~ MAREU ~
Eu já estava deitada na cama, afundada entre travesseiros demais e com aquele cansaço específico de quem não tinha feito quase nada o dia inteiro e, ainda assim, sentia o corpo inteiro exausto de existir.
Gravidez era uma experiência muito curiosa nesse sentido.
Antes, eu achava que gente cansada precisava ter uma boa justificativa: correr, trabalhar, sofrer, carregar criança no colo, enfrentar salto alto em evento social, discutir com a própria mãe, fugir de casamento arranjado, esse tipo de coisa. Agora, aparentemente, bastava estar viva, grávida e tentando não enlouquecer para meu organismo decidir: isso foi muito, querida, vamos apagar.
A porta do quarto abriu devagar, e Logan entrou com aquele ar de homem que ainda parecia elegante até depois de passar o dia inteiro em reunião, obra e caos administrativo. Ele já estava sem gravata, com a camisa um pouco mais aberta no pescoço, e carregava um livro numa mão.
Esperei até ele se aproximar.
— Então, dia estressante?
Logan soltou um suspiro profundo.
— Lidar com obra nunca é uma calmaria.
Eu ri.
— E você quer estar presente em tudo.
Ele largou o livro na mesinha de cabeceira antes de se deitar ao meu lado.
— Claro. É sobre o quarto dos nossos filhos.
Senti um sorrisinho surgir no canto da boca antes mesmo de eu conseguir controlar.
Dos nossos filhos.
Ele falava assim com uma naturalidade que ainda me pegava desprevenida todas as vezes.
Eu nunca, em momento nenhum, quis roubar o lugar de Laura. Sabia o tamanho do amor da Olívia pela mãe. Sabia também que Liam cresceria ouvindo tanto sobre ela, vendo fotos, escutando histórias, que mesmo sem tê-la conhecido de verdade, a amaria com o coração inteiro.
E eu queria isso.
Queria que ela continuasse presente.
Mas não podia negar que algo quente sempre me atravessava quando Logan se referia às crianças como nossos filhos. Porque, em algum lugar muito fundo e muito sincero de mim, eu também estava buscando meu espaço no coração deles. Mesmo que Olívia nunca me chamasse de mãe. Mesmo que Liam um dia decidisse me chamar de qualquer outra coisa menos isso. Eu queria que eles soubessem — não em grandes discursos, mas em gesto, em constância, em presença — que o amor que eu sentia por eles não perderia em nada para o amor que eu já sentia pela menina crescendo dentro de mim.
Olhei para Logan de novo.
— Está ficando tudo lindo.
O antigo quarto do Liam, anexo ao nosso, estava sendo reformado para receber a bebê. Tudo ganhando tons mais claros, mais suaves, mais delicados. Não “rosa de princesa histérica”, porque eu me recusava a trazer aquele tipo de violência estética para a minha filha antes mesmo do nascimento. Era bonito. Elegante. Feminino sem ser óbvio.
Já o Liam tinha sido promovido a seu próprio quarto. Ainda anexo ao da Samira, claro, porque ele mal tinha um ano e ainda era um bebê, apesar da capacidade ofensiva de bagunçar uma casa inteira.
Logan se ajeitou no travesseiro e passou a mão distraidamente na minha barriga.
— Pensei que talvez já devêssemos começar a entrevistar babás. Quero dizer, não tenho memória de isso ter sido algo muito fácil.
Eu ri.
— Talvez… Helen possa ajudar.
Ele virou o rosto para mim.
— Helen... Helen?
— Helen Helen — confirmei, já rindo antes mesmo da reação dele. — Eu sei que tivemos nossas desavenças e ela passou do ponto em vários momentos, mas… ela tem sido ótima comigo nos últimos meses. Até achei que ia continuar fazendo da minha vida um inferno, mas ontem ela massageou meus ombros quando tive aquela crise de ansiedade e você não estava aqui.
Logan soltou uma risada curta.
— E me ligou no mesmo instante.
— Eu sei, e eu nem pedi! — rebati. — Parece que ela anda tentando… se redimir, de alguma forma. E sem esperar nada em troca. E como ela tem experiência com crianças e já está na casa há anos…
Logan fez aquela cara de quem ainda não tinha certeza se estava aprovando ou apenas adiando o veto.
— Eu não sei… talvez começar devagar. Deixando ela como auxiliar.
— Pode ser. É um passo.
Foi só então que meus olhos voltaram para o objeto sobre a mesinha de cabeceira.
Apontei.
— O que é isso?
Logan sorriu.
— Olívia deixou isso discretamente na mesa do meu escritório.
Pedi o livro e ele me passou.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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