos.
Ele só sorriu, enquanto me guiava para a parte de dentro.
Era ainda mais bonito. Tudo mobiliado para expor criações com elegância. Araras, nichos, iluminação pensada para tecido, espelhos grandes, sofás impecáveis, um espaço inteiro respirando exatamente a mistura de sofisticação e calor que eu sempre quis criar sem saber nomear.
Mas foi a parte de trás que me destruiu de vez.
Um espaço enorme, organizado, funcional, lindo. Mesa de corte profissional. Máquinas modernas. Estantes para tecidos. Ferramentas. Área de acabamento. Espaço de prova. Uma sala reservada para receber clientes com sofá, espelho, champanhe e canapés como se eu já tivesse nascido pronta para esse nível de luxo.
Levei a mão à boca.
— Logan… quando você fez tudo isso?
Ele deu de ombros com uma simplicidade ofensiva.
— A gente sempre tem tempo pra fazer as coisas por quem ama. Você gostou?
Eu virei para ele, completamente derrotada pelo excesso de perfeição.
— Se eu gostei? Se eu gostei? Meu Deus, isso é perfeito!
Me joguei nos braços dele sem a menor elegância e o abracei com força, sentindo-o rir contra o meu cabelo.
— Obrigada. Obrigada. Meu Deus, obrigada.
Ele me segurou pela cintura e se afastou só o suficiente para olhar meu rosto.
— Tudo o que eu mais quero é te ver feliz.
Eu senti os olhos arderem.
— Você conseguiu.
Ele sorriu.
— Mas promete uma coisa.
Suspirei, já desconfiada.
— O quê?
— Que, por enquanto, vai ficar responsável só pelas criações e croquis.
Fiz uma careta de resistência puramente protocolar.
— Tudo bem…
Ele ergueu a sobrancelha.
— Tudo bem?
— Tudo bem — repeti. — Mas só depois de terminar o meu vestido de casamento.
Logan olhou para mim daquele jeito que sempre me fazia sentir que o resto do mundo podia esperar, mas nós não.
— Tá chegando.
Sorri.
Olhei de novo para a loja. Para o nome. Para o espaço. Para o futuro inteiro respirando na minha frente.
— Eu mal posso esperar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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